sexta-feira, agosto 31, 2012

















TRAPÉZIO

Ninguém me vai aguentar
É o amor que me afogueia
Hoje é dia de voar
Mesmo em frente à lua cheia

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-31

















BOLA DE CRISTAL

Do país vejo o devir,
Com uma diferença. Acho
Que em vez de irmos a subir
Vamos pela encosta abaixo.

Ponta Delgada, 2012-08-31
Aníbal Raposo

quinta-feira, agosto 23, 2012
















EQUILÍBRIO INSTÁVEL

Vou à tona da torrente
A vida dança e eu danço
Entre o coração e a mente
Na corda bamba balanço

Aníbal Raposo
Relva, 2012-08-23

quarta-feira, agosto 08, 2012



















O FASCÍNIO DA MÚSICA

Se uma flauta tocar
E bem num bairro sombrio
Até consegue encantar
Um simples gato vadio

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-08

terça-feira, agosto 07, 2012





















DA CHUVA

Chove mesmo a bom chover
Abriu comportas o céu
E chovem beijos de arder
Debaixo deste chapéu.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-07


sexta-feira, agosto 03, 2012



















O PIANO

A nota
A muda

Paixão
Aguda

O dom
Se estuda

E o amor
Desnuda.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-03

quinta-feira, agosto 02, 2012















DESCENDO AO FUNDO DE MIM

É no meio do jardim
E do abismo que contém
Que vou ao fundo de mim
Ao ventre da terra mãe

No meio da noite escura
Só confio no meu guia
Ando da luz à procura
Da virtude e da harmonia

Desço nove patamares
Segundo a verve de Dante
Piso a estrela de oito pontas
A cruz do templo a levante

A liturgia em crescendo
O sagrado a acontecer
Ao fundo de mim descendo
Morro já p'ra renascer


Aníbal Raposo
junho de 2012

quarta-feira, agosto 01, 2012
















LUA CHEIA

Ah disco de prata
Mãe do amor, singela.

Libertem-me os pés

Que me vou a ela...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-01

quarta-feira, julho 25, 2012










LEVEI TRÊS SECOS DE MIM

Hoje fui com a minha amada
Ao estádio em excursão
Ver em disputa animada
Dois clubes do coração

Já levo o cachecol vermelho
Azul o que ela trazia
Éramos assim um espelho
Duma sã democracia

Sendo eu p'lo Santa Clara
E também Portista, no fim
A derrota não foi cara:
Levei três secos de mim.


Aníbal Raposo
Estádio de S. Miguel, 2012-07-25
Troféu Pauleta

terça-feira, julho 24, 2012


















INSTABILIDADE

Por vezes, me quedo
a pensar, também:


a Terra balança
nesta negra dança
de festança e medo.


Apenas um dedo
mago de criança
ainda a sustém.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada 2012-07-24


(foto de Miguel Bidarra)

segunda-feira, julho 23, 2012





GRITOS

Às vezes
Dou-me a beber
O amargo fel
Das palavras cruéis
Que são dias escritos.

Masoquista, eu?
Sabe-me bem...

Faz-me lembrar
E não perder de vista
Que esta vida
Não contém
Só alegrias,
Suaves melodias.

Contém
Também,
Profundos,
Rotundos,
Telúricos,
Impúdicos,
Roucos,
E loucos


Gritos!!!


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-23

quarta-feira, julho 11, 2012
















SOBREVIVENTES

Por isso existimos
E resistimos.

Apesar do medo,
Não obstante a dor,


Brilha um sol ledo
De amor.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-11

terça-feira, julho 10, 2012





















A SORTE ESTÁ LANÇADA

Atirados ao ar estão três dados
Levitam soltos sobre a mão estendida
E em caindo os três ficarão traçados
As sortes e os destinos que há na vida.

Já se a fortuna se te oferecer                                    
Agarra-a bem pois é teu dever  
Calhando teres sorte o saberes retê-la.  
Tem em atenção que ouviste dizer:
A sorte não se atira p'la janela.


