sexta-feira, fevereiro 10, 2017

















VIAJANTE

Sagitário sou, vivo sem descanso,
Corro por aí, ao sabor dos ventos,
Em busca de lugares que nunca alcanço,
Só visitados p' los meus pensamentos.

Relva, 2017-02-08
Aníbal Raposo

domingo, janeiro 29, 2017
















ARTES

Manejo os pincéis
à procura do tom da cor
da palavra
certa.


Relva, 2017-01-29
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 19, 2017















ROMARIA

Procura amor e paz,
partilha, comunhão,
na tua caminhada
no rosto dum irmão.

E põe a humanidade
em cada Ave Maria
rezada com verdade
pois Deus é quem nos guia.

Aníbal Raposo
(preparando a décima terceira romaria)
2017

sexta-feira, janeiro 13, 2017

























QUANDO ME QUISERES FALAR DE AMOR

Sempre que este céu chorar de breu
fala-me ao ouvido de águas soltas.
Das que escorrem pelas muitas cicatrizes
que um dia a lava em fogo desenhou
no corpo verde e virgem
desta ilha.


Fala-me também de mares revoltos,
seduzidos pela lua e pelo vento.
Das ondas-véus-de-noiva a desabar
sobre o preto mistério do basalto.
De impulsivos abraços, apertados.
Dos cheiros sensuais
que há na maresia.

Por fim podes falar-me, meu amor,
Da quietude das águas das lagoas.
São espelhos que refletem tanta luz
como a que é derramada sem pudor
nos olhos soalheiros
dos amantes.

Relva, 2016-01-13
Aníbal Raposo

sexta-feira, novembro 11, 2016
















SEDE DE APRENDER

Sempre que ouço um: não sei, explica-me,
mergulho nos olhos de quem o diz e penso:
- na singeleza, condição dos sábios;
- no azul intenso do mar oceano de aprender.


Relva, 2016-11-11
Aníbal Raposo

terça-feira, novembro 01, 2016





















1 DE NOVEMBRO

Em caso de desaparecimento
Procurem por mim
Na confluência
Da luz.

Aníbal Raposo
2016-11-01













RITUAIS

Deitei flores na campa
dos que se afastaram,
como vi fazer.

Depois tive a graça
de abraçar os vivos.
Resta agradecer.

Relva, 2016-11-01
Aníbal Raposo

segunda-feira, outubro 31, 2016















AUSÊNCIAS

Tenho tantas saudades
De vós, como de mim,
Naquilo que já fui.

E mais saudades tenho
De mim, como de vós,
Em tudo o que serei.


(aos familiares que partiram)

Relva, 2016-10-31
Aníbal Raposo

segunda-feira, outubro 24, 2016













DO RUÍDO


Gosto de falar baixo
com elevação.

Pelo que é sabido
em cada conversa
os decibéis variam.

Na razão inversa
da nossa razão.

Relva, 2016-10-14
Aníbal Raposo



















EM CADA COISA SIMPLES TE REVEJO

Recordo muito bem quando apareceste
Estava sem rumo, perdido no deserto
E foi tão pouco e tanto o que fizeste
Que já não sei viver sem te ter perto

Não custa confessar, de ti preciso
Porque tu és a porta que franqueia
A alegria que abre o meu sorriso
A chispa que os meus olhos incendeia

Paz e harmonia, a luz do meu sol pôr
Nota feliz na pauta do desejo
E é por seres assim, oh meu amor,
Que em cada coisa simples te revejo

Relva, 2016-10-22
Aníbal Raposo

quinta-feira, setembro 08, 2016

















DA POESIA

Verso meu, mesmo singelo,
Poder ser, saindo ao rubro,
O palco onde me revelo
O covil onde me encubro.


Relva, 2016-09-08
Aníbal Raposo

quarta-feira, setembro 07, 2016















DO DINHEIRO

Do dinheiro ser beato
É coisa de pouco siso
Um homem que é sensato
Só possui o que é preciso.

Relva, 2016-09-07
Aníbal Raposo












DA MORTE

Eu que estive de partida
Vou dizer-te desta sorte:
Deves ter medo da vida
Não tenhas medo da morte.


Relva, 2016-09-07
Aníbal Raposo

terça-feira, setembro 06, 2016















DO BELO
Cada qual é que valida
O que é beleza. Porquê?
Dizem que ela está contida
Nos olhos de quem a vê.

