sexta-feira, abril 03, 2009



ESTIVE LÁ PERTO

Estive lá perto...

Tão perto
que quase toquei
com a ponta dos dedos,
o outro lado, o da eterna claridade.

No meio da minha fugaz ausência,
senti-me a caminhar no túnel escuro.
Escutei vozes, doces mas desconhecidas,
que me recebiam com muita amizade
e experimentei uma enorme
sensação de paz.

Alguém quis que voltasse
e aqui estou eu, de regresso.

Fisicamente mais débil.
Seguramente mais sábio.

De ora em diante,
beijarei cada minuto
da minha breve existência
como se fosse uma das notas
de uma bela e suave melodia:
 
a música da minha vida...


Ponta Delgada, 2009-04-03
Aníbal Raposo

domingo, março 22, 2009



PRIMAVERA

Prima
A corda tensa
em início de ciclo. 
A alegria da vida espelhada
nos chilreios de pássaros inquietos,
na tumidez explosiva dos ramos das árvores,
na subtileza dos trinados dos violinos de Vivaldi.

Vera
A perene procura do sagrado
na serena caminhada anual
pelas santas veredas desta ilha verde.
A oração libertadora que,
rasgando as trevas,
nos inunda a alma de luz
e nos coloca no peito um imenso oceano de paz.

Ponta Delgada, 2009-03-20
Aníbal Raposo

terça-feira, março 10, 2009


ODE AO AMOR

(de Maria para Benjamim)


Já que dizes que o amor é sã partilha

então ganha coragem beija-flor:

com simplicidade e com verdade,

duas vitualhas  do dito bem-querer,

beija-me a mim, Benjamim.

 

Mais uma dança de encantar tu vais tecer

quando soprares da prateada flauta transversal

a melodia suave desta doce maldição,


Esconjuro que és

gravado em mim.

  

Lisboa, 2009-03-10

Aníbal Raposo

---------------------------------------------------------------------------

Esta foi a minha participação no 12.º jogo das 12 palavras do blog Eremitério. Mais uma vez obrigado ao Eremita pela diversão.

Palavras-desafio:

Amor - beija-flor - benjamim - coragem - flauta -maldição - ode - Partilha - simplicidade - Tecer - Verdade - vitualhas.

segunda-feira, março 09, 2009



JANTAR DE AMIGOS DO TUP 

Que dizer dos abraços apertados
e dos beijos sentidos e sinceros
dos amigos que nesta hora revemos
após um hiato de trinta e muitos anos?

Que dizer da conversa boa
que se reinicia, aberta, livre e fluída,
depois de tanta água ter corrido sob as pontes,
parecendo ter terminado ainda ontem
em Cedofeita, numa das mesas do café Bissau?

Que dizer dos olhos,
húmidos de saudade
mas tão acesos na alegria do reencontro?

Que dizer da clara consciência
das cicatrizes que o tempo desenhou em nossas faces
e do gáudio juvenil nos rostos que as ressarce?

E que dizer do dono do restaurante,
Gavião do Mar, local do nosso convívio,
que às três da madrugada ainda inventa tempo
para afinar o cavaquinho e nos pôr a dançar viras do norte
fazendo-nos esquecer, por uns instantes,
dos outros viras: desnortes da nossa vida?

Não há muitos amigos destes...

São únicos, os amigos do TUP.


Porto, 2009-03-08
Aníbal Raposo

sexta-feira, fevereiro 27, 2009



EM CADA VERSO

Em cada verso vou cantar-te, amor.
No teu compasso as notas certas planto.  
Bebo-te os lábios, doces, de licor.
Vamos lavrar os dois um mar de espanto.

Ponta Delgada, 2009-02-26
Aníbal Raposo

quinta-feira, fevereiro 26, 2009


QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Não te esqueças que és pó!

Poeira das estrelas

que alguém aglutinou

para tu seres.

 

E a poeira que és,

desagregada em função

da tua anunciada morte,

será de novo joeirada

pela invisível mão

do Criador.

 

Poderá devir depois

noutro lugar, noutra coisa

ou noutra criatura,

mas habitará o universo

como poeira das estrelas

até ao fim dos tempos.

 

Sonha!

Que sonhar é ser eterno...

