quarta-feira, agosto 08, 2012



















O FASCÍNIO DA MÚSICA

Se uma flauta tocar
E bem num bairro sombrio
Até consegue encantar
Um simples gato vadio

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-08

terça-feira, agosto 07, 2012





















DA CHUVA

Chove mesmo a bom chover
Abriu comportas o céu
E chovem beijos de arder
Debaixo deste chapéu.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-07


sexta-feira, agosto 03, 2012



















O PIANO

A nota
A muda

Paixão
Aguda

O dom
Se estuda

E o amor
Desnuda.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-03

quinta-feira, agosto 02, 2012













DESCENDO AO FUNDO DE MIM

É no meio do jardim
E do abismo que contém
Que vou ao fundo de mim
Ao ventre da terra mãe

No meio da noite escura
Só confio no meu guia
Ando da luz à procura
Da virtude e da harmonia

Desço nove patamares
Segundo a verve de Dante
Piso a estrela de oito pontas
A cruz do templo a levante

A liturgia em crescendo
O sagrado a acontecer
Ao fundo de mim descendo
Morro já p'ra renascer


Aníbal Raposo
junho de 2012

quarta-feira, agosto 01, 2012
















LUA CHEIA

Ah disco de prata
Mãe do amor, singela.

Libertem-me os pés

Que me vou a ela...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-01

quarta-feira, julho 25, 2012










LEVEI TRÊS SECOS DE MIM

Hoje fui com a minha amada
Ao estádio em excursão
Ver em disputa animada
Dois clubes do coração

Já levo o cachecol vermelho
Azul o que ela trazia
Éramos assim um espelho
Duma sã democracia

Sendo eu p'lo Santa Clara
E também Portista, no fim
A derrota não foi cara:
Levei três secos de mim.


Aníbal Raposo
Estádio de S. Miguel, 2012-07-25
Troféu Pauleta

terça-feira, julho 24, 2012


















INSTABILIDADE

Por vezes, me quedo
a pensar, também:


a Terra balança
nesta negra dança
de festança e medo.


Apenas um dedo
mago de criança
ainda a sustém.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada 2012-07-24


(foto de Miguel Bidarra)

segunda-feira, julho 23, 2012





GRITOS

Às vezes
Dou-me a beber
O amargo fel
Das palavras cruéis
Que são dias escritos.

Masoquista, eu?
Sabe-me bem...

Faz-me lembrar
E não perder de vista
Que esta vida
Não contém
Só alegrias,
Suaves melodias.

Contém
Também,
Profundos,
Rotundos,
Telúricos,
Impúdicos,
Roucos,
E loucos


Gritos!!!


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-23

quarta-feira, julho 11, 2012
















SOBREVIVENTES

Por isso existimos
E resistimos.

Apesar do medo,
Não obstante a dor,


Brilha um sol ledo
De amor.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-11

terça-feira, julho 10, 2012



















A SORTE ESTÁ LANÇADA


Atirados ao ar estão três dados
Levitam soltos sobre a mão estendida
E em caindo os três ficarão traçados
As sortes e os destinos que há na vida.

Já se a fortuna se te oferecer                                    
Agarra-a bem pois é teu dever  
Calhando teres sorte o saberes retê-la.  
Tem em atenção que ouviste dizer:
A sorte não se atira p'la janela.



E não se pode à fama cantar odes 
Saberás ao fim duns anos que bem podes
Ter sorte uma vez, não abusar dela.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-10

segunda-feira, julho 09, 2012



















O CAMINHAR DOS NÚMEROS

Assim nos querem.

Esculturas perfeitas
Pintadas a cinza
Marchando alinhadas,
E à mão de semear.

Seres sem horizontes,
Privados da música,
Do sal das palavras.

Sem nome
E sem asas.


Pior!
Sem vontade
De voar.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-09

quinta-feira, julho 05, 2012














O PLANO INCLINADO

Olhei
E de repente
Ruiu a gravidade
Da minha inquietação.

O seio da montanha?

Vi Galileu entre os sábios
Sorridente.

