que falam de búzios
e dez mil poetas
que nunca os cativaram
ao sibilar dos ventos.
que falam de pássaros.
e dez mil poetas
que jamais espreitaram
dois ovos num ninho.
os seus cantos pela alba
ou assobiar as sua árias de ocaso?
que nos falam duma suposta vida
das pedras.
já adormeceram,
a recordar fantasmas,
com um riso aflorando
no canto dos lábios,
enquanto as pedras cantam,
de verdade?
que as pedras redondas
são sempre as mais sábias?
tristes prisioneiros
de poemas-celas?
ou estão a fingir
dizendo que os ouvem?
já ousaram poluir
de silêncio a alma?
Ponta Delgada, 2011-12-10





















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