E não se pode à fama cantar odes 
Saberás ao fim duns anos que bem podes
Ter sorte uma vez, não abusar dela.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-10

segunda-feira, julho 09, 2012



















O CAMINHAR DOS NÚMEROS

Assim nos querem.

Esculturas perfeitas
Pintadas a cinza
Marchando alinhadas,
E à mão de semear.

Seres sem horizontes,
Privados da música,
Do sal das palavras.

Sem nome
E sem asas.


Pior!
Sem vontade
De voar.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-09

quinta-feira, julho 05, 2012














O PLANO INCLINADO

Olhei
E de repente
Ruiu a gravidade
Da minha inquietação.

O seio da montanha?

Vi Galileu entre os sábios
Sorridente.

Fazia rolar uma enorme lua cheia
Pelo plano inclinado do vulcão adormecido.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-07-05 


















BREVE LEITURA

não é preciso cismar
basta ser gente, vivalma:
uma madeixa, um olhar
chegam para te ler a alma

Aníbal Raposo 
2012-07-05

terça-feira, junho 26, 2012















ÀS VEZES CHOVEM PESSOAS

Ar olharmos p'rós tablóides
Vemos coisas más e boas:
Entre inundações de andróides
Às vezes chovem Pessoas

Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-26

domingo, junho 24, 2012























(Fernando Pessoa a tomar um tinto)

DO BEM VERSEJAR

Põe-se a musa de feição
Vai-se um copito tomar
E ao regar-se a inspiração
Sai logo um verso a voar.

Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-24

sábado, junho 23, 2012
















RESPONSABILIDADE SOCIAL

Não te deslumbres comigo.
Cometes um erro crasso
Se ligares muito ao que digo
Sem atentares ao que faço.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-06-23

domingo, junho 10, 2012




















A VOZ DO VENTO

Escuta a melodia da voz do vento irmão
E canta o que é escrito nos muros da cidade.

Aníbal Raposo 
Ponta Delgada 2012-06-10
(passeio às 8h00 desta manhã)

MULHER E MÚSICA

O sonho liberto
Perfeita união
Ao compasso certo
Do meu coração.

Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-10

quinta-feira, junho 07, 2012















A DAR NOTÍCIAS DE MIM

mendigo à vida
a indulgência
de me deixar comunicar,
por mais uns tempos,
na clara linguagem
dos búzios.

a sua música,
ao ecoar na imponente arriba,
espalha notícias de mim
a cada uma
das outras aves
residentes
na fajã.

os búzios soam
e soltam a magia
das frequências cristalinas,
dificilmente audíveis
em dissonâncias
urbanas.

nos ares
lavados da Rocha,
eu toco os búzios

ao fazê-lo
saúdo as coisas modestas
com os olhos plenos
das infinitas
quimeras
de azul.


Aníbal Raposo
Relva, 2012-06-07

quinta-feira, maio 31, 2012



















(Dois veleiros a enquadrar a cadeia da cidade)

 A VELA E A GRILHETA

Em mares tão serenos
Na zona da Calheta
Tocam-se os dois extremos
A vela e a grilheta.

Ponta Delgada, 2012-05-31
Aníbal Raposo

sexta-feira, maio 25, 2012



















EM LOUVOR DO DIVINO

Cada vez que um irmão
me dá a beijar
a bandeira do Divino:

Chega aos meus ouvidos,
o canto de folias
seculares;

Acende-se uma fogueira
de luz intensa e viva
no meu peito;

Nasce uma ribeira
de águas mansas
nos meus olhos.


Ponta Delgada, 2012-05-25
Aníbal Raposo

segunda-feira, maio 21, 2012


ROMEU E JULIETA

Ora Julieta, quem sou eu
para entender o leve riso, bem disposto,
e este brilhar de lua cheia no teu rosto?
Por que te oferece flores o teu Romeu?