Fazia rolar uma enorme lua cheia
Pelo plano inclinado do vulcão adormecido.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-05 


















BREVE LEITURA

não é preciso cismar
basta ser gente, vivalma:
uma madeixa, um olhar
chegam para te ler a alma

Aníbal Raposo 
2012-07-05

terça-feira, junho 26, 2012















ÀS VEZES CHOVEM PESSOAS

Ar olharmos p'rós tablóides
Vemos coisas más e boas:
Entre inundações de andróides
Às vezes chovem Pessoas

Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-26

domingo, junho 24, 2012























(Fernando Pessoa a tomar um tinto)

DO BEM VERSEJAR

Põe-se a musa de feição
Vai-se um copito tomar
E ao regar-se a inspiração
Sai logo um verso a voar.

Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-24

sábado, junho 23, 2012
















RESPONSABILIDADE SOCIAL

Não te deslumbres comigo.
Cometes um erro crasso
Se ligares muito ao que digo
Sem atentares ao que faço.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-06-23

domingo, junho 10, 2012




















A VOZ DO VENTO

Escuta a melodia da voz do vento irmão
E canta o que é escrito nos muros da cidade.

Aníbal Raposo 
Ponta Delgada 2012-06-10
(passeio às 8h00 desta manhã)

MULHER E MÚSICA

O sonho liberto
Perfeita união
Ao compasso certo
Do meu coração.

Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-10

quinta-feira, junho 07, 2012















A DAR NOTÍCIAS DE MIM

mendigo à vida
a indulgência
de me deixar comunicar,
por mais uns tempos,
na clara linguagem
dos búzios.

a sua música,
ao ecoar na imponente arriba,
espalha notícias de mim
a cada uma
das outras aves
residentes
na fajã.

os búzios soam
e soltam a magia
das frequências cristalinas,
dificilmente audíveis
em dissonâncias
urbanas.

nos ares
lavados da Rocha,
eu toco os búzios

ao fazê-lo
saúdo as coisas modestas
com os olhos plenos
das infinitas
quimeras
de azul.


Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-07

quinta-feira, maio 31, 2012



















(Dois veleiros a enquadrar a cadeia da cidade)

 A VELA E A GRILHETA

Em mares tão serenos
Na zona da Calheta
Tocam-se os dois extremos
A vela e a grilheta.

Ponta Delgada, 2012-05-31
Aníbal Raposo

sexta-feira, maio 25, 2012



















EM LOUVOR DO DIVINO

Cada vez que um irmão
me dá a beijar
a bandeira do Divino:

Chega aos meus ouvidos,
o canto de folias
seculares;

Acende-se uma fogueira
de luz intensa e viva
no meu peito;

Nasce uma ribeira
de águas mansas
nos meus olhos.


Ponta Delgada, 2012-05-25
Aníbal Raposo

segunda-feira, maio 21, 2012


ROMEU E JULIETA

Ora Julieta, quem sou eu
para entender o leve riso, bem disposto,
e este brilhar de lua cheia no teu rosto?
Por que te oferece flores o teu Romeu?

Ponta Delgada, 2012-05-21
Aníbal Raposo

quarta-feira, maio 02, 2012



















DE QUEM SOU

Sou rapaz e sou poeta
Escrevo como a sonhar
Ando às vezes na sarjeta
Outras no céu a voar.

Aos versos todo me dou 
Sem saber o que me impele
Mas gosto de ser quem sou
Visto bem a minha pele. 

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-02

terça-feira, abril 24, 2012













2 minutos para escrever
5 versos:

Agita-te de novo
Berço
Real e
Irresistível da santa
Liberdade!

Aníbal Raposo
Ponta Delgada 2012-04-24

domingo, abril 22, 2012
















TERRA

Em ti semeio, a cada estação,
os meus desejos, na esperança
de ser correspondido.

Na maior parte das vezes,
insistes em surpreender-me
e fazes-me gozar o espanto
duma nova e ardente relação.
É gentil da tua parte, porque ambos
a sabemos bem madura.

Gosto de pôr as mãos em ti
e de te afagar o corpo todo
porque sempre sou correspondido.

Basta-me fechar os olhos e consigo
adivinhar o teu perfume intenso
quando o céu se rasga
em cada chuvada de agosto.

