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PRIMAVERA
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Há trilhos sinuosos,
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e ruas desta ilha,
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esperando Ave Marias.
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Um cheiro adocicado,
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familiar e espesso,
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nas flores de cada incenso.
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Rebentos verdejantes,
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que explodem pelos ramos
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na pressa de nascer.
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Angústias aos milhares
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que aguardam o consolo
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de orações penitentes.
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E há um fogo aceso
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no olhar de cada irmão
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que anseia a caminhada.
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Relva, 2015-03-16
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Aníbal Raposo
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segunda-feira, março 16, 2015
sábado, março 14, 2015
sexta-feira, março 13, 2015
Da alma
DA ALMA
Sabes o que penso:
Somos tão pequenos...
Digo-te com calma.
Somos tão pequenos...
Digo-te com calma.
Cada vez me convenço
Mais, que somos menos
Corpo do que alma.
Mais, que somos menos
Corpo do que alma.
Relva, 2015-03-13
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
(No dia em que abalou a esposa e a mãe de dois irmãos meus)
sexta-feira, fevereiro 27, 2015
quinta-feira, fevereiro 26, 2015
terça-feira, fevereiro 24, 2015
Um breve instante
UM BREVE INSTANTE
Já toquei a linha do esquecimento
tendo aprendido o sentido primeiro
desta vida: fruir cada momento
porque ele é singular e derradeiro.
Relva, 2015-02-24
Aníbal Raposo
domingo, fevereiro 22, 2015
O cais das sete partidas
O CAIS DAS SETE PARTIDAS
Ler bons livros é largar
Do cais das sete partidas
E em escassos momentos
Conseguir reencarnar
Somando conhecimentos
Dum mar de vidas vividas.
Relva, 2015-02-22
Aníbal Raposo
sexta-feira, fevereiro 20, 2015
Abrigo
ABRIGO
Com céus de breu
venha um chapéu,
um ombro amigo.
Nada melhor
do que dispor
dum bom abrigo.
Relva, 2015-02-20
Aníbal Raposo
sábado, fevereiro 14, 2015
ENTRUDO
No Carnaval consigo apreciar
danças de espada,
bailinhos,enredos,
fantasias.
Desagrada-me dançar com multidões.
Na turba há qualquer coisa
que tolhe o pensamento.
Não prezo também
os dias de.
Nem que me prometam festa
p'ra me calcarem calos.
Quando me apetece chorar, choro.
Se me apetece rir, rio.
Quando e se.
Não me embriago
de Entrudos.
Basta-me o Carnaval
de cada dia.
Relva, 2015-02-14
Aníbal Raposo
sexta-feira, fevereiro 13, 2015
quinta-feira, fevereiro 12, 2015
PAZ PODRE
(Leitura possível duma fotografia)
Houve alguém que suspendeu
usando de arte secreta
o fluir da areia fina
no gargalo da ampulheta.
Quem muita vida viveu
e lê os sinais da sorte
duma completa acalmia
só espera um sismo forte.
O artista e o contrabaixo,
vivem enorme paixão.
Tensões fortes e latentes
dividem o corvo e o cão.
Entre o artista e o corvo
vão só uns metros de chão.
Entre o perro e o instrumento
não se alcança ligação.
Há um contrabaixo e um corvo
mas não há magia, não.
Vejo um cão e um artista
mas não se nota afeição.
A ruína e o poeta
partilham a inquietação.
Relva, 2015-02-12
Aníbal Raposo
terça-feira, fevereiro 10, 2015
DOS SIGNOS
Pelo dia e mês
final e derradeiro
em que ao mundo cheguei
sou por metade gente:
- um rijo arqueiro
que envolto em feroz halo,
viril empunha o arco,
atira aos céus a flecha
e logo segue lesto.
No resto
sou cavalo...
Pelo ano, porém,
e pelo sinete que advém,
do velho e sino signo,
de pronto me resigno:
sou ginete...
Nascido Sagitário
já me juram que os astros
guardaram só bondade
para a minha criatura:
- ser positiva e sincera,
amar a liberdade,
gostar de viajar
prezar uma aventura.
Porém, de quando em vez,
vejo-me a erguer a espada.
Sem que haja um bom motivo,
atiro uma patada
e ponho-me ao estalo.
Isso é pouco cortez.
Admito ser errado.
Mas logo retratado,
a contrição rezada,
pisado sobrevivo.
Reajo assim, emotivo,
e falho por ser gente.
Mas gosto de estar vivo.
