sexta-feira, novembro 07, 2014
















PARTIDA

É hora de largar o ninho,
O aconchego das furnas de basalto da fajã.

Os meus progenitores, pais extremosos,
Há uma semana que já não me alimentam.

Aqui na falésia
(Que sei eu do mundo?)
Quando a fome aperta e se perde peso
Ganha-se coragem e agilidade para voar.

Partirei feliz e em liberdade,
À conquista dos mares quentes do sul,

No fim de fevereiro, guiado pelo instinto,
Regressarei para o fechar de mais um ciclo.

E rasgarei de novo a escuridão da noite
Com os meus voos rasantes, junto às casas,
Partilhando a alegria dos meus cânticos de menino.

Relva, 2014-11-07
Aníbal Raposo

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