Relva, 2016-09-06
Aníbal Raposo

segunda-feira, setembro 05, 2016

quarta-feira, agosto 10, 2016




DA TUA GÉNESE

Pedi a Deus a mercê de te criar
Pouco exigi e obtive o impossível.
Bem que podias ser terra, mas és mar.
Não mudes! Gosto de ti imprevisível.

Relva, 2016-08-10
Aníbal Raposo












FÉRIAS 


Estou de férias Deus meu! Alegremente,
rejubile comigo o mundo inteiro.
Vou celebrar, feliz e finalmente,
o devido alvoroço do guerreiro.



Relva, 2016-08-10
Aníbal Raposo

domingo, julho 17, 2016


















SER ILHÉU

Ser ilhéu é viver só
No meio de muita gente
De nós ninguém tenha dó
Temos o mar pela frente…
É viver a liberdade
Em constante despedida
Já ter no lenço a Saudade
Antes de vir a partida
Saber cantar a folia
Saber benzer o quebranto
E dar vivas de alegria
Nas Festas do Espírito Santo
Também descer às fajãs
Beber da noite o luar
Apreciar as manhãs
E ouvir os búzios do mar
Não ter certezas nenhumas
Numa terra em convulsões
Acordar por entre as brumas
E adormecer nos vulcões
Seja qual for o momento
Ter calma, sermos serenos
Olhar bem o firmamento
E ver que somos pequenos
É pôr o sonho na mira
Estar em paz, mesmo na guerra
Saber tanger uma Lira
Numa viola da terra

Aníbal Raposo
2012-08-27

sábado, julho 02, 2016




















TEMPO INSTÁVEL

Gosto de acordar assim
com tempo instável:
Uma chuva de beijos brotando dos teus lábios;
Um sol radioso a sorrir na tua face.

Relva, 2016-07-02
Aníbal Raposo

quinta-feira, junho 30, 2016

















PORTUGAL - POLÓNIA

Estava toda uma nação
Com vontade de vencer
Aguenta aí coração,
Isto é muito padecer...

Relva 2016-06-30
Aníbal Raposo















PORTUGAL - POLÓNIA

Estava toda uma nação
Com vontade de vencer
Aguenta aí coração,
Isto é muito padecer...

Relva 2016-06-30
Aníbal Raposo













PEDRAS NO CAMINHO

Mais uma etapa cumprida
Mais um medo ultrapassado
Por me encheres de luz a vida 
Meus Deus, o meu obrigado.
Relva, 2016-06-30
Aníbal Raposo


S. JOÃO DO PORTO

Oh meu rico S. João
Meu santinho predileto
Sempre no meu coração
Com o Porto do meu afeto.

Relva, 2016-06-24
Aníbal Raposo

segunda-feira, junho 20, 2016













DO JOGO


Há duas ocasiões
Em que não deves jogar:
Quando não tens condições
Ou quando as tens a sobrar.


(A partir dum pensamento de Mark Twain)

quarta-feira, junho 15, 2016



















TU ÉS AQUILO QUE ESPALHAS

Honras, dinheiro e mais tralhas
Com tudo isto te besuntas.
Não sabes que és o que espalhas
E não aquilo que juntas?

Relva, 2016-06-15
Aníbal Raposo

terça-feira, maio 17, 2016


















AÇORES

Acima do que é certo,
um infinito azul
a descobrir
e um navio.

O eterno
desafio.

Relva, 2016-05-17
Aníbal Raposo

(foto do meu amigo Rui Coutinho)

sexta-feira, maio 13, 2016



















LIBERTAÇÃO

Cinco pegadas soltas,
só cinco,
na areia.

Para trás a fronteira
de arame farpado,
uma teia.

Uma ânsia da vida
que é breve,
escasseia.

Uma treva de noite
feita claridade.
Uma lua,
cheia.

Relva, 2016-05-13
Aníbal Raposo



















    DA CRIATIVIDADE

    Se queres manter a tua mente
    aberta, em modo criação,
    não tenhas medo.

    Quem tem medo,
    não cria:

    - ou mia
    ou compra
    um cão.

    Relva, 2016-05-13
    Aníbal Raposo

quarta-feira, maio 04, 2016

























AMOR À VIDA

Enquanto esvoaçarem
da concha das minhas mãos inquietas
pássaros livres.

