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segunda-feira, abril 29, 2019
SAUDAÇÃO AO SOL
Através de ti, estrela bela,
saúdo a Divindade,
que nos criou a ambos,
a quem agradeço o dom da vida,
a paz e a harmonia com a natureza
neste magnífico e singelo fim de tarde.
Ao ver-te falecer no horizonte
já me nascem desatinadas no peito
imensas saudades de amanhã.
Rocha da Relva
Aníbal Raposo
quarta-feira, abril 06, 2016
domingo, março 22, 2009
Prima
A corda tensa
em início de ciclo.
A alegria da vida espelhada
nos chilreios de pássaros inquietos,
na tumidez explosiva dos ramos das árvores,
na subtileza dos trinados dos violinos de Vivaldi.
Vera
A perene procura do sagrado
na serena caminhada anual
pelas santas veredas desta ilha verde.
A oração libertadora que,
rasgando as trevas,
nos inunda a alma de luz
e nos coloca no peito um imenso oceano de paz.
Ponta Delgada, 2009-03-20
Aníbal Raposo
quarta-feira, janeiro 14, 2009

PONTA DA MADRUGADA
Soou a sineta,
veio a salva e
o rancho paroua lúgubre toada
das Ave Marias.
O irmão-mestre pediu
para nos sentarmos um pouco
a fim de refazermos forças
para a próxima etapa
da longa caminhada diária.
Os romeiros mais velhos
olharam para o mar
adivinhando o que se ia seguir...
Pouco depois,
habituados à escuridão dos trilhos
calcorreados desde as quatro da manhã,
cerrávamos os olhos:
Era o sol a irromper,
majestoso como nunca,
no horizonte alaranjado
da Ponta da Madrugada.
Depois prosseguimos
com as almas lavadas
pela beleza do momento
e pela força da nossa oração.
Ave Maria...
Aníbal Raposo
2009-01-14
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Fotografia: Sónia Nicolau
FIM-DE-SEMANA
a dita civilização
e a neblina húmida
beijando os pés
das almas frias, gémeas
dum fim-de-semana
invernoso.
Na minha fajã
o sol insiste em acariciar-me a cara
e aproveita para me fazer ciúmes
beijando cada árvore que plantei.
Ao meio-dia os sargos,
de frescos, saltam na grelha.
Reaparecem os cheiros da infância
na coluna de fumo
que se ergue da fogueira
de canas, verticalmente,
na atmosfera calma.
A primavera apressada
quer já fazer-se anunciar
nos abrolhos verdes
dos ramos das figueiras.
E há sempre, no cimo da falésia
o pio dos milhafres, aves irmãs
orgulhosas e libertas.
Esta é a oração mais piedosa
que me ocorre nesta hora:
bendigo o Criador do universo
por estar vivo,
aqui e agora.
Aníbal Raposo
2009-01-11
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