segunda-feira, abril 23, 2012



















LIVRO

Para mim és fêmea
livro que desejo.

Procuro-te a cada semana
nas esquinas de engate do costume.
Miro-te de longe as formas
e aprecio as cores da roupagem
que te veste.

Como quem não quer a coisa
pergunto-te sorrateiro pelo nome,
tentando adivinhar-te o parentesco.
Tu de quem és? Como se diz aqui na terra.

É que a tua resposta
poderá aumentar a minha sede,
amplificar o meu interesse.

Depois de olhar à volta de soslaio
passo-te abusador a mão lampeira
por todo o corpo,
a capa e o verso.

Encosto a tua cara à minha
para te ver de perto,
sentir e memorizar
esse teu cheiro.

Se de tudo gosto
levo-te ao colo para minha casa
profundamente apaixonado.

Depois, apressados,
na incontinência da libido
mergulhamos os dois
no chão macio dum sofá
e fazemos amor
perdidamente...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-04-23
(Dia do livro)

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