Um dia destes, sempre enamorado,
deitar-me-ei a sós contigo.
Daremos um forte abraço
e fundir-nos-emos os dois
até ao final dos séculos.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-04-22
(dia da terra)

domingo, abril 08, 2012



















(Imagem de Valerie Leroy)


TATUAGEM

Pausa, nota, dó.
Lembrar, música, voar,
mesmo em mim. Tão só.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-08


















RESSURREIÇÃO

Não se encontra cá.
Voou. Aos céus se elevou.
Cristo reinará!

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-08

domingo, abril 01, 2012













FINAL DE ROMARIA

Regressei bem
de mais uma longa caminhada.

Encontrei-me a sós comigo,
e com a paz almejada.

Trago os meus pés fatigados
mas a alma bem lavada.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-04-01

quarta-feira, março 21, 2012


POESIA

Por vezes vêm assim,
desgovernadas.
Caem às catadupas
e com o estrondo
de derrocadas sísmicas.
Trazem dentro de si
a fúria das cheias que saltam
dos leitos das nossas convenções
e riem-se, como loucas,
da sua indigente polidez.
São ventos ciclónicos,
erupções vulcânicas,
ondas alterosas.

Porém, doutras,
são doces e meigas.
Surgem de mansinho
belas, sedutoras
mulheres de vermelho.
Conquistam-nos a alma
e tomam-nos o corpo.
Afagam-nos as vaidades
como se acariciassem
tapetes de musgo verde
por entre criptomérias.

São imprevisíveis
as palavras...

E por assim o serem,
deverá o poeta
manter-se vigilante
para as receber a qualquer hora.
Abri-lhes-á as portas
Da enorme sala das emoções.

Inventará depois a melodia
e em compasso ternário
dançará com elas, enamorado,
a etérea valsa da poesia.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-21 

segunda-feira, março 19, 2012


















DIA DO PAI

Também vos fiz,
Com muito amor,
Feliz, em fogo ardente.

Vi-vos medrar
E amei-vos sempre.
Bem sei que às vezes
Distanciado,
Mas não consciente.

Depois cresceram...
E tal como acontece
Na natureza
A cada passarinho,
Tiveram de voar,
Buscando
Outros lugares
E horizontes,
Sair do ninho.

E ao partirem
Soltou-se um vento
Inesperado
Vindo do norte.
E foi tão forte
Que o nosso barco
Quase adornou
No mar revolto.

A vida é assim...

Às vezes, filhas,
Só conhecendo
O inesperado sabor
De cada lágrima
Nos encontramos,
Achamos porto.

Hoje tranquilo
Numa das pontas
Deste triângulo
Do mar oceano:
Bissau, Lisboa, Açores.

Estando mais longe,
Quase vos toco
E vos abraço
Meus dois amores.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-19   

domingo, março 18, 2012














RAÍZES

Da vida, entre certezas e desnortes,
Aprendi, não sem sofrer, uma lição:
Por vezes as raízes são tão fortes
Que nos prendem bem mais que o coração.

Aníbal Raposo
Praia da Vitória, ilha Terceira, 2012-03-18

segunda-feira, março 12, 2012



















(Pintura de Graziela Teixeira da Mota)


ELÉTRICO DO PORTO

Paravas-me mesmo à porta
Naqueles longos dias
Em que o tempo inclemente
De tão jovem que era
Tinha tanto tempo.

Por vezes sem fim
Despertei ao som familiar
E estridente dos teus freios.
Na hora e no lugar
De concretizar
Sonhos sonhados.

Nave amarela
Plena de almas quentes
Rasgando a bruma fria
E invernal da Invicta.
Largada em Matosinhos
Pr'a fundear à Batalha.

Nesses tempos de penúria
Dependurado em ti
Desafiei sorrindo
Em equilíbrio instável
As leis da gravidade
E dos trincas a raiva.

Na lembrança do ozono
Dos teus breves relâmpagos
Ainda hoje o odor da juventude.

Aníbal Raposo
Évora, 2012-03-12

sábado, março 10, 2012











ENVELHECER

Ao caminharmos para o ocaso desta vida,
Na calma espera daquela outra que há de vir,
Estejamos gratos pela lição aprendida
Guardemos tempo, do que resta, p'ra sorrir.

