sexta-feira, agosto 31, 2012
quinta-feira, agosto 23, 2012
quarta-feira, agosto 08, 2012
terça-feira, agosto 07, 2012
sexta-feira, agosto 03, 2012
quinta-feira, agosto 02, 2012
DESCENDO AO FUNDO DE MIM
É no meio do jardim
E do abismo que contém
Que vou ao fundo de mim
Ao ventre da terra mãe
No meio da noite escura
Só confio no meu guia
Ando da luz à procura
Da virtude e da harmonia
Desço nove patamares
Segundo a verve de Dante
Piso a estrela de oito pontas
A cruz do templo a levante
A liturgia em crescendo
O sagrado a acontecer
Ao fundo de mim descendo
Morro já p'ra renascer
Aníbal Raposo
junho de 2012
quarta-feira, agosto 01, 2012
quarta-feira, julho 25, 2012
LEVEI TRÊS SECOS DE MIM
Hoje fui com a minha amada
Ao estádio em excursão
Ver em disputa animada
Dois clubes do coração
Já levo o cachecol vermelho
Azul o que ela trazia
Éramos assim um espelho
Duma sã democracia
Sendo eu p'lo Santa Clara
E também Portista, no fim
A derrota não foi cara:
Levei três secos de mim.
Aníbal Raposo
Estádio de S. Miguel, 2012-07-25
Troféu Pauleta
terça-feira, julho 24, 2012
segunda-feira, julho 23, 2012
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GRITOS
Às vezes
Dou-me a beber
O amargo fel
Das palavras cruéis
Que são dias escritos.
Masoquista, eu?
Sabe-me bem...
Faz-me lembrar
E não perder de vista
Que esta vida
Não contém
Só alegrias,
Suaves melodias.
Contém
Também,
Profundos,
Rotundos,
Telúricos,
Impúdicos,
Roucos,
E loucos
Gritos!!!
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-23
quarta-feira, julho 11, 2012
terça-feira, julho 10, 2012
A SORTE ESTÁ LANÇADA
Atirados ao ar estão três dados
Levitam soltos sobre a mão estendida
E em caindo os três ficarão traçados
As sortes e os destinos que há na vida.
Já se a fortuna se te oferecer
Agarra-a bem pois é teu dever
Calhando teres sorte o saberes retê-la.
Tem em atenção que ouviste dizer:
A sorte não se atira p'la janela.
E não se pode à fama cantar odes
Saberás ao fim duns anos que bem podes
Ter sorte uma vez, não abusar dela.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-10
segunda-feira, julho 09, 2012
quinta-feira, julho 05, 2012
terça-feira, junho 26, 2012
domingo, junho 24, 2012
sábado, junho 23, 2012
domingo, junho 10, 2012
quinta-feira, junho 07, 2012
A DAR NOTÍCIAS DE MIM
mendigo à vida
a indulgência
de me deixar comunicar,
por mais uns tempos,
na clara linguagem
dos búzios.
a sua música,
ao ecoar na imponente arriba,
espalha notícias de mim
a cada uma
das outras aves
residentes
na fajã.
os búzios soam
e soltam a magia
das frequências cristalinas,
dificilmente audíveis
em dissonâncias
urbanas.
nos ares
lavados da Rocha,
eu toco os búzios
ao fazê-lo
saúdo as coisas modestas
com os olhos plenos
das infinitas
quimeras
de azul.
Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-07
quinta-feira, maio 31, 2012
sexta-feira, maio 25, 2012
segunda-feira, maio 21, 2012
quarta-feira, maio 02, 2012
DE QUEM SOU
Sou rapaz e sou poeta
Escrevo como a sonhar
Ando às vezes na sarjeta
Outras no céu a voar.
Aos versos todo me dou
Sem saber o que me impele
Mas gosto de ser quem sou
Visto bem a minha pele.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-02
terça-feira, abril 24, 2012
domingo, abril 22, 2012
TERRA
Em ti semeio, a cada estação,
os meus desejos, na esperança
de ser correspondido.
Na maior parte das vezes,
insistes em surpreender-me
e fazes-me gozar o espanto
duma nova e ardente relação.
