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sábado, abril 04, 2020


























CORDA BAMBA

Na senda da escrita pus-me a caminhar.
Num tem-te não caias, viso assegurar
Que a palavra é justa, clara e não descamba.

Atalhos fortuitos, duros de verdade,
Arte de trapézio, fere a gravidade,
Balouçar instável numa corda bamba.

Relva, 2020-04-05
Aníbal Raposo

sábado, novembro 29, 2014



DERVICHES

Poesia,
música,
dança,
e humildade

no rodopio
do mundo. Uma via
para sondar a divindade.

Relva, 2014-11-29
Aníbal Raposo

Foto de Celil Advan 

segunda-feira, março 15, 2010



ALAMBIQUE

Despeja-se no pote alado
e de redonda forma,
trinta litros de emoções diversas.

Aquece-se o dito volume líquido
em lume brando.

(Um pôr-do-sol visível
através da janela da sala
do destilador aprendiz, pode ajudar...)

Algum tempo depois,
quando a lembrança daquelas emoções
atinge a temperatura indicada,
começam a soltar-se algumas lágrimas
e, pela pela cabeça de turco,
palavras etéreas, sem muito nexo,
bastas vezes misturadas com raros vapores etílicos.

Tais palavras,
arrefecidas pela água fria da razão,
que deve fluir de forma continuada
para o interior do vaso cilíndrico,
acabam por condensar-se
na serpentina.

Escorre, então,
pelo fino bocal do citado vaso,
um aromático destilado.

Deve pensar, seriamente, se quer aproveitar
os primeiros dez por cento do líquido.

O resto poderá ser poesia.

Não será capaz, no entanto,
de controlar a essência alambicada
com um pesa-afectos,
pois que de tal instrumento,
ainda que por muitos desejado,
não consta a existência.

O resultado, depende apenas de duas coisas:
- da arte de operar o alambique;
- da qualidade das emoções vividas.

Ponta Delgada e Lisboa, 15 de Março de 2009