segunda-feira, outubro 01, 2012



















TANTO E TÃO POUCO

No tempo
Da nossa juventude
Os dias eram longos.
Julgo que tinham
O comprimento preciso
Dos nossos sonhos soltos
E largura das nossas amizades.

Intermináveis eram as tardes
Passadas no corredor
Da casa do Laurenio,
Velho e estimado amigo,
Preso à sua cadeira de rodas
Mas viajante experimentado
Nos mundos de devaneio
Que só a leitura nos podia abrir.

No corredor da sua casa
Da rua da Corujeira,
Sentados no chão,
E encostados à parede,
Atravessávamos num ápice
Altas montanhas,
Pradarias e desertos
Calvalgando com a destreza de cowboys
As páginas sujas e gastas dos livros
De aventuras, que rodavam
Por todas as nossas mãos.

Tínhamos tanto
E tão pouco.

Sobrava-nos tempo
Para enfrentar todos os desafios:
Como subir escadas de velhos moinhos
E até tocar guitarra
Ludibriando
As leis da gravidade.

Aníbal Raposo
2012-10-01

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