E conseguir servir
favos de mel, em melodias suaves,
a corações sensíveis.

Penso ficar.

Quem sabe o que Deus pensa?

Relva, 2015-05-04
Aníbal Raposo

foto de Sophie Delaporte in "A lifetime photography"

segunda-feira, abril 25, 2016















25 DE ABRIL

E depois da noite escura
rasgou-se a clara madrugada.
Não se encontrava
peito bastante
para entoar o sonho
encurralado.
Um hino
cravejado de alegria
Uma oração espontânea
à Santa Liberdade!

Relva, 2016-04-25
Aníbal Raposo

sábado, abril 16, 2016



















CARA E COROA

Eu tenho um lado negro que esclarece
O meu lado solar do dia a dia.
É o meu flanco insensato, onde se tece
O sal da minha vida, o da alegria.

Colidem seriamente, aqui e além,
Mas fazem sempre as pazes. É espantoso
Como o lado que é escuro entende bem
O que é da claridade, o luminoso.

Opõe-se a maré vaza à maré cheia,
À sombra opõe-se a luz que me encandeia.
Cada moeda tem cara e tem coroa.

Depois de cada noite, um amanhecer.
Assim sou eu e como é bom haver
Dois lados desiguais, uma pessoa.

Relva, 2016-04-16
Aníbal Raposo

Foto de Isidro Vieira

domingo, abril 10, 2016




















O BARCO E A TEMPESTADE

Às vezes, de verdade,
sou um barco singular.
Amo a tempestade.

Relva, 2016-04-10
Aníbal Raposo


Pintura "into the light" de Chris Pointer

sexta-feira, abril 08, 2016


















AMBIÇÕES

Invejo a bebedeira da seta
na vertiginosa busca
do fim, da verdade.

Adoro de viajar
com ela.

Porém, ao fazê-lo,
confesso prudentes receios
de me estampar
no alvo.

Relva, 2016-04-08
Aníbal Raposo

quinta-feira, abril 07, 2016
















TEMPO E INDOLÊNCIA

Façam correr
o tempo.

É lento de mais
para os tempos
que tenho.

Relva, 2016-04-07
Aníbal Raposo

quarta-feira, abril 06, 2016


























ORAÇÃO

Nos dias que
voam

rezo para ser
pássaro.


Relva, 2016-04-06
Aníbal Raposo

(quadro de Tony Lima)

sexta-feira, abril 01, 2016














1 de abril

Dizes que por mim suspiras
As fraquezas são humanas
Eu adoro ouvir mentiras
Quando "de veras" me enganas.


Relva, 2016-04-01
Aníbal Raposo

quinta-feira, março 31, 2016
















DA POESIA
Ser poeta
é enxergar horizontes de emoção
tendo pela frente sobranceiros muros de indiferença.
Relva, 2016-03-31
Aníbal Raposo

quarta-feira, março 30, 2016


























POENTE

Assim pressagio ser
o fim dos dias.

Nítida imagem dum velho navio encalhado,
cedendo aos poucos à inevitável erosão do tempo,
num enorme deserto de frívolas banalidades.

Será que alguém recordará as marcas singulares
que as minhas desgastadas sandálias peregrinas
desenharam na impiedosa arena que é a vida?

Pouco me interessa...

Sonhei,
segui um rumo,
e fiz por ser feliz.


Relva 2016-03-30
Aníbal Raposo

domingo, março 06, 2016



















A VISITA

Hoje, não falámos muito.
Para quê amigo? 
Sei que que te faltam forças
para pronunciar palavras
não essenciais.

Mantinhas os olhos cerrados
enquanto respiravas a custo.
O importante era estar ali contigo
compartilhando um silêncio
indulgente para os dois.
Preferiste que me sentasse
na cama ao teu lado.
E apertaste-me as mãos.
Com a voz fraca, referiste
que gostarias de largar
durante o sono.
Disse-te,
para não teres medo,
para procurares a luz.
E falei-te tranquilamente
na paz e no mar de azeite
que encontrei este sábado na fajã.
Quando o teu anjo da guarda chegou
Achámos que era boa hora de eu partir.
Já no corredor do bloco,
soltou-se, incontrolado.
um rio caudaloso
dos meus olhos.

Relva, 2016-03-06
Aníbal Raposo

sexta-feira, março 04, 2016






















ANJAS

As anjas... eu creio nelas!
Umas são moças e belas
outras fadas de pasmar.

