quinta-feira, dezembro 06, 2018
quarta-feira, dezembro 05, 2018
Coisas da idade
COISAS DA IDADE
Tenho pensado, é verdade,
Neste meu dia festivo
Que esta coisa da idade
Tem muito de relativo.
Desafiando o engenho
Vamos a situações concretas
Vejam lá que idade tenho
Em cada um dos planetas.
Vamos a situações concretas
Vejam lá que idade tenho
Em cada um dos planetas.
Em Neptuno e em Plutão
E em Urano, é bom de ver,
Sou um lindo rapagão
Acabado de nascer.
E em Urano, é bom de ver,
Sou um lindo rapagão
Acabado de nascer.
Já em Júpiter e Saturno,
Não é nenhuma tolice,
Nem caso de alto coturno,
Eu ando na meninice.
Não é nenhuma tolice,
Nem caso de alto coturno,
Eu ando na meninice.
E se pensam que estou velho,
Continuando esta lida,
Em Marte, de tom vermelho,
Estou mesmo na flor da vida.
Continuando esta lida,
Em Marte, de tom vermelho,
Estou mesmo na flor da vida.
No lindo planeta azul
Já existe outro cenário
No norte como no sul
Sou rapaz sexagenário.
Já existe outro cenário
No norte como no sul
Sou rapaz sexagenário.
E, será que é bom augúrio?
Ficam a saber também
Que em Vénus e em Mercúrio
Meu nome é Matusalém.
Ficam a saber também
Que em Vénus e em Mercúrio
Meu nome é Matusalém.
Relva, 2018-12-05
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
segunda-feira, novembro 26, 2018
Saudades da maresia
sexta-feira, novembro 02, 2018
Pão por Deus
Pão por Deus
Ajuda sem dares o nome
Foi sempre o que ouvi dos meus
Quem dá pão a quem tem fome
Está a emprestar a Deus.
Foi sempre o que ouvi dos meus
Quem dá pão a quem tem fome
Está a emprestar a Deus.
Relva, 2018-11-01
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
quinta-feira, novembro 01, 2018
Em dia de finados
EM DIA DE FINADOS
Dar muito amor e cuidar
Daqueles que não têm voz
É uma forma de rezar
P'los que se foram de nós.
Daqueles que não têm voz
É uma forma de rezar
P'los que se foram de nós.
Relva, 2018-11-01
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
sexta-feira, outubro 19, 2018
Fajã
FAJÃ
Lugar de sonho, verde e claridade.
Do sol, da lua, da luz tão fugaz.
Aqui os meus sentidos são verdade.
Aqui meu coração encontra paz.
Do sol, da lua, da luz tão fugaz.
Aqui os meus sentidos são verdade.
Aqui meu coração encontra paz.
Relva, 2018-08-25
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
sábado, setembro 15, 2018
Aguardando a tempestade
AGUARDANDO A TEMPESTADE
As nuvens coaram na cinza toda a luz visível.
Imitando as gaivotas beijam a superfície do mar.
Isto não é tempo para pessoas.
Mais valia sermos aves? Peixes?
Não sei ao certo.
Mas duvido que haja criatura viva
que se adapte sem protesto
a um ar tão denso, de cortar à faca.
Solta-te, duma vez, vento educado!
Derrama-te, copiosa, chuva velada!
Nada há mais enfadonho
do que meias-tintas
e esperas sufocantes.
Relva, 2018-09-15
Aníbal Raposo
segunda-feira, julho 09, 2018
Dançarina
DANÇARINA
O teu bater de asas
é uma curta prece..
Parte o coração
de cada ave
do bando que se aninhou
neste meu peito.
Dança,
deusa do amor!
Pois se a vida é breve
colhamos a eternidade
dos momentos.
Relva, 2018-07-09
Aníbal Raposo
Foto: Alexander Yakovlev
quarta-feira, julho 04, 2018
O fim
O FIM
Caminhante compulsivo que sou
desfruto esta viagem.
Se sei por onde ando,
não sei para onde vou.
desfruto esta viagem.
Se sei por onde ando,
não sei para onde vou.
Só tenho como certo
um fim, que me seduz.
Um fim onde por fim
haverá luz.
um fim, que me seduz.
