quinta-feira, janeiro 21, 2016















IN VINO VERITAS?

Bebi o vinho que me ofertaste amigo.
Em tragos pequenos sorvi qualidade.
De sabor ameno o J. P. Chenet
Casava as castas Syrah e Cabernet
Num perfeito laço. Três anos de idade.

E enquanto o bebia, pensei cá comigo:
- Momentos de paz os que passei contigo...
Viste a luz brilhante da eterna amizade?

Rua do Paiol, 22
Ponta Delgada, 2016-01-21
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 14, 2016
















EM DIA DE AMIGOS E DE ALEX

É tempo de dizer-te caro amigo
(Acredites ou não, pouco me importa),
Que tu podes contar sempre comigo.
Até com um furacão batendo à porta.

Relva, 2016-01-14
Aníbal Raposo

(com o furacão Alex a chegar aos Açores)

sexta-feira, janeiro 08, 2016













EQUILÍBRIO

Às vezes
não é fácil viver em harmonia,
estar atento, ser solidário e bom.
Surge um problema:
- Elevam-nos muito o teto
e o tom, em demasia.
Apesar de darmos o melhor
no nosso dia a dia,
somos tidos por comparsas,
amigos do sistema.
Pois que não fique mágoa,
réstia de amargura.
Para nosso deleite,
a verdade é pura.
Tal como o azeite
acaba sempre por vir
à tona de água.

Relva, 2016-01-08
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 07, 2016




















DO PÁSSARO QUE SOU

Não procurem por mim
a caminhar por trilhos óbvios.

Levantem a cabeça
e adivinhem-me no azul.

Se tentarem cortar-me as asas
hei de sonhar escadas
para tocar ao céu.

Relva, 2016-01-07
Aníbal Raposo
foto de photo Milad Safabakhsh
in "A Lifetime Photgraphy

segunda-feira, dezembro 28, 2015


















DO RELEVO DA COR

Se há coisa
que sempre
me contenta

é devolver
o verde e o viço
à massa amorfa,

defunta de cinzenta.

Relva, 2015-12-03
© Aníbal Raposo


















CAÇADOR DE LUAS

Sou um furtivo
caçador de luas.

Consegues ver
um mar de prata
nos meus olhos?


Relva, 2015-12-28
© Aníbal Raposo

quarta-feira, dezembro 23, 2015
















UM OLHAR DENTRO DE MIM

Tenho vivido absorto, alegremente.
O tempo flui de forma displicente,
E a vida é curta, deve ser vivida.

Neste pisar de palco permanente
Digo p’ra mim, de forma consciente:
- Não há farsa maior que a minha vida.

Se chorar quero, rir, ou admirar-me
A Deus dar graças, reconciliar-me,
Comigo: Oro - a prece é um fortim.

Sempre que me pondero e me aprofundo,
E me apetece escarnecer do mundo,
Não tenho mais que olhar dentro de mim.

(Refletindo sobre um texto de António Vieira)

Relva, 2015-12-23
© Aníbal Raposo


sábado, dezembro 05, 2015









ANIVERSÁRIO

Neste dia peço a Deus
Que me brinde com a sorte
De ter o amor dos meus

De nunca perder o norte
E conservar o juízo,
O bem de que mais preciso,
Até à hora da morte.

Relva, 2015-12-05
© Aníbal Raposo

quinta-feira, novembro 12, 2015


























A CHAVE DO TEMPO

Há uma chave do tempo
para cada existência.

Se a conseguires encontrar
transformas, como por magia,
um breve segundo
numa eternidade.

Relva, 2015-11-12
© Aníbal Raposo

Foto: Caras Ionut

segunda-feira, outubro 26, 2015

A pintura dos sons

















Pinto de cores distintas os sons
da minha vida. É uma forma simples
de a encher com flores.

Relva 2015-10-26
Aníbal Raposo

sábado, outubro 24, 2015



DESAFIO

Como libertar
a complexidade
que mora em cada sentimento
da penosa contenção que há na palavra?

É este,
de modo simples,
o enorme desafio do poeta.

Relva, 2015-10-24
Aníbal Raposo

sexta-feira, junho 12, 2015


















DAS GUERRAS DE AMOR

Leva-me ao teu tanque secreto
E mata a minha sede.

Toca a melodia dos sobrevivos
nas teclas feiticeiras
do teu acordeão.

Aponta e dispara sem medo
neste meu peito aberto.

Explode coração!


Relva, 2015-06-12
Aníbal Raposo

photo Leszek Paradowski

terça-feira, junho 09, 2015




















SAUDADES

De mim
não tens sinal?

Moro
mesmo à direita
dum poste de luz
por trás dum estendal.

Aí é que me vês.
Na rua de nenhures
ovo quarenta e três.

Relva, 2015-06-09
Aníbal Raposo

























CONCISO

É preciso
o siso
soltar
se viso
voar.

Relva, 2015-06-09
Aníbal Raposo

sexta-feira, junho 05, 2015


















NINHO DE MILHAFRE

Gosto de pensar
na minha casa como mirante
de todas as chegadas.

Lugar sobranceiro
a todas as partidas. 

Relva, 2015-05-05

Aníbal Raposo

sexta-feira, maio 29, 2015

















ONDE CAÇAR VERSOS

no musgo do tronco duma velha árvore;
na manhã radiante dum sorriso breve;

num abraço rubro, sol na tua face;
no verde de esperança das folhas dum trevo;

nas nuvens de vento que riscam os céus;
no vermelho chama da cor dos teus lábios;

nos olhos escuros da moira encantada;
nas tocas de coelho com palavras quentes;

na força medonha das ondas do mar;
nos jornais que vestem os seres sem abrigo