As que num mar de emoções,
e num toque especial,
mostram-nos céus de pecar.

As dos riscos do Simões
nas palavras de Quental.


Relva, 2016-03-04
Aníbal Raposo

(desenho do meu amigo Francisco Simões)

quinta-feira, março 03, 2016


















REDES

Sonham-se,
tecem-se arduamente,
e lançam-se para longe.

O que nelas vem,
malgrado o dito,
bastas vezes
não é peixe.

Pois bem,
nem sempre
a carne
é fraca...

Relva, 2016-03-03
Aníbal Raposo

sábado, fevereiro 27, 2016








SOU EU
Aguardo
ansiosamente
pela iminente chegada
dos verdadeiros donos
da fajã.
Já arrumei a casa a alguns.
Obrigações de quem sente
usar o sítio por empréstimo...
Bem sei que para vós,
irmãos alados,
ovo sumido
é ano perdido.
Quem é? Quem é?
Quem é?
Este é um mantra
que deleita os meus ouvidos
desde que sou gente.
Bem-vindos
pois, de novo.
À vossa
e minha casa.

Relva, 2018-02-27
Aníbal Raposo
(Foto de Jorge Blayer Góis)

sexta-feira, fevereiro 26, 2016


















PONTÍFICE

A cada visita guiada
a medonhos precipícios
entre o presente e o futuro,
imagino pontes.

E rio muito
ao riscá-las,
esbeltas e firmes,
enlaçando as margens.

Relva, 2016-02-27
Aníbal Raposo

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

























DO ALVO

Podem não acreditar
Mas tenho de vos dizer:
É mais fácil criticar
Que fazer acontecer.

Perante todos assumo:
Não há maior alegria
Que manter na vida um rumo.
Levar a carta a Garcia.

Relva, 2016-02-10
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 14, 2016


















EM DIA DE AMIGOS E DE ALEX

É tempo de dizer-te caro amigo
(Acredites ou não, pouco me importa),
Que tu podes contar sempre comigo.
Até com um furacão batendo à porta.

Relva, 2016-01-14
Aníbal Raposo

(com o furacão Alex a chegar aos Açores)

sexta-feira, janeiro 08, 2016















EQUILÍBRIO

Às vezes
não é fácil viver em harmonia,
estar atento, ser solidário e bom.
Surge um problema:
- Elevam-nos muito o teto
e o tom, em demasia.
Apesar de darmos o melhor
no nosso dia a dia,
somos tidos por comparsas,
amigos do sistema.
Pois que não fique mágoa,
réstia de amargura.
Para nosso deleite,
a verdade é pura.
Tal como o azeite
acaba sempre por vir
à tona de água.

Relva, 2016-01-08
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 07, 2016





















DO PÁSSARO QUE SOU

Não procurem por mim
a caminhar por trilhos óbvios.

Levantem a cabeça
e adivinhem-me no azul.

Se tentarem cortar-me as asas
hei de sonhar escadas
para tocar ao céu.

Relva, 2016-01-07
Aníbal Raposo
foto de photo Milad Safabakhsh
in "A Lifetime Photgraphy

segunda-feira, dezembro 28, 2015


















DO RELEVO DA COR

Se há coisa
que sempre
me contenta

é devolver
o verde e o viço
à massa amorfa,

defunta de cinzenta.

Relva, 2015-12-03
© Aníbal Raposo


















CAÇADOR DE LUAS

Sou um furtivo
caçador de luas.

Consegues ver
um mar de prata
nos meus olhos?


Relva, 2015-12-28
© Aníbal Raposo

quarta-feira, dezembro 23, 2015
















UM OLHAR DENTRO DE MIM

Tenho vivido absorto, alegremente.
O tempo flui de forma displicente,
E a vida é curta, deve ser vivida.

Neste pisar de palco permanente
Digo p’ra mim, de forma consciente:
- Não há farsa maior que a minha vida.

Se chorar quero, rir, ou admirar-me
A Deus dar graças, reconciliar-me,
Comigo: Oro - a prece é um fortim.

Sempre que me pondero e me aprofundo,
E me apetece escarnecer do mundo,
Não tenho mais que olhar dentro de mim.

(Refletindo sobre um texto de António Vieira)

Relva, 2015-12-23
© Aníbal Raposo