Um fim onde por fim
haverá luz.
Relva, 2018-07-04
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
sexta-feira, junho 22, 2018
Peguei em mim, indignei-me

PEGUEI EM MIM, INDIGNEI-ME...
Eles é que sabem...
Quem somos nós, pobres lusitanos, míseros seres ignaros,
Para contrariarmos as soluções mágicas que nos servem
E nos hão-de redimir, ao juro preciso, justo e correcto de 5,7% ?
Quem somos nós para enjeitarmos as tábuas de salvação
Que tão simpaticamente nos estendem, para que Portugal,
País quase milenar, não se afunde no lodoso pântano da indigência?
Para quê gastarmos uma fortuna a sustentar um governo,
A que chamamos nosso e a quem pagamos para nos desgovernar,
Se existe um FMI, concentrado sumo da inteligência estrangeira,
Que no decorrer duma curta visita ao rectângulo,
Para gentilmente nos pôr a mão à garganta e apertar o cinto,
Numa semana apenas, nos traça o rumo e aponta o norte?
Poderemos nós porventura correr o enorme risco
Experimentado, ao momento, pelos incautos cidadãos belgas?
Como é que eles têm o desplante de prescindir de governo durante um ano
E manter o país a funcionar?
Nós não somos capazes! Nós não podemos viver sem eles...
Acreditemos pois, pela décima centésima vez,
Nas mesma caras, nas mesmas palavras, nas mesmas propostas,
Nos mesmos pulhas, nos mesmos canalhas, na mesma súcia de bandidos.
Essa que chega ao poder com uma mão atrás e outra à frente,
E sai depois gorda, anafada, rica, a sobrenadar em euros,
E a gozar com a nossa cara de lorpas, imbecis .
Assim o queremos, assim o haveremos de ter.
Com a maior das facilidades dão-nos de bandeja as receitas certas para a crise
Cobrando-nos altos juros, penitência adequada aos nossos pecados mortais,
De termos fantasiado, por breves anos, pobres de nós,
Que éramos genuínos europeus e, portanto, ricos.
Mandões e exploradores de outros povos mais a sul
E portanto, naturalmente, mais desafortunados do que nós.
Bem feito!
Esses abutres, esses elementos das troikas da insensibilidade,
Essa corja de vendidos, sem valores nenhuns, nem pinga de moral,
Que são a vergonha da Europa e conspurcam todo o planeta azul,
Podem também ser putativos candidatos a presidentes da república,
E fazerem-se passar por socialistas, sociais-democratas e democratas cristãos.
Ao mesmo tempo, - viva o peixe - já que a carne é fraca,
Podem comportar-se como crápulas, violadores de mulheres indefesas,
Que ganham honestamente o seu salário num qualquer hotel de Nova Iorque.
Quem liga a isso? Pormenores...
Esses grandes filhos da mãe, são ao mesmo tempo imprescindíveis,
Profundos conhecedores das mezinhas certas, dos truques herméticos
Que mantêm viçosa a cor do dinheiro, esse fluido subtil que garante a nossa sobrevivência
Lubrificando a porca engrenagem da máquina que a cada dia alimentamos
E que, verdade seja dita, também nos alimenta.
Eles é que sabem dos juros correctos que deveremos pagar
Por termos experimentado inocentemente a oportunidade única
De saborear, por breves momentos, a ilusória vertigem de sermos ricos,
Enquanto a enorme bolha bolsista, soprada por engravatados vigaristas,
Inchava. Inchava de volume, inchava de activos tóxicos
E flutuava imponderável nos céus azuis da finança internacional
Para vir depois rebentar, inopinadamente, na nossa cara.
Catrapum! Assim. Sem dó nem piedade.
É pois tempo de vertermos algumas lágrimas e de recearmos o dia de amanhã.
Mas deveríamos e poderíamos também rir-nos até às lágrimas,
Na cara dos que nos tramaram a vida e que agora nos imploram votos.
Por que não proporcionar-lhes, em vez dos ditos votos,
Mil milhões de manguitos, servidos de borla e sem juros?
Esta seria a nossa contribuição generosa.