Ponta Delgada, 2012-05-21
Aníbal Raposo

quarta-feira, maio 02, 2012



















DE QUEM SOU

Sou rapaz e sou poeta
Escrevo como a sonhar
Ando às vezes na sarjeta
Outras no céu a voar.

Aos versos todo me dou 
Sem saber o que me impele
Mas gosto de ser quem sou
Visto bem a minha pele. 

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-02

terça-feira, abril 24, 2012













2 minutos para escrever
5 versos:

Agita-te de novo
Berço
Real e
Irresistível da santa
Liberdade!

Aníbal Raposo
Ponta Delgada 2012-04-24

domingo, abril 22, 2012
















TERRA

Em ti semeio, a cada estação,
os meus desejos, na esperança
de ser correspondido.

Na maior parte das vezes,
insistes em surpreender-me
e fazes-me gozar o espanto
duma nova e ardente relação.
É gentil da tua parte, porque ambos
a sabemos bem madura.

Gosto de pôr as mãos em ti
e de te afagar o corpo todo
porque sempre sou correspondido.

Basta-me fechar os olhos e consigo
adivinhar o teu perfume intenso
quando o céu se rasga
em cada chuvada de agosto.

Um dia destes, sempre enamorado,
deitar-me-ei a sós contigo.
Daremos um forte abraço
e fundir-nos-emos os dois
até ao final dos séculos.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-04-22
(dia da terra)

domingo, abril 08, 2012



















(Imagem de Valerie Leroy)


TATUAGEM

Pausa, nota, dó.
Lembrar, música, voar,
mesmo em mim. Tão só.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-08


















RESSURREIÇÃO

Não se encontra cá.
Voou. Aos céus se elevou.
Cristo reinará!

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-05-08

domingo, abril 01, 2012













FINAL DE ROMARIA

Regressei bem
de mais uma longa caminhada.

Encontrei-me a sós comigo,
e com a paz almejada.

Trago os meus pés fatigados
mas a alma bem lavada.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-04-01

quarta-feira, março 21, 2012


POESIA

Por vezes vêm assim,
desgovernadas.
Caem às catadupas
e com o estrondo
de derrocadas sísmicas.
Trazem dentro de si
a fúria das cheias que saltam
dos leitos das nossas convenções
e riem-se, como loucas,
da sua indigente polidez.
São ventos ciclónicos,
erupções vulcânicas,
ondas alterosas.

Porém, doutras,
são doces e meigas.
Surgem de mansinho
belas, sedutoras
mulheres de vermelho.
Conquistam-nos a alma
e tomam-nos o corpo.
Afagam-nos as vaidades
como se acariciassem
tapetes de musgo verde
por entre criptomérias.

São imprevisíveis
as palavras...

E por assim o serem,
deverá o poeta
manter-se vigilante
para as receber a qualquer hora.
Abri-lhes-á as portas
Da enorme sala das emoções.

Inventará depois a melodia
e em compasso ternário
dançará com elas, enamorado,
a etérea valsa da poesia.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-21 

segunda-feira, março 19, 2012


















DIA DO PAI

Também vos fiz,
Com muito amor,
Feliz, em fogo ardente.

Vi-vos medrar
E amei-vos sempre.
Bem sei que às vezes
Distanciado,
Mas não consciente.

Depois cresceram...
E tal como acontece
Na natureza
A cada passarinho,
Tiveram de voar,
Buscando
Outros lugares
E horizontes,
Sair do ninho.

E ao partirem
Soltou-se um vento
Inesperado
Vindo do norte.
E foi tão forte
Que o nosso barco
Quase adornou
No mar revolto.

A vida é assim...

Às vezes, filhas,
Só conhecendo
O inesperado sabor
De cada lágrima
Nos encontramos,
Achamos porto.

Hoje tranquilo
Numa das pontas
Deste triângulo
Do mar oceano:
Bissau, Lisboa, Açores.