A vida é curta irmão, são só breves instantes
Em que se encerram muitos anos, muitos meses.
Perto do fim devemos estar mais tolerantes,
Não vimos nós o mesmo filme várias vezes?

De quando em vez vem-nos a falsa sensação                  
Que a vida é um rio e na passagem tudo arrasta.
Viver é bom, mesmo sabendo de antemão
Que ela é tão curta e bastas vezes é madrasta.

Sábio será quem é feliz e amigos tem,
Já que eles são quem nos conforta na viagem,
Não alimentes malquerenças com ninguém
Pois todos nós estamos cá só de passagem.

Este problema que hoje tens e que te arrasa
Dentro de anos não será o que parece.
Sê paciente contigo mesmo e lá em casa
Dá tempo ao tempo, tudo é vão, tudo se esquece.

E apesar de estares cansado e ires p'ra velho
Se gostas mesmo, muito mesmo, de viver,
Aqui te deixo, amigo meu, este conselho:
Ama o que é útil, o que é bonito e dá prazer.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-10

domingo, fevereiro 26, 2012














ROMARIA

Na longa caminhada que se aproxima
Procurarás afinar a tua alma
Pelo grande diapasão
Do universo.

Tu sabes bem que ele existe
E que alguém o faz vibrar.

Ao terceiro dia de jornada
Quando voares nas asas do cansaço
Abre bem os teus ouvidos
Ao seu som único,
Inconfundível.

Ao pressentires que o teu coração pulsa
Na mesma frequência,
Esboça um sorriso.

Atingiste a paz.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-26

sexta-feira, fevereiro 24, 2012



A MAHATMA GHANDI

Procura ser com o bambu
Que se ergue aprumado, forte,
E solidário no meio do canavial.

Guarda sempre
No sótão da tua memória
A imagem de cada vento ciclónico
Que por ti passou.

Lança fundo as tuas raízes
Para te manteres ereto
E verga à força bruta
Apenas o necessário,
O suficiente.

Verga.
Nunca quebres.

Aníbal Raposo
2012-02-25

terça-feira, fevereiro 21, 2012














ENTRUDO

Cá no país o patrão,
A brincar de pau mandado,
Romper quis com a tradição
Não reconhece o feriado.
Anunciou feito fera:
Vai ser trabalho forçado!
A tradição é o que era
Lá ficou enxovalhado...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-21

sexta-feira, fevereiro 17, 2012
















(Ribeira do Porto - Óleo sobre tela - Teixeira da Mota)

RIBEIRA

Se calhar estás bem diferente
Mas quando te conheci
Namorei a tua gente
O encanto que havia em ti

Os meus jantares na Marina
(Como era novo e feliz)
A muralha Fernandina
A Ponte de D. Luíz

Eu, um milhafre das ilhas
Aprendi e tive sorte
No falar das tuas filhas
O bom sotaque do Norte

Oh Ribeira que vivi  
(Há sítios que não se esquecem)
Quando me lembro de ti
Os meus olhos humedecem.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-17

terça-feira, fevereiro 14, 2012










SÃO VALENTIM

Tu o céu
Eu o mar
O horizonte
O nosso amor

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-14

domingo, fevereiro 12, 2012









ACREDITAR

Às vezes sei
Quanto é difícil
Sonhar
E construir
Ledos futuros.

Porém
Algum de vós
Esperaria
Que ao rocio do mar
Sobre o basalto
Brotasse vida?

Aníbal Raposo
2012-02-12
(Foto tirada esta tarde em Ponta Delgada)

segunda-feira, fevereiro 06, 2012














ORGULHO

Do orgulhoso às vezes sinto dó
Pois sei que apenas se anda a enganar.
Orgulho para quê se somos pó
E se no fim em pó vamos ficar?

Meu Deus p'ra quê orgulho? Tudo é vão.
Conheço a irmã do orgulho é a vaidade...
Se queres fazer da vida uma lição
Mais vale que cultives humildade.

Procura antes a sabedoria  
Que ela sim, verga ao vento como o feno.
Orgulho, irmão, não te traz alegria.
Olha p'ró céu e vê como és pequeno... 


Ponta Delgada, 2012-02-06

quarta-feira, fevereiro 01, 2012















INSTANTE

Foi-se depressa

O meu amigo.

