domingo, maio 05, 2013

















MÃE

De ti tenho saudades
Desde a tarde de inverno
Em que me deste ao mundo.
Querida mãe distante,
Velado anjo da guarda.

Fruta de tempos secos,
Da longa noite escura,
Onde a lágrima furtiva,
Nascida da emoção,
Era o ferro dos fracos.

No teu porte sisudo
Poucos pressentiriam
A mestra sempre atenta
E a mão dissimulada
Amparo dos mais pobres.

De ti sempre aguardei,
O amanhecer dum riso, 
A ternura dum beijo,
O estreitar do abraço
Que pouco se cumpriu.

Só com o sol no ocaso
No desabar dos muros
Pude lograr o ensejo
De afagar-te os cabelos
E de aquecer-te as mãos.

Tão tarde te encontrei
E logo te perdi.

Querida mãe distante,
Perene anjo da guarda.


Aníbal Raposo
2013-05-05

2 comentários:

  1. Melancólico, terno, triste, mas cheio cheio cheio de amor.
    Abraço.

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  2. Grande sublimação da saudade e do tempo perdido, em que o arrependimento não chega a ser senão aquilo que se sabia ter e não se teve na plenitude da relação parental. Os rapazes, estes filhos que “devem crescer” mais rápido, transferem os afetos, que mais tarde (talvez tarde de mais?), libertos de outros domínios, reencontram nos pais, como fonte de grande prazer e cumplicidade. Como o entendo!

    Omaia

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