
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Poema marginal

domingo, fevereiro 01, 2009
DA BATIDA INESPERADA DO VENTO
soporificamente embalados nos braços de Morfeu,
nem sempre nos damos conta
dos sinais premonitores da tormenta.
Então, quando ela surge, a sensação
é a de termos sido repentinamente abocanhados
pela ferocidade das mandíbulas dum tigre.
Perante a enorme sacudidela de vento
nas velas do navio da nossa vida,
sentimo-nos sem bússola, perdidos,
desesperados com a situação.
Nessa altura não estamos preparados para vislumbrar
a soberana oportunidade que nos é dada
para refazermos o rumo e retomarmos
o equilíbrio da nossa barca.
Mas, normalmente,
depois da grande e inesperada oscilação
navegamos mais adultos e mais sábios
na vasteza do mar-oceano da nossa existência.
Palavras-desafio:
Batida; dentro; Morfeu; navio; oceano; oscilação; sacudidela; situação;soberana/o; tigre; vasteza; vento.
Continuo a divertir-me. Obrigado Eremita.

quinta-feira, janeiro 29, 2009
fiel amigo
quarta-feira, janeiro 28, 2009

E assim foi, no passado dia 27 de Janeiro, a homenagem ao Pedro Pauleta promovida pelo Jornal "A bola". O Teatro Micaelense, repleto, contava na assistência com o Presidente do Governo Regional dos Açores, Secretário de Estado do Desporto, Eusébio, Carlos Queirós, Gilberto Madail entre outros. Não faltaram mensagens: de Jorge Sampaio a Felipão (vinda da Inglaterra). Pauleta, emocionado, a receber a bola de prata especial como melhor marcador de todos os tempos da selecção nacional. Fiquei muito feliz por me ter cabido fazer, com a minha banda, a segunda parte da gala de homenagem, transmitida para todo o arquipélago pela RTP e RDP Açores e, dessa forma, prestar a minha homenagem a um homem que cultiva a simplicidade dos grandes Homens, açoriano dos quatro costados e exemplo para a nossa juventude. Parabéns Pedro Pauleta!
quarta-feira, janeiro 21, 2009
sábado, janeiro 17, 2009
quarta-feira, janeiro 14, 2009

segunda-feira, janeiro 12, 2009
sexta-feira, janeiro 09, 2009

quarta-feira, janeiro 07, 2009
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Límpido cavalheiro
Muito bem formado
Mas muito lampeiro.
Num baile bispou
Donzela sem dolo
Deu-lhe por completo
A volta ao miolo.
Sentiu o idoso,
Como é bom de ver,
De novo a paixão
A querer renascer.
Com muito denodo
(Caso singular)
Dirigiu-se à moça
Resolveu dançar.
Convidou a dama
Para o salsifré.
Passos à deriva
De trôpego o pé.
Dançou, tanto, tanto
E com tanta gala
Que se estatelou
No meio da sala.
Muitos assistiram
À cena patética
Que coisa ridícula
Escaganifobética.
Não é uma fábula
O caso é autêntico
Aconteceu mesmo
Ao velhinho excêntrico.
Supremo ditado,
Verdades eternas:
Tu nunca dês passos
Se não tiveres pernas.
Aníbal Raposo
2009-01-05
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Palavras-desafio:
Autêntico; deriva; escaganifobética; fábula; límpido; novo; paixão; querer; renascer; salsifré; singular; supremo.
quarta-feira, dezembro 31, 2008

São sete as colinas
Sete são as notas
Do som da amizade.
As cores são sete
Que o prisma refracta.
São sete os pecados
E um pastel de nata.
São arcanjos sete
De Deus impoluto.
E sete é também
O número absoluto.
As constelações
São o sete-estrelo.
O templo sagrado
Sete anos a tê-lo.
Entéricos, um mito?
Seth, irmão de Osíris
Foi Deus do Egipto.
Sete são os selos
Do livro, proféticos.
Sete sacramentos.
Princípios Herméticos.
Sete belas artes
Na mesma procura.
Sete palmos tem
Cada sepultura.
Os deuses no Olimpo
Sete formas são.
Os planos são sete
Da evolução.
Sete as maravilhas:
O mundo se ufana.
Sete são os dias
De cada semana.
São sete as virtudes
São sete verdades?
domingo, dezembro 28, 2008

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domingo, dezembro 21, 2008

CANTIGA DO SILÊNCIO
O silêncio é como uma agonia
Lentamente nos consome e faz sofrer
Meu amor, minha doce fantasia
Não me deixes de silêncio ensurdecer
Diz-me coisas banais, do dia-a-dia
Diz-me coisas nem que seja por dizer
Meu amor, minha doce fantasia
Não me deixes de silêncio ensurdecer
No silêncio pode haver certa poesia
A que a palavra dá corpo e faz crescer
Meu amor, minha doce fantasia
Não me deixes de silêncio ensurdecer
Aníbal Raposo
1982
sexta-feira, dezembro 19, 2008
quarta-feira, dezembro 03, 2008

segunda-feira, dezembro 01, 2008

domingo, novembro 23, 2008
Anunciando o Natal

Sem abrigo - Foto de Renato Fogal
ANUNCIANDO O NATAL
anunciam a chegada do Natal
na cidade branca de Lisboa.
numa baixa transida de frio,
procurando o aconchego do metro
e das casas-colmeias plantadas nos subúrbios.
O centro da urbe é um deserto.
Uma meta difícil a conquistar
no desgaste de cada madrugada.
Os deserdados da vida que, no Rossio,
ajeitam cobertores em leitos de cartão canelado,
preparando mais uma noite ao relento
sob um céu faminto de estrelas.
E sonoros aplausos para a deslumbrante gruta azul,
do presépio profano e sem alma,
erigido aos pés da estátua
do Marquês de Pombal.
Lisboa, 2008-11-23
Aníbal Raposo
sábado, novembro 22, 2008