Dos que levaram o país à ruína
Dos que levaram o país à ruína
Após se terem aboletado,- os sem vergonha-,
Com salários de miséria e com opíparas reformas
De duzentos euros mensais!
Lisboa 2011-05-15
Tu és o meu farol
TU ÉS O MEU FAROL
esse teu subtil distanciamento…
Será que o nosso amor está ser lentamente erodido
pelo cansaço, coacção do nosso dia-a-dia?
as tuas ânsias, os teus receios, os teus desejos mais íntimos?
Tu, meu amor, és assim como um farol
no meio da cerrada bruma desta minha vida-tempestade.
destas três coisas que amo:
- um céu imenso salpicado de estrelas;
- um mar avassalador pleno de promessas
- um doce mundo recheado de esperanças.
Aníbal Raposo
sábado, junho 09, 2018
OS PÁSSAROS DE VENTO
Ah! Esta constante espera
pela visita dos pássaros
de vento...
pela visita dos pássaros
de vento...
Chegam, em grupo,
adejando em círculos,
por cima dos telhados.
Entram, depois, casa adentro,
sem bater à porta.
Sabem-na sem trinco
para antigas e cúmplices amizades.
adejando em círculos,
por cima dos telhados.
Entram, depois, casa adentro,
sem bater à porta.
Sabem-na sem trinco
para antigas e cúmplices amizades.
Em recente visita,
brindaram-me com uma
paleta repleta de cores.
Num golpe de magia,
libertaram estas velhas mãos,
para a vertigem dos tons e do traços
no deserto das telas cruas.
brindaram-me com uma
paleta repleta de cores.
Num golpe de magia,
libertaram estas velhas mãos,
para a vertigem dos tons e do traços
no deserto das telas cruas.
Suspiro
pela próxima.
pela próxima.
Prometeram
trazer-me de novo
a música das palavras.
trazer-me de novo
a música das palavras.
Relva, 2018-06-09
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
quinta-feira, março 29, 2018
OFERTAS DE PÁSCOA
Nesses dias de festa
faço um pedido:
-Não me ofereçam mais coelhos,
por favor. Nem de chocolate.
É meu sincero desejo que todos os coelhos
vivam por muitos anos e em paz,
saltitando felizes
por prados verdejantes.
Mas que uma vez falecidos,
assim se quedem.
É que se reproduzem muito.
Não atormentem pois os nossos sonhos
com esperanças de ressurreição.
Contudo, aceito um ovo.
Por razões de saúde,
sei que não devia.
Mas é que ouvi de alguém
que quem não peca
jamis poderá saber que a virtude
tem um vincado sabor a chocolate.
faço um pedido:
-Não me ofereçam mais coelhos,
por favor. Nem de chocolate.
É meu sincero desejo que todos os coelhos
vivam por muitos anos e em paz,
saltitando felizes
por prados verdejantes.
Mas que uma vez falecidos,
assim se quedem.
É que se reproduzem muito.
Não atormentem pois os nossos sonhos
com esperanças de ressurreição.
Contudo, aceito um ovo.
Por razões de saúde,
sei que não devia.
Mas é que ouvi de alguém
que quem não peca
jamis poderá saber que a virtude
tem um vincado sabor a chocolate.
Relva, 2018-03-29
Aníbal Raposo
quarta-feira, março 21, 2018
quarta-feira, março 07, 2018
quarta-feira, fevereiro 14, 2018
sábado, dezembro 30, 2017
quinta-feira, dezembro 07, 2017
quinta-feira, novembro 09, 2017
sexta-feira, novembro 03, 2017
SOBRE A CRIAÇÃO
Pretendes
criar algo de
novo?
Para começar
despe-te.
Despede-te
de ti.
Depois, levita
sobre os arremedos
de humanidade,
trasparentes
de vazios,
e escreve
sobre
o que te
corroi
a alma.
sobre os arremedos
de humanidade,
trasparentes
de vazios,
e escreve
sobre
o que te
corroi
a alma.
A sangue
quente.
quente.
Finalmente,
monta o cavalete
da loucura
e pinta
muito.
monta o cavalete
da loucura
e pinta
muito.
A manta.
Sentado,
tranquilamente,
sobre
tranquilamente,
sobre
um ovo..
2017-11-03
Aníbal Raposo
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