
AMANHECER NA FAJÃ
Que diremos nós os dois quando chegar a madrugada
E as nossas mãos-palavras se quedarem esclarecidas?
Dançarão os nossos corpos como peixes na corrente?
Ensaiarão voos picados de garajaus famintos?
Que diremos a seguir, quando passar a tempestade
E navegarmos tranquilamente no mar de azeite
Dos sentidos? Seremos como milhafres a voar
Com olhos verde-riso que só o nosso amor inventa?
Que caminhos-prata neste mar de breu rompeu a lua?
Quantas carícias trocaremos ao canto dos cagarros?
Que subtis destilados soltarão línguas tão domésticas?
A nossa pequenez na contemplação destes luzeiros...
Bendito seja Deus por me ter vivo
E por me dar a benção de amanhecer contigo na fajã...
Lisboa
2005-09-12























