sábado, novembro 09, 2013
quinta-feira, outubro 31, 2013
quarta-feira, outubro 30, 2013
CONTRASTES
Se em mim procuras calma
Eu sou desassossego
Se queres é companhia
Eu vendo solidão
Se tu pretendes alma
Eu cedo desapego
Se buscas alegria
Eu vivo em depressão
Se anseias por esperança
Eu sou um mar revolto
Se não te interessa o joio
Eu não sou trigo são
Se procuras bonança
Sou um cavalo solto
Se careces de apoio
Está fria a minha mão
Se a planura é teu sonho
Nasci desfiladeiro
Se estimas água mansa
Em mim tens golpe de asa
Se me aspiras risonho
Não tens um bom parceiro
Se queres é confiança
Eu sou um ferro em brasa
Pensas que tenho emenda
Eu não sei merecer-te
Tu foges de tormentos
Eu renego verdades
Procura quem te entenda
Que não sei perceber-te
Tu não semeias ventos
E eu colho tempestades
Relva, 2012-10-30
Aníbal Raposo
(Para o meu próximo CD)
terça-feira, outubro 29, 2013
domingo, outubro 27, 2013
sexta-feira, outubro 25, 2013
LONGE NA TARDE
Um banco de jardim ali plantado
Com fina precisão. Centro de nada.
Convite aberto à reflexão
Sobre o rasto dos meus passos
Nesta fugaz jornada.
Sentei-me.
Na tarde imensa,
Qual curva do tempo eterno,
Desassombrada,
Saboreei o mel e o fel
Da minha estrada.
No quente abrigo
Da concha segregada
Ri de alegrias
E de tristezas
Que vivi.
Caiu a noite.
Quando os candeeiros
Por fim se iluminaram
Andava eu longe...
Posso jurar
Por Deus
Que luz não vi.
Aníbal Raposo
Relva, 2013-10-25
(foto de Brandace Myers)
domingo, outubro 20, 2013
sábado, outubro 19, 2013
DESNORTE
Nós somos, tu e eu, dois sóis ardentes
De fogo iluminados, consumidos,
Em pelejas de amor ledas e quentes,
Explodindo na folia dos sentidos.
De tanto nos acharmos, tão perdidos
Em devaneios mil, beijos frementes,
Por entre gritos cavos e gemidos
Tocamos o universo dos dementes.
Por isso aqui declaro meu amor
Que gosto de te amar com tanto ardor
Como se fosse sempre a vez primeira.
Corações irmanados, ternos laços.
Que sorte não ter norte nos teus braços
Eternamente arder nesta fogueira.
Relva, 2013-10-19
Aníbal Raposo
sexta-feira, outubro 11, 2013
segunda-feira, outubro 07, 2013
sexta-feira, setembro 13, 2013
segunda-feira, setembro 09, 2013
sábado, agosto 10, 2013
UNS TROCOS OU UM SORRISO
Sei que tens bom coração
E sabes do que preciso:
Não tens uns trocos à mão?
Deixa ficar um sorriso...
E se és homem de coragem
Ri-te de ti, meu amigo,
Já que és dente da engrenagem
Que de mim faz um mendigo.
Aníbal Raposo
(a propósito duma foto no perfil do Paulo Bettencourt)
Relva, 2013-08-10
sexta-feira, agosto 09, 2013
Santa Clara
SANTA CLARA
Do teu avanço mar fora,
Tomou o nome a cidade.
Na memória, a tua indústria
Terra de mãos operárias
E de bom toque de bola.
Em ti se esculpiram quilhas
De marceneiros de sonhos
E cabouqueiros de cais.
O teu farol é emblema
Que assinala caminhos
Na vida dos deserdados.
Porto de abrigo do mundo.
Pequena e singela urbe
De sótãos tão arejados.
Mistura de tons na pele
Abraço do que é diverso,
Repouso e paz dos proscritos,
Paleta e som da saudade.
Assim és tu, despojada
Mas nobre terra, fagueira,
Cresceste bem à imagem
Da tua mãe padroeira.
Aníbal Raposo
2013-08-08
segunda-feira, julho 22, 2013
sexta-feira, julho 19, 2013
domingo, julho 14, 2013
FIM DE TARDE
Irmão,
Ir?
Mão?
Aproveita bem a calmaria
A cal?
Maria?
Que vem aí borrasca
Borra
Rasca.