A FLECHA E A LIRA
Porque é que às vezes
As palavras que escrevemos
São como dardos envenenados?
Partem velozes do arco tenso da nossa memória
E cruzam os ares, sedentas na procura do alvo.
Por vezes e sem o desejarmos,
Atingem aqueles que amamos com tal brutalidade
Que ficamos banzados de espanto
Pelo forte impacto causado
E pela enorme violência dos estragos colaterais.
Depois agitam-se, frementes, soltam-se do alvo,
E fazem a viagem de regresso, em ricochete,
Ferindo-nos bem fundo, no peito.
Provocam golpes tão dolorosos
Que uivamos no chão transidos de dor.
Esconde o arco e a flecha velho poeta,
A hora é de tanger a lira.
Escuta a música do tempo...
Ponta Delgada, 2008-11-22
Aníbal Raposo
TARDE NA ROCHA
A tarde está calma e o mar chão.
Debaixo da latada
Interrompo a Saudade a meio
Para ouvir o concerto de um bando de garajaus que passa.
Depois, continuo o cortinado roxo...
Só Erika me entende.
À minha breve pausa
Brilham-lhe os olhos
Suaves lagos de azul.
Os meus amigos,
Com quem compartilho
A sábia espera do negro das uvas,
Estranham o parco interregno...
Aqui, neste lugar estranho
A verdadeira
União Europeia
Dos sentidos.
2002
Aníbal Raposo

FADO DA TAVERNA
Naquela rua estreitinha
Que do Arcanjo tomou
O nome, que perdurou,
Há uma casa onde o fado
É ouvido e acarinhado
(Naquela rua velhinha)
Todos os dias a eito
Até alta madrugada
Enquanto geme magoada
A guitarra portuguesa
Bebe-se vinho na mesa
Canta-se o fado a preceito
Ali mesmo ao pé do bar
Estão três pessoas à fala
Quase no centro da sala
Na mesa que é dos artistas
Três vozes, de três fadistas,
Que passo a enumerar:
A primeira é voz que ecoa
Com requebros alfacinhas
Canta cantigas velhinhas
Di-las com gosto e com raiva
Dá p'lo nome de Saraiva
E é natural de Lisboa
Já que vou entusiasmado
Vou nomear a segunda
Voz arrastada e profunda
Pelo peito o xaile traça
Piedade de sua graça
É corisca e canta o fado
Quando o Hilário cantava
Alta noite no Choupal
(E a sua voz de cristal
Toda a tricana escutava)
Já o Vitória entoava
Cantigas p'ró pessoal
Ao lado senta-se um mago
Da viola. Não tem par !
Quando se põe a tocar
Ataca acordes sem medo.
Peço desculpa ó Alfredo:
Quem toca assim não é Gago !
E por fim p'ra rematar
Que vai longa a cantoria
Como se fosse magia
Ouve-se um som que não engana
Sai das mãos do Zé Pracana
É uma guitarra a chorar
Naquela rua estreitinha
Que do Arcanjo tomou
O nome, que perdurou,
Há uma casa onde o fado
É ouvido e acarinhado
(Naquela rua velhinha)
Aníbal Raposo
1990-08-10
REMA
Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema lanchinha
Pró alto mar
Rema que rema
No mar irado
Gostar de ti
É um triste fado
Rema que rema
Na calmaria
Senhor S. Pedro
És o meu guia
Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema lanchinha
Pró alto mar
Rema que rema
Pelo mar fora
Segura o leme
Nossa Senhora
Rema que rema
Pró areal
Se te não vejo
Passo bem mal
Aníbal Raposo
Agosto 2000
sexta-feira, novembro 14, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008
À HORA EM QUE OS POETAS SE INQUIETAM
Há momentos tão feitos à dor
Que soltam sentimentos, que os despertam.
Eu, por mim, sou dado a males de amor
À hora em que os poetas se inquietam.
Na hora em que os meus versos nascem soltos
Há um pôr-do-sol tão roxo que seduz.
As formas em recorte contra-luz
E os mares do meu peito tão revoltos.
Um bando de estorninhos, nuvem preta.
A dança em rodopio dos morcegos.
Há um ferver do sangue do poeta
Que entrou na hora dos desassossegos.
Rocha da Relva, 2002
Aníbal Raposo
terça-feira, novembro 11, 2008

sexta-feira, outubro 31, 2008
domingo, outubro 26, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008

domingo, outubro 12, 2008
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Para quê os olhos tristes ?
Porque não ris para mim ?
As amarguras da vida
Nunca se curam assim...
Para quê os olhos tristes ?
Porque não ris para mim ?
Pés no chão! Cabeça erguida!
Para o bom e pró ruim
Que as amarguras da vida
Sempre se vencem assim
Pés no chão! Cabeça erguida!
Dá um risinho p' ra mim...
sexta-feira, outubro 10, 2008

quarta-feira, setembro 17, 2008

Lá fora a banda
Já toca a intro
Respira fundo…
Tu tens agora
Trinta segundos
Para seres jogado
Ao mundo.
Isso, respira...
Profundamente….
O que tens tu?
Sobram-te agora
Vinte segundos
Para seres lançado
À turba, nu.
Só dez segundos…
Vais ficar cego
Com a claridade.
Adrenalina
Segura as pernas
Chegou a hora
Da verdade.
Entras no palco
E aí os tens
Mesmo a teus pés.
Lembra-te bem:
Só tocas neles
Se fores igual
Àquilo que és.