Estando mais longe,
Quase vos toco
E vos abraço
Meus dois amores.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-19   

domingo, março 18, 2012














RAÍZES

Da vida, entre certezas e desnortes,
Aprendi, não sem sofrer, uma lição:
Por vezes as raízes são tão fortes
Que nos prendem bem mais que o coração.

Aníbal Raposo
Praia da Vitória, ilha Terceira, 2012-03-18

segunda-feira, março 12, 2012



















(Pintura de Graziela Teixeira da Mota)


ELÉTRICO DO PORTO

Paravas-me mesmo à porta
Naqueles longos dias
Em que o tempo inclemente
De tão jovem que era
Tinha tanto tempo.

Por vezes sem fim
Despertei ao som familiar
E estridente dos teus freios.
Na hora e no lugar
De concretizar
Sonhos sonhados.

Nave amarela
Plena de almas quentes
Rasgando a bruma fria
E invernal da Invicta.
Largada em Matosinhos
Pr'a fundear à Batalha.

Nesses tempos de penúria
Dependurado em ti
Desafiei sorrindo
Em equilíbrio instável
As leis da gravidade
E dos trincas a raiva.

Na lembrança do ozono
Dos teus breves relâmpagos
Ainda hoje o odor da juventude.

Aníbal Raposo
Évora, 2012-03-12

sábado, março 10, 2012

















ENVELHECER

Ao caminharmos para o ocaso desta vida,
Na calma espera daquela outra que há de vir,
Estejamos gratos pela lição aprendida
Guardemos tempo, do que resta, p'ra sorrir.

A vida é curta irmão, são só breves instantes
Em que se encerram muitos anos, muitos meses.
Perto do fim devemos estar mais tolerantes,
Não vimos nós o mesmo filme várias vezes?

De quando em vez vem-nos a falsa sensação                  
Que a vida é um rio e na passagem tudo arrasta.
Viver é bom, mesmo sabendo de antemão
Que ela é tão curta e bastas vezes é madrasta.

Sábio será quem é feliz e amigos tem,
Já que eles são quem nos conforta na viagem,
Não alimentes malquerenças com ninguém
Pois todos nós estamos cá só de passagem.

Este problema que hoje tens e que te arrasa
Dentro de anos não será o que parece.
Sê paciente contigo mesmo e lá em casa
Dá tempo ao tempo, tudo é vão, tudo se esquece.

E apesar de estares cansado e ires p'ra velho
Se gostas mesmo, muito mesmo, de viver,
Aqui te deixo, amigo meu, este conselho:
Ama o que é útil, o que é bonito e dá prazer.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-03-10

domingo, fevereiro 26, 2012














ROMARIA

Na longa caminhada que se aproxima
Procurarás afinar a tua alma
Pelo grande diapasão
Do universo.

Tu sabes bem que ele existe
E que alguém o faz vibrar.

Ao terceiro dia de jornada
Quando voares nas asas do cansaço
Abre bem os teus ouvidos
Ao seu som único,
Inconfundível.

Ao pressentires que o teu coração pulsa
Na mesma frequência,
Esboça um sorriso.

Atingiste a paz.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-26

sexta-feira, fevereiro 24, 2012



A MAHATMA GHANDI

Procura ser com o bambu
Que se ergue aprumado, forte,
E solidário no meio do canavial.

Guarda sempre
No sótão da tua memória
A imagem de cada vento ciclónico
Que por ti passou.

Lança fundo as tuas raízes
Para te manteres ereto
E verga à força bruta
Apenas o necessário,
O suficiente.

Verga.
Nunca quebres.