Fim de tarde nas Milícias
2013-07-14
Aníbal Raposo
sábado, julho 13, 2013
quarta-feira, junho 19, 2013
Saudades de ti tão perto
SAUDADES DE TI TÃO PERTO
Meu Deus, como era bom ter-te comigo
Aqui no doce abrigo do meu lar
Amar-te de mansinho sobre a
cama Com a calma que um casal tem de se amar
Perder-me nos teus seios e encontrar-me
Molhando esse teu ventre e prazer meu
Morrer, braços em cruz, nesse teu corpo
Tendo a certeza de acordar no céu
Meu Deus tira-me a paz, tira-me tudo
Até os olhos meus podes cegar
Mas nunca, aqui te peço, me retires
O voo, a liberdade de sonhar
Aníbal Raposo
balcão do Zás Trás
1997-07-05
domingo, junho 16, 2013
sábado, junho 08, 2013
CADA QUAL TEM O SEU DEFEITO
(Aliud alic vitio est)
Se alguém que prezas
Te feriu fundo, sem querer,
Não leves isso a peito.
Cada qual tem o seu defeito.
És capaz de desculpar
O erro alheio?
Nunca percas o jeito...
Cada qual tem o seu defeito.
A vício e a virtude
Sempre se cruzaram
Num atalho estreito...
Cada qual tem o seu defeito.
Se a vida porventura te sorri
Mira-te bem,
Julgas que és o eleito?
Cada qual tem o seu defeito.
Aníbal Raposo
Relva, 2013-06-08
domingo, maio 26, 2013
NADA VEM DO NADA
(De nihilo nihil) - Lucrécio
Se o teu coração insiste
Em esperar muito de alguém
Que não tem alma. Desiste,
Que do nada nada vem.
Onde há fogo avistas fumo,
São esperanças vãs. Ninguém
Sem consciência e sem sumo
Pode dar o que não tem.
Se algo aguardas dum malvado,
Que olha os outros com desdém,
Bem podes esperar sentado
Pois do nada nada vem.
Aníbal Raposo
Relva, 2013-05-26
sábado, maio 18, 2013
sexta-feira, maio 17, 2013
quarta-feira, maio 01, 2013

MAIO
eu canto um maio moço,
um mês que cheire a rosas
vermelhas, orvalhadas,
recentes e viçosas.
um maio de alvoroço,
um maio-mar-de-gente
a liberar o sonho,
erguida, finalmente.
eu canto o maio ansiado,
aquele que há de vir,
um maio renovado,
maio-menino a rir.
um maio desenvolto,
um maio-meio-céu,
maio maduro, solto
desta noite de breu.
Aníbal Raposo
2013-05-01
sexta-feira, março 08, 2013
terça-feira, fevereiro 26, 2013
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
PÉS AO CAMINHO
De novo me preparo
física e espiritualmente
para me por a caminho
e rezar, na companhia de meus irmãos,
circundando esta formosa ilha verde.
Para alguns dos meus amigos.
os que me conhecem de antanho,
esta é uma decisão estranha.
Eu sei bem o que me move.
Ano após ano e por esta altura
sinto uma força nascer dentro de mim
que me arrasta de forma incontrolável
para esta enxurrada de fé
que me lava a alma.
Seja para sempre louvada
a sagrada vida, paixão,
morte e ressurreição
de Deus, nosso Senhor
Jesus Cristo!
IR. Aníbal Raposo
2013-02-01
sexta-feira, janeiro 25, 2013
quinta-feira, janeiro 24, 2013
BRINDE À AMIZADE
Minha amiga, eu tenho uma cantiga para te dar
Agora que já se acalmou o mar
E a chuva cai lá fora de mansinho
Ergamos uma taça de bom vinho
Que esta fogueira é boa e vai durar
Minha amiga, aceita esta afeição doce e discreta
E desculpa os devaneios de um poeta
(Que por sistema é sempre um fingidor)
Acabo de passar além da dor
E de fechar meus sonhos na gaveta
1991
Aníbal Raposo
segunda-feira, dezembro 31, 2012
domingo, dezembro 09, 2012
domingo, dezembro 02, 2012
CANTO DE AMOR E DE RAIVA
Muito padece de amor aquele que ama
A manhã dos olhos teus atiça a chama
Não me vou se Deus quiser
Sem a alegria de ver
Um enorme sol a arder
Na nossa cama
Em cada gesto teu há claridade
Em cada sorriso alvo uma saudade
Neste fogo abrasador
Sei-te bem, sei-te de cor
Voemos pois meu amor
Em liberdade
Pela barca portuguesa o povo teme
Nesse mar que se agiganta o casco geme
Não temos porto de abrigo
Ver um rumo não consigo
Ver um rumo não consigo
Nesta nau em desabrigo
Não há leme
Muito mal vai um país que os filhos drena
Brota de novo feroz a vil gangrena
Não posso, não me demovo,
Há que fazer que de novo
Volte a ser o nosso povo
Quem ordena
Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-12-01
sexta-feira, novembro 23, 2012
SEI DUM POEMA
Eu sei dum poema louco
Nascido dum grito rouco,
Que por pouco
Não calou.