 

Ponta Delgada, 2009-02-25

Aníbal Raposo


SELO BLOG DORADO

Fui presenteado com o selo "Blog Dorado", pela Eelleenn do blogue (http://felixahel.blogspot.com) e vou atribui-lo a alguns amigos.

Agradeço do coração à Eelleenn faço-vos a todos um convite para passarem pelo blogue dela.

As regras são:

1 - Exibir a imagem do selo;
2 - Postar o link do blog de quem te mandou;
3 - Escolher 10 blog´s e distribuir o selo;
4 - Avisar seus escolhidos. 

Peço desculpa por não poder contemplar mais amigos mas só podem ser 10.

E os nomeados são:

Sônia Schmorantz - http://schsonia.blogspot.com;
Fátima Borges - http://deliriosdasborboletas.blogspot.com.

 Beijos nas meninas, abraços nos rapazes.

Aníbal Raposo

segunda-feira, fevereiro 23, 2009



DANÇAS DOUTROS CARNAVAIS

Não me venhas de novo a seduzir
com conversa fagueira
e jogos imorais. 

Rasga-me esta máscara
e presenteia-te, por uma vez,
com um favor singelo:
não mintas mais.

Disfarces para quê
se tu não és faceira?

A ti, bem te conheço,
de antanho e de ginjeira,
das danças tristes, funestas,
doutros carnavais.


Ponta Delgada, 2009-02-23
Aníbal Raposo

sexta-feira, fevereiro 13, 2009



AMANHÃ NÃO TE DAREI FLORES

Amanhã,
por ser banal,
não te darei flores.

Convidar-te-ei, tão somente,
para um lugar tranquilo à beira-mar
e dar-te-ei um longo e húmido beijo.

Em seguida,
far-te-ei erguer comigo
uma taça de bom vinho
e brindarei à rosa das rosas,

à mais delicada que conheço:
tu, meu amor. 

Ponta Delgada, 2009-02-13
Aníbal Raposo

quarta-feira, fevereiro 04, 2009




POEMA PARA A MULHER QUE PASSA


Podias ser Lianor

Pois que caminhas formosa

Pela verdura descalça.


E garota de Ipanema

Já que tu és coisa linda

Tão linda e cheia de graça.


Ou Rosinha dos limões

Fada de olhar feiticeiro

Com esse ar de chalaça.


Mas por não saber, princesa,

Que nome te baptizou

Prefiro dizer, riqueza,

Como o poeta cantou:

Passou uma delicadeza,

Uma mulher que ficou.


Ponta Delgada, 2009-02-05

Aníbal Raposo

__________________________________________

Recebi da minha querida amiga, a poetisa Betina Moraes, do blogue “Versos e idéias”, um convite para executar a seguinte tarefa: 

1 - agarrar o livro mais próximo; 
2 - abrir na página 161; 
3 - procurar a 6ª frase; 
4 - colocar a frase completa no blogue; 
5 - produzir um texto com a frase; 
6 - repassar a "tarefa" para 5 pessoas.

O livro que estava mais próximo era "Ofício cantante" de Herberto Helder, publicado em Janeiro de 2009 pela editora Assírio e Alvim – capa dura. A sexta frase do poema “Lugar último", que está na página 161, é a seguinte:

 “Passou uma delicadeza, uma mulher que ficou.”

O que saiu foi o poema acima. 

___________________________________________

Convido agora para a ciranda:

Paula Raposo do blogue "As minhas romãs"

http://romasdapaula.blogspot.com/

Manzas do blogue "Pensamentos"

http://pensamanzas.blogspot.com/

Eduardo Aleixo do blogue "À beira de água"

http://ealeixo.blogspot.com/

Ana Martins do blogue "Ave sem asas"

http://avesemasas.blogspot.com/

Conceição Bernardino do blogue "Amanhecer & palavras ousadas"

http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/


Sei que às vezes não é apetecível escrever estando condicionado a um texto. No entanto, espero que aceitem o desafio.

Beijos às meninas e abraços aos rapazes!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Poema marginal




POEMA MARGINAL

Ainda não se enxerga a madrugada
quando o novo poema prepara seu iminente parto.