Aníbal Raposo
2012-02-25

terça-feira, fevereiro 21, 2012














ENTRUDO

Cá no país o patrão,
A brincar de pau mandado,
Romper quis com a tradição
Não reconhece o feriado.
Anunciou feito fera:
Vai ser trabalho forçado!
A tradição é o que era
Lá ficou enxovalhado...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-21

sexta-feira, fevereiro 17, 2012
















(Ribeira do Porto - Óleo sobre tela - Teixeira da Mota)

RIBEIRA

Se calhar estás bem diferente
Mas quando te conheci
Namorei a tua gente
O encanto que havia em ti

Os meus jantares na Marina
(Como era novo e feliz)
A muralha Fernandina
A Ponte de D. Luíz

Eu, um milhafre das ilhas
Aprendi e tive sorte
No falar das tuas filhas
O bom sotaque do Norte

Oh Ribeira que vivi  
(Há sítios que não se esquecem)
Quando me lembro de ti
Os meus olhos humedecem.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-17

terça-feira, fevereiro 14, 2012










SÃO VALENTIM

Tu o céu
Eu o mar
O horizonte
O nosso amor

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-14

domingo, fevereiro 12, 2012









ACREDITAR

Às vezes sei
Quanto é difícil
Sonhar
E construir
Ledos futuros.

Porém
Algum de vós
Esperaria
Que ao rocio do mar
Sobre o basalto
Brotasse vida?

Aníbal Raposo
2012-02-12
(Foto tirada esta tarde em Ponta Delgada)

segunda-feira, fevereiro 06, 2012














ORGULHO

Do orgulhoso às vezes sinto dó
Pois sei que apenas se anda a enganar.
Orgulho para quê se somos pó
E se no fim em pó vamos ficar?

Meu Deus p'ra quê orgulho? Tudo é vão.
Conheço a irmã do orgulho é a vaidade...
Se queres fazer da vida uma lição
Mais vale que cultives humildade.

Procura antes a sabedoria  
Que ela sim, verga ao vento como o feno.
Orgulho, irmão, não te traz alegria.
Olha p'ró céu e vê como és pequeno... 


Ponta Delgada, 2012-02-06

quarta-feira, fevereiro 01, 2012















INSTANTE

Foi-se depressa

O meu amigo.

E mais não digo.


Relva, 2012-02-01
AMIZADE

Ah como é bom termos um fiel amigo
Mesmo que ele não more junto à nossa porta.
Ir à bola juntos, que é vício antigo,
Zangarmo-nos, também, porque amigo importa.
Ampararmo-nos ambos se cheiramos perigo.
Dar-lhe o nosso tempo, partilhar as águas,
E um ombro enorme para chorar as mágoas.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-01

sábado, dezembro 31, 2011



ANO NOVO

Mais uma vaga
À frente
Da proa
Do barco
Da vida

Será recordada
Pela mão ao leme
Fazendo
A diferença

Ou então será

Só mais uma vaga
Que a proa
Do barco
Da vida
Sulcou.

Ponta Delgada, 2011-12-31

sábado, dezembro 24, 2011




NATUM EST

Hoje vão nascer
Em todo o mundo
Milhares de meninos
Pobres, sem futuro.

Há muitos anos,
Em Belém, na Judeia,
Nasceu um menino
De igual condição.

Se seguíssemos
O que ele nos ensinou
Aqueles que hoje vão nascer
Teriam um outro amanhã.

Ponta Delgada, 2011-12-23

domingo, dezembro 18, 2011

RTP - TELEJORNAL - AÇORES

Se clicar no link acima pode ver, ao minuto 31 do vídeo, um apontamento da minha atuação com o Grupo Connection no programa televisivo Natal dos Hospitais, realizado no dia 15 de Dezembro nos Açores. O tema chama-se "Seres o meu amor" e tem letra minha e música minha e dos Connection.

sexta-feira, dezembro 16, 2011











PIROMANIA

Hoje percorremos a ilha
Acendendo sorrisos
Em rostos cinzentos, marginais.

É urgente atear fogos
Nas florestas da indiferença.

Ponta Delgada, 2011-12-16

segunda-feira, dezembro 12, 2011

ESPERA

O sol morreu...

Aguardo que o teu riso
Bata à nossa porta.

Quando chegares
Saciarei a sede da saudade
Bebendo sumo fresco
Da tua boca.

Ponta Delgada, 2011-12-12