É gentil da tua parte, porque ambos
a sabemos bem madura.
Gosto de pôr as mãos em ti
e de te afagar o corpo todo
porque sempre sou correspondido.
Basta-me fechar os olhos e consigo
adivinhar o teu perfume intenso
quando o céu se rasga
em cada chuvada de agosto.
Um dia destes, sempre enamorado,
deitar-me-ei a sós contigo.
Daremos um forte abraço
e fundir-nos-emos os dois
até ao final dos séculos.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-04-22
(dia da terra)
domingo, abril 08, 2012
domingo, abril 01, 2012
quarta-feira, março 21, 2012
Por vezes vêm assim,
desgovernadas.
Caem às catadupas
e com o estrondo
de derrocadas sísmicas.
Trazem dentro de si
a fúria das cheias que saltam
dos leitos das nossas convenções
e riem-se, como loucas,
da sua indigente polidez.
São ventos ciclónicos,
erupções vulcânicas,
ondas alterosas.
Porém, doutras,
são doces e meigas.
Surgem de mansinho
belas, sedutoras
mulheres de vermelho.
Conquistam-nos a alma
e tomam-nos o corpo.
Afagam-nos as vaidades
como se acariciassem
tapetes de musgo verde
por entre criptomérias.
São imprevisíveis
as palavras...
E por assim o serem,
deverá o poeta
manter-se vigilante
para as receber a qualquer hora.
Abri-lhes-á as portas
Da enorme sala das emoções.
Inventará depois a melodia
e em compasso ternário
dançará com elas, enamorado,
a etérea valsa da poesia.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-21
segunda-feira, março 19, 2012
DIA DO PAI
Também vos fiz,
Com muito amor,
Feliz, em fogo ardente.
Vi-vos medrar
E amei-vos sempre.
Bem sei que às vezes
Distanciado,
Mas não consciente.
Depois cresceram...
E tal como acontece
Na natureza
A cada passarinho,
Tiveram de voar,
Buscando
Outros lugares
E horizontes,
Sair do ninho.
E ao partirem
Soltou-se um vento
Inesperado
Vindo do norte.
E foi tão forte
Que o nosso barco
Quase adornou
No mar revolto.
A vida é assim...
Às vezes, filhas,
Só conhecendo
O inesperado sabor
De cada lágrima
Nos encontramos,
Achamos porto.
Hoje tranquilo
Numa das pontas
Deste triângulo
Do mar oceano:
Bissau, Lisboa, Açores.
Estando mais longe,
Quase vos toco
E vos abraço
Meus dois amores.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-19
domingo, março 18, 2012
segunda-feira, março 12, 2012
(Pintura de Graziela Teixeira da Mota)
ELÉTRICO DO PORTO
Paravas-me mesmo à porta
Naqueles longos dias
Em que o tempo inclemente
De tão jovem que era
Tinha tanto tempo.
Por vezes sem fim
Despertei ao som familiar
E estridente dos teus freios.
Na hora e no lugar
De concretizar
Sonhos sonhados.
Nave amarela
Plena de almas quentes
Rasgando a bruma fria
E invernal da Invicta.
Largada em Matosinhos
Pr'a fundear à Batalha.
Nesses tempos de penúria
Dependurado em ti
Desafiei sorrindo
Em equilíbrio instável
As leis da gravidade
E dos trincas a raiva.
Na lembrança do ozono
Dos teus breves relâmpagos
Ainda hoje o odor da juventude.
Aníbal Raposo
Évora, 2012-03-12
sábado, março 10, 2012
ENVELHECER
Ao caminharmos para o ocaso desta vida,
Na calma espera daquela outra que há de vir,
Estejamos gratos pela lição aprendida
Guardemos tempo, do que resta, p'ra sorrir.
A vida é curta irmão, são só breves instantes
Em que se encerram muitos anos, muitos meses.
Perto do fim devemos estar mais tolerantes,
Não vimos nós o mesmo filme várias vezes?
De quando em vez vem-nos a falsa sensação
Que a vida é um rio e na passagem tudo arrasta.
Viver é bom, mesmo sabendo de antemão
Que ela é tão curta e bastas vezes é madrasta.
