quarta-feira, abril 24, 2013















24 DE ABRIL

Se há um magma imenso mesmo à superfície
porque não irrompe a santa erupção?

Se os céus estão prenhes de nuvens tão negras
que pachorra há de aguardar dilúvios?

Se todos tateamos a tumidez da ira
porque não sentimos o brotar da raiva?

Se o amor por nós deve estar no cume
que vã subtileza detém este orgasmo?

Se todos ouvimos o fervilhar do ódio
o que é que detém o golpe da adaga?

Se a noite está preta, se a treva é de breu,
porque não se rasga clara a madrugada?

Se as mãos estendidas caem de cansadas
porque não amanhecem mil punhos cerrados?

Se o charco imundo desta vida fede
porque não desaba a primeira pedra?

Se há um  mar marado, podre de apatia,
porque não se ergue logo uma "incha braba"?

Se os céus teimosos prontos se derretem
porque não se fendem de uma vez os diques?

Se tão lesto somos a esculpir perguntas
porque não abrimos portas adequadas ?


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2013-04-24


Tradução para inglês com a ajuda da minha prima Deborah Fox

APRIL 24th 

If there is immense magma near the surface
Why doesn't the holy eruption start?

If the skies are pregnant with black clouds
Why the apathy to wait for floods?

If we all feel the swelling of indignation
Why don’t we feel the rise of anger?

If love of ourselves should should be paramount,
What subtly holds that anticipated orgasm?

If we all hear the seething of hatred
What suddenly halts the coup of the dagger?

If the night is black, a pitch black darkness ,
why does the clearest morning not arise?

If outstretched hands fall tired,
why do thousands of clenched fists not rise?

If this filthy waterhole life reeks,
Why do we not hear the fall of the first stone?

If this is a sea of fucked rotten apathy,
Why does an enormous wave not surge up?

If the stubborn heavens are ready to melt,
why do the levees not give way at once?

If we are very quick to carve questions
why don’t we swing open the appropriate gates?

Anibal Raposo

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