sexta-feira, janeiro 28, 2005




FADO MARUJO

O fado fez-se ao mar nas caravelas
Despediu-se do Tejo e fez viagem
Cantou-o p'lo convés a marinhagem
Quando no céu acordavam estrelas

Saudades amargou de seus amores
Adoeceu febril e quase morto
Quando já não pensava encontrar porto
Foi quando achou descanso nos Açores


O fado ganhou sotaques diferentes
No falar das nossas gentes
Qual deles mais engraçado
É que o fado, mesmo fora de Lisboa
Se mexe com uma pessoa
Nunca deixa de ser fado


Como era marujo e atrevido
Andou com uma viola de paixões
Mas tendo ela já dois corações
Tomou outra de amores e foi corrido

Alguns afirmam mesmo ser verdade
Que nunca se refez desses amores
Tornou-se vagabundo p'los Açores
E de tanto chorar fez-se Saudade



Aníbal Raposo
Dezembro de 1989

2 comentários:

  1. Não conhecia.. nem o poema, nem o blog! :)
    Obrigado pelo link.
    Um abraço!

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