Também dum poema pomba,
Alva, branca. De mim zomba.
Sonho-bomba
Que estourou.
Sei do poema indigente,
Tingido de inteligente.
Do demente
Que alucina.
Do poema que não diz,
De feiticeiro aprendiz,
Meretriz,
E concubina
Sei do poema matreiro,
Velado, mas verdadeiro,
Sorrateiro,
Que desperta.
Amo o poema, que arrasa
Vento, fúria que extravasa,
Golpe de asa,
Que liberta!
Aníbal Raposo
Relva, 2012-11-23
quarta-feira, novembro 14, 2012
QUANDO O TEU OLHAR
Quando o teu olhar
Dirigido a mim
Disser: Sim !
Vou fugir depressa
Para que esqueça logo
Os sonhos que me vão pela cabeça
Porque eu não posso dar ao meu peito
Nem a chance de te amar
Mas se o teu olhar
Por qualquer razão
Disser: Não !
Vou ter pesadelos
Arrepelar cabelos
Porque belos foram
Sonhos e desvelos
Porque os castelos no ar que erigi
Vão ruir com o teu olhar
Aníbal Raposo
1989
Os sonhos que me vão pela cabeça
Porque eu não posso dar ao meu peito
Nem a chance de te amar
Mas se o teu olhar
Por qualquer razão
Disser: Não !
Vou ter pesadelos
Arrepelar cabelos
Porque belos foram
Sonhos e desvelos
Porque os castelos no ar que erigi
Vão ruir com o teu olhar
Aníbal Raposo
1989
domingo, novembro 11, 2012
QUADRAS NO DIA DE S. MARTINHO
Trabalhei desde manhã
No dia de S. Martinho
Nem sequer fui à fajã
Provar o meu rico vinho
Pareço um tipo de antanho
(Oh palerma não descansas?)
Trabalho tanto e o que ganho
Vou entregar às Finanças.
É trabalhar, trabalhar
Sem ter do corpinho dó
Para depois sustentar
Muito burro a pão de ló
Aníbal Raposo
Relva, 2012-11-11
quinta-feira, novembro 01, 2012
AOS PRESENTES
Partiram?
Quem partiu?
Os que largaram amarras
São os que continuam firmes
Para nosso alento
Bem aqui ao lado.
Partiram o quê...
Na verdade
Só se parte
Quando se entra,
De forma perene,
No soturno vale
Do esquecimento.
Partiram?
Para onde?
Não me basta cerrar
Os olhos por breves segundos
Para os rever tão vivos
Mesmo à minha frente?
Partiram?
Porquê?
Quiseram libertar espaço
À formosa árvore
Da aprendizagem
Para estender os ramos?
Partiram?
Como?
Se com eles continuo
A partilhar diariamente
Cada singela dúvida
Da minha existência.
Aníbal Raposo
Relva, 2012-11-01
(em véspera de Finados)
segunda-feira, outubro 22, 2012
OS CARNEIRINHOS
Os carneirinhos tão engraçados
Vão p'ró redil com mil cuidados.
Sempre em manada, que rica que é,
Não dizem nada, fazem mémé.
Todos os anos os carneirinhos
São tosquiados sempre mansinhos.
Distraidinhos, sem intenção,
Entram um dia num camião.
Seguem fofinhos, são um tesouro,
Alegrezinhos p'ró matadouro.
Quando, por fim, abrem os olhinhos
Já é tão tarde vão p'ra bifinhos.
Muito maltratam os probrezinhos
A linda graça dos carneirinhos.
E inda se lembram, sempre também,
Dos seus paizinhos, das mães que têm.
Aníbal
Raposo
Ponta
Delgada 2012-10-22
sexta-feira, outubro 19, 2012
domingo, outubro 14, 2012
quarta-feira, outubro 10, 2012
segunda-feira, outubro 01, 2012
domingo, setembro 23, 2012
sexta-feira, setembro 07, 2012
DISCURSO DIRETO
Quando na TV te vi
Oh minha rica frieira
Senti só de olhar pr'a ti
Muito mais leve a carteira
És um grande patriota
E tens uma missão heróica
De joelhos, meu janota,
Lamber as botas à troika
Já não tens nenhuma graça
Já com rimas te fuzilo
Tu não vais morrer na caça
Vais ter é sorte de grilo
A gente já não te atura
Baza depressa, fedelho
Que ninguém enxerga lura
De onde saia coelho
Oh Passos, esses teus passos
São afananços, paspalho
Colecionas fracassos
Tu, vai gamar p'ró Gabão
Aníbal Raposo
2012-09-07
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