Fermenta na vesúvica erupção da mente,
para depois fluir em brasa, folha abaixo,
na inesperada torrente lávica das palavras.

Nasce às vezes sonoro, às vezes grave,
noutras por entre loucos, alarves e insanos risos.
Brota dos desconexos gestos báquicos,
irreflectidos, no escárnio cínico dos espelhos.

Acabou de mijar, sem pudor algum,
nas delicadas esquinas de convenções
secular e laboriosamente trabalhadas, 
escarnecendo, a mostrar os dentes podres,
do que é o simples e vulgar bom senso.
Não posso nem te quero segurar,
poema sem amarras.

Foi opção tua vir assim ao mundo:
livre e marginal.

Meu poema vivo,
poema sem-abrigo. 


Lisboa, 2009-02-02
Aníbal Raposo

domingo, fevereiro 01, 2009


DA BATIDA INESPERADA DO VENTO


Perdidos dentro dos nossos domésticos afazeres diários,

soporificamente embalados nos braços de Morfeu,

nem sempre nos damos conta

dos sinais premonitores da tormenta.

 

Então, quando ela surge, a sensação 

 é a de termos sido repentinamente abocanhados

pela ferocidade das mandíbulas dum tigre.

 

Perante a enorme sacudidela de vento

nas velas do navio da nossa vida,

sentimo-nos sem bússola, perdidos,

desesperados com a situação.

 

Nessa altura não estamos preparados para vislumbrar

a soberana oportunidade que nos é dada

para refazermos o rumo e retomarmos

o equilíbrio da nossa barca.

 

Mas, normalmente,

depois da grande e inesperada oscilação

navegamos mais adultos e mais sábios

na vasteza do mar-oceano da nossa existência.


Lisboa, 2009-02-01
Aníbal Raposo
------------------------------------------

Esta é a minha participação no 11.º jogo das 12 palavras do blog Eremitério

Palavras-desafio:

Batida; dentro; Morfeu; navio; oceano; oscilação; sacudidela; situação;soberana/o; tigre; vasteza; vento.

Continuo a divertir-me. Obrigado Eremita.



DA ACENTUAÇÃO

Já não falo de não terem vincado
no nato volume, o i de minha graça,
que a língua lusa e, já agora, eu,
vá lá saber-se por que vão capricho,
fazemos questão que seja acentuado e grave. 

Dir-se-á que foi um lapso,
falta de atenção e de tempo disponível.

Pois bem, não quero lançar anátemas:
aceito e acredito que assim tivesse sido.

No entanto,
na minha provecta idade
tenho como dado e provado
que todas as acções obtêm sempre o tempo preciso
que estamos pré-dispostos a dispensar-lhes.

Acentuo, porém, com amizade
mas com acento muito grave,
não ter sido desenhado o tempo e o espaço
para conhecermos e distribuirmos abraços cúmplices
aos diversos pais e mães
da cópula feliz
que gerou a criança linda
que ontem nasceu
no Onda Jazz.

Lisboa 2009-02-01
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 29, 2009

fiel amigo



EM DIA DE AMIGOS

Chorar a lágrima como se nossa fosse.
Repartir alegria quando a festa é rija.
Pôr dardos na língua quando a verdade o exija.
Mas cultivar o mel porque amizade é doce. 

Ponta Delgada, 2009-01-29
Aníbal Raposo
CONVITE PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO
"ENTRE O SONO E O SONHO"

DATA: PRÓXIMO SÁBADO, DIA 31 DE JANEIRO, ÀS 20h00
LOCAL: ONDA JAZZ BAR, LISBOA


(CLICAR EM CIMA DA IMAGEM PARA VER TODA A INFORMAÇÃO)

quarta-feira, janeiro 28, 2009


HOMENAGEM AO PEDRO PAULETA

E assim foi, no passado dia 27 de Janeiro, a homenagem ao Pedro Pauleta promovida pelo Jornal "A bola". O Teatro Micaelense, repleto, contava na assistência com o Presidente do Governo Regional dos Açores, Secretário de Estado do Desporto, Eusébio, Carlos Queirós, Gilberto Madail entre outros. Não faltaram mensagens: de Jorge Sampaio a Felipão (vinda da Inglaterra). Pauleta, emocionado, a receber a bola de prata especial como melhor marcador de todos os tempos da selecção nacional. Fiquei muito feliz por me ter cabido fazer, com a minha banda, a segunda parte da gala de homenagem, transmitida para todo o arquipélago pela RTP e RDP Açores e, dessa forma, prestar a minha homenagem a um homem que cultiva a simplicidade dos grandes Homens, açoriano dos quatro costados e exemplo para a nossa juventude. Parabéns Pedro Pauleta! 

quarta-feira, janeiro 21, 2009



GESTÃO DE RECURSOS

RH? 
RH a PQP!