Possuo sangue quente,
e dois signos de cavalo...
Relva, 2015-02-10
Aníbal Raposo
segunda-feira, fevereiro 09, 2015
UM VELEIRO NOS TRÓPICOS
Um veleiro nos trópicos buscando ternas angras.
A sensual beleza dum corpo de mulher.
A lasciva humidade que atiça a fantasia.
A tumidez da carne, em gritos de clausura,
Velada em escassos véus num jogo de adivinhas.
As narinas abertas, ansiando odores dementes.
Um vulcão incontido, a erupção prevista.
Relva, 2015-02-09
Aníbal Raposo
sábado, fevereiro 07, 2015
DA ARTE DA PODA
Como pensar conter
o poder do raciocínio?
As ideias
são como ramos novos
que brotam irreverentes
nas erupções da mente,
perene árvore do espanto.
são como ramos novos
que brotam irreverentes
nas erupções da mente,
perene árvore do espanto.
Bem sei
que sempre hão de existir
inquisidores de serviço,
de pena e foice em riste.
que sempre hão de existir
inquisidores de serviço,
de pena e foice em riste.
Gente que domina e aprecia
a afiada e bem retribuída arte do sufoco.
a afiada e bem retribuída arte do sufoco.
Mas para o bem
do equilíbrio universal,
há sempre ideias-ramos que resistem:
do equilíbrio universal,
há sempre ideias-ramos que resistem:
- À fúria das mentes castradoras.
- À cegueira das tesouras de podar.
- À cegueira das tesouras de podar.
Relva, 2015-02-07
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
sexta-feira, fevereiro 06, 2015
quinta-feira, fevereiro 05, 2015
segunda-feira, fevereiro 02, 2015
sexta-feira, janeiro 30, 2015
quinta-feira, janeiro 29, 2015
terça-feira, janeiro 27, 2015
domingo, janeiro 25, 2015
sábado, janeiro 24, 2015
sexta-feira, janeiro 23, 2015
DOM QUIXOTE
Enquanto houver forças, lança e armadura
Vou ser cavaleiro de triste figura.
Tomarei castelos, de velas ao vento
Por ti meu amor, meu precioso alento.
Inoportuno herói, procuro impossíveis,
O bem absoluto, porque sou propenso
A buscar quimeras, mesmo inatingíveis
Não concebo existir atado ao bom senso.
Relva, 2015-01-23
Aníbal Raposo
quarta-feira, janeiro 21, 2015
sábado, janeiro 17, 2015
sábado, janeiro 10, 2015
quinta-feira, janeiro 08, 2015
quarta-feira, janeiro 07, 2015
NOTAS DE PALHAÇO
Ao libertar suaves notas calmas,
Sons de finados, filhos do cansaço.
Senti que se fundiam brandas almas
De seres sensíveis com semblantes de aço.
Dia após dia, penso no que faço
Nesta sombria, suja e fria esquina.
Levar à cena a pobre e nobre sina
De risos vender. Eu, triste palhaço.
Possuo maleitas que não têm cura
E embora enfrentando uma vida dura
Mantenho esta fé, flor do meu jardim
De gozar o sonho, mesmo que imperfeito,
Que me adoça a vida, que me aquece o peito:
Manter esta graça de me rir de mim.
Relva, 2015-01-07
Aníbal Raposo
terça-feira, janeiro 06, 2015
domingo, janeiro 04, 2015
ELOGIO DA CHUVA
Não gosto de desertos
Desses lugares estéreis e inóspitos
Onde se faz o pranto às novidades
E não se fantasiam notícias redentoras.
Ao invés, gosto de caminhar, serenamente,
À descoberta dos altos cumes das montanhas
Onde se tecem gestações de tempestades
De rios impetuosos e de chuvas criadoras.
Relva, 2015-01-04
Aníbal Raposo
sexta-feira, janeiro 02, 2015
quarta-feira, dezembro 31, 2014
sexta-feira, dezembro 26, 2014
terça-feira, dezembro 23, 2014
EXISTÊNCIA
Há muito para ser pensado
Ao olhar um mar estanhado
E uma cadeira vazia.
Basta soltar os sentidos,
Abrir os nossos ouvidos
E atentar na magia:
Dos mil matizes das cores,
Do perfume que há nas flores,
Do despontar da poesia,
Do milagre da existência,
Do dom de ter consciência,
Da bênção do dia a dia.
Relva, 2014-12-23
Aníbal Raposo
segunda-feira, dezembro 22, 2014
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