E mais não digo.


Relva, 2012-02-01
AMIZADE

Ah como é bom termos um fiel amigo
Mesmo que ele não more junto à nossa porta.
Ir à bola juntos, que é vício antigo,
Zangarmo-nos, também, porque amigo importa.
Ampararmo-nos ambos se cheiramos perigo.
Dar-lhe o nosso tempo, partilhar as águas,
E um ombro enorme para chorar as mágoas.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-01

sábado, dezembro 31, 2011



ANO NOVO

Mais uma vaga
À frente
Da proa
Do barco
Da vida

Será recordada
Pela mão ao leme
Fazendo
A diferença

Ou então será

Só mais uma vaga
Que a proa
Do barco
Da vida
Sulcou.

Ponta Delgada, 2011-12-31

sábado, dezembro 24, 2011




NATUM EST

Hoje vão nascer
Em todo o mundo
Milhares de meninos
Pobres, sem futuro.

Há muitos anos,
Em Belém, na Judeia,
Nasceu um menino
De igual condição.

Se seguíssemos
O que ele nos ensinou
Aqueles que hoje vão nascer
Teriam um outro amanhã.

Ponta Delgada, 2011-12-23

domingo, dezembro 18, 2011

RTP - TELEJORNAL - AÇORES

Se clicar no link acima pode ver, ao minuto 31 do vídeo, um apontamento da minha atuação com o Grupo Connection no programa televisivo Natal dos Hospitais, realizado no dia 15 de Dezembro nos Açores. O tema chama-se "Seres o meu amor" e tem letra minha e música minha e dos Connection.

sexta-feira, dezembro 16, 2011











PIROMANIA

Hoje percorremos a ilha
Acendendo sorrisos
Em rostos cinzentos, marginais.

É urgente atear fogos
Nas florestas da indiferença.

Ponta Delgada, 2011-12-16

segunda-feira, dezembro 12, 2011

ESPERA

O sol morreu...

Aguardo que o teu riso
Bata à nossa porta.

Quando chegares
Saciarei a sede da saudade
Bebendo sumo fresco
Da tua boca.

Ponta Delgada, 2011-12-12

sábado, dezembro 10, 2011
















MIL POEMAS

Conheço mil poemas
Que falam de búzios.
E dez mil poetas 
Que nunca os cativaram
No sibilar dos ventos.

Conheço outros mil
Que falam de pássaros.
E dez mil poetas
Que jamais espreitaram
Dois ovos num ninho.
Sabem imitar
Os seus cantos d'alba?
E assobiar as árias de ocaso?

E sei de mil mais
Que também nos falam
Da vida das pedras.
Dão-lhe mil sentidos...
Mas quantos poetas
Já adormeceram
Em plena harmonia,
Um riso aflorando
No canto dos lábios,
Lembrando fantasmas
Quando as pedras cantam?

Sabem que as redondas
São sempre as mais sábias?

E dos mil sussuros, 
Tristes prisioneiros
Em poemas-celas?
Falarão verdade
Ou estão a fingir 
Ao dizer que os ouvem? 

Quantos poluiram
De silêncio a alma?


Ponta Delgada, 2011-12-10

segunda-feira, dezembro 05, 2011


















EM DIA DE ANIVERSÁRIO

Nesta corrida louca
Sinto uma brisa suave
Que me acaricia o rosto.
E alegro-me no vislumbrar da meta.

Estou de passagem...

Já me sinto a nascer de novo
Noutros lugares.

Morro de curiosidade
Sobre o meu próximo desafio.

Ponta Delgada, 2011-12-05

domingo, novembro 27, 2011


PERCO-ME EM TI

E houve barcos
A navegar
Pelo mar fora

Barcos sem rumo
Sem mãos no leme
Sem ter arrais

Sulcavam ondas
De salsa espuma
Não tinham hora

Foi navegar
Por navegar
Sem querer cais

Velas erguidas
Eretos panos
Cheios de vento

Parou o tempo
Nascem desmaios
E sons de mar

É sempre bom
Zarpar contigo
Meu doce alento

Sem faro à vista
Perco-me em ti
P'ra me encontrar

Ponta Delgada 2011-11-26