Eu sou gente,
e tenho nome, porra!

Você é que é
um RanHoso!

Usa óculos,
Dolce & Gabbana,
bem graduados,
e, no entanto,
não me vê!

Aníbal Raposo
Lisboa, 2009-01-21

Notas:
RH - Recurso Humano
PQP - Pata Que o Pôs

sábado, janeiro 17, 2009



DA NAVEGAÇÃO

Pela manhã
o meu corpo veleiro
mareou as suaves ondas
do teu, oceano de espanto.

Apostámos, os dois: barco e mar,
em simbiose perfeita,
na louca navegação do desejo.

E chegámos
cansados da viagem,
com os olhos brilhantes
em tons esmeralda,
a porto seguro. 

Aníbal Raposo
2009-01-17

quarta-feira, janeiro 14, 2009



PONTA DA MADRUGADA

Soou a sineta,
veio a salva e
o rancho parou
a lúgubre toada
das Ave Marias.

O irmão-mestre pediu
para nos sentarmos um pouco
a fim de refazermos forças
para a próxima etapa
da longa caminhada diária.
 
Os romeiros mais velhos
olharam para o mar
adivinhando o que se ia seguir...

Pouco depois, 
habituados à escuridão dos trilhos
calcorreados desde as quatro da manhã,
cerrávamos os olhos:

Era o sol a irromper,
majestoso como nunca,
no horizonte alaranjado
da Ponta da Madrugada.
 
Depois prosseguimos 
com as almas lavadas
pela beleza do momento
e pela força da nossa oração.

Ave Maria...

Aníbal Raposo
2009-01-14

segunda-feira, janeiro 12, 2009


Fotografia: Sónia Nicolau

FIM-DE-SEMANA

Deixei lá em cima
a dita civilização
e a neblina húmida
beijando os pés
das almas frias, gémeas
dum fim-de-semana
invernoso.

Na minha fajã
o sol insiste em acariciar-me a cara
e aproveita para me fazer ciúmes
beijando cada árvore que plantei.
Ao meio-dia os sargos,
de frescos, saltam na grelha.
Reaparecem os cheiros da infância
na coluna de fumo
que se ergue da fogueira
de canas, verticalmente,
na atmosfera calma. 

A primavera apressada
quer já fazer-se anunciar
nos abrolhos verdes
dos ramos das figueiras.
E há sempre, no cimo da falésia
o pio dos milhafres, aves irmãs
orgulhosas e libertas.

Esta é a oração mais piedosa
que me ocorre nesta hora:
bendigo o Criador do universo
por estar vivo,
aqui e agora.

Aníbal Raposo
2009-01-11

sexta-feira, janeiro 09, 2009



O PALCO DE NOVO

No próximo dia 27 de Janeiro vou pisar de novo o palco do Teatro Micaelense para cantar as minhas cantigas na segunda parte do espectáculo de homenagem a um conterrâneo que muito admiro: o Pedro Pauleta.

Grande jogador de futebol, açoriano de gema, gente simples, humilde e bem formada, com um coração do tamanho do mar que sempre vislumbrou. O maior marcador de todos os tempos da selecção do meu país.

O açor vai voar de novo! Parabéns Pauleta!

E, já agora, apareçam.

quarta-feira, janeiro 07, 2009



A DIMENSÃO DO FUTURO

Repara na pequena
semente da araucária
levada ao sabor do vento.  

A sua humildade
esconde a dimensão do futuro.

Ponta Delgada, 2009-01-09
Aníbal Raposo

segunda-feira, janeiro 05, 2009



O VELHO E A DANÇA


Havia um velhinho

Límpido cavalheiro

Muito bem formado

Mas muito lampeiro.