Sábio será quem é feliz e amigos tem,
Já que eles são quem nos conforta na viagem,
Não alimentes malquerenças com ninguém
Pois todos nós estamos cá só de passagem.
Este problema que hoje tens e que te arrasa
Dentro de anos não será o que parece.
Sê paciente contigo mesmo e lá em casa
Dá tempo ao tempo, tudo é vão, tudo se esquece.
E apesar de estares cansado e ires p'ra velho
Se gostas mesmo, muito mesmo, de viver,
Aqui te deixo, amigo meu, este conselho:
Ama o que é útil, o que é bonito e dá prazer.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-10
domingo, fevereiro 26, 2012
ROMARIA
Na longa caminhada que se aproxima
Procurarás afinar a tua alma
Pelo grande diapasão
Do universo.
Tu sabes bem que ele existe
E que alguém o faz vibrar.
Ao terceiro dia de jornada
Quando voares nas asas do cansaço
Abre bem os teus ouvidos
Ao seu som único,
Inconfundível.
Ao pressentires que o teu coração pulsa
Na mesma frequência,
Esboça um sorriso.
Atingiste a paz.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-26
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
A MAHATMA GHANDI
Procura ser com o bambu
Que se ergue aprumado, forte,
E solidário no meio do canavial.
Guarda sempre
No sótão da tua memória
A imagem de cada vento ciclónico
Que por ti passou.
Lança fundo as tuas raízes
Para te manteres ereto
E verga à força bruta
Apenas o necessário,
O suficiente.
Verga.
Nunca quebres.
Aníbal Raposo
2012-02-25
terça-feira, fevereiro 21, 2012
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
(Ribeira do Porto - Óleo sobre tela - Teixeira da Mota)
RIBEIRA
Se calhar estás bem diferente
Mas quando te conheci
Namorei a tua gente
O encanto que havia em ti
Os meus jantares na Marina
(Como era novo e feliz)
A muralha Fernandina
A Ponte de D. Luíz
Eu, um milhafre das ilhas
Aprendi e tive sorte
No falar das tuas filhas
O bom sotaque do Norte
Oh Ribeira que vivi
(Há sítios que não se esquecem)
Quando me lembro de ti
Os meus olhos humedecem.
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-17
domingo, fevereiro 12, 2012
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
ORGULHO
Do orgulhoso às vezes sinto dó
Pois sei que apenas se anda a enganar.
Orgulho para quê se somos pó
E se no fim em pó vamos ficar?
Meu Deus p'ra quê orgulho? Tudo é vão.
Conheço a irmã do orgulho é a vaidade...
Se queres fazer da vida uma lição
Mais vale que cultives humildade.
Procura antes a sabedoria
Que ela sim, verga ao vento como o feno.
Orgulho, irmão, não te traz alegria.
Olha p'ró céu e vê como és pequeno...
Ponta Delgada, 2012-02-06
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
AMIZADE
Ah como é bom termos um fiel
amigo
Mesmo que ele não more junto
à nossa porta.
Ir à bola juntos, que é
vício antigo,
Zangarmo-nos, também, porque
amigo importa.
Ampararmo-nos ambos se
cheiramos perigo.
Dar-lhe o nosso tempo,
partilhar as águas,
E um ombro enorme para
chorar as mágoas.
Aníbal
Raposo
Ponta
Delgada, 2012-02-01
sábado, dezembro 31, 2011
sábado, dezembro 24, 2011
domingo, dezembro 18, 2011
RTP - TELEJORNAL - AÇORES
Se clicar no link acima pode ver, ao minuto 31 do vídeo, um apontamento da minha atuação com o Grupo Connection no programa televisivo Natal dos Hospitais, realizado no dia 15 de Dezembro nos Açores. O tema chama-se "Seres o meu amor" e tem letra minha e música minha e dos Connection.
Se clicar no link acima pode ver, ao minuto 31 do vídeo, um apontamento da minha atuação com o Grupo Connection no programa televisivo Natal dos Hospitais, realizado no dia 15 de Dezembro nos Açores. O tema chama-se "Seres o meu amor" e tem letra minha e música minha e dos Connection.
sexta-feira, dezembro 16, 2011
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