 

Num baile bispou

Donzela sem dolo

Deu-lhe por completo

A volta ao miolo.

 

Sentiu o idoso,

Como é bom de ver,

De novo a paixão

A querer renascer.

 

Com muito denodo

(Caso singular)

Dirigiu-se à moça

Resolveu dançar.

 

Convidou a dama

Para o salsifré.

Passos à deriva

De trôpego o pé.

 

Dançou, tanto, tanto

E com tanta gala

Que se estatelou

No meio da sala.

 

Muitos assistiram

À cena patética

Que coisa ridícula

Escaganifobética.

 

Não é uma fábula

O caso é autêntico

Aconteceu mesmo

Ao velhinho excêntrico.

 

Supremo ditado,

Verdades eternas:

Tu nunca dês passos

Se não tiveres pernas.

 

Aníbal Raposo

2009-01-05

------------------------------------------

Esta foi a minha participação no 10.º jogo das 12 palavras do blog Eremitério. Obrigado ao Eremita pela diversão.

Palavras-desafio:

Autêntico; deriva; escaganifobética; fábula; límpido; novo; paixão; querer; renascer; salsifré; singular; supremo.

quarta-feira, dezembro 31, 2008


SETE


São sete as colinas

De Roma, a cidade.

Sete são as notas

Do som da amizade.

 

As cores são sete

Que o prisma refracta.

São sete os pecados

E um pastel de nata.

 

São arcanjos sete

De Deus impoluto.

E sete é também

O número absoluto.

 

As constelações

São o sete-estrelo.

O templo sagrado

Sete anos a tê-lo.


Sete são os Chacras 

Entéricos, um mito?

Seth, irmão de Osíris

Foi Deus do Egipto.


Sete são os selos

Do livro, proféticos.

Sete sacramentos.

Princípios Herméticos.


Sete belas artes

Na mesma procura.

Sete palmos tem

Cada sepultura.


Os deuses no Olimpo

Sete formas são.

Os planos são sete

Da evolução.


Sete as maravilhas:

O mundo se ufana.

Sete são os dias

De cada semana.


São sete as virtudes

São sete verdades?

Há muitos caminhos 

P'rás Sete Cidades.


Ponta Delgada, 2008-12-31
Aníbal Raposo

domingo, dezembro 28, 2008



O TÚNEL DE LUZ

(dedicado ao meu amigo Fernando Loura)

o quarto
a penumbra
a alva colcha
a cama.

o rosto magro
de cera
agonizando
sem medo.

a angústia
estampada
na cara
dos que esperam.

o respirar
pausado
forçado
sibilante

o silvo
forçado
descompassado
o respirar.

subitamente
a pausa...

o desfecho
agora?

de novo
o silvo
forçado
pausado
o respirar
telúrico
ofegante

outra vez
a espera...

a noite 
imensa
eterna
sem sono

a resignação
há muito
substituiu
o desespero.

a atenção
ao respirar
a pausa
de novo

agora?

segundos-horas...

por fim
o túnel
a luz
a paz.

a lágrima 
derradeira
salgada
lambida
na face
dos que
ficaram.

o início
continuação
da saudade.

Aníbal Raposo
2008-12-28


Alguns dos meus poemas vão ser editados, pela primeira vez, numa colectânea de novos poetas. O livro, que terá por título "Entre o sono e o sonho - Antologia de poetas contemporâneos", resulta dum concurso levado a efeito pelo Portal Lisboa e será publicado pela Chiado Editora.

Para mim, pouco habituado a estas coisas (sou mais ligado ao lançamento do disco), é uma alegria que quero compartilhar com os leitores do meu blog. Não faço ideia de quem serão os meus companheiros nesta aventura.

A apresentação da colectânea será feita, em princípio, no dia 31 de Janeiro, sábado, no bar Onda Jazz, em Lisboa.
 
Apareçam se tiverem tempo e se sentirem pachorrentos.

Vai ser sábado para mim.

terça-feira, dezembro 23, 2008



MEU AMOR

Eu sou o rio

O mar és tu

Eu morro
Para morar em ti

Lisboa, 2008-12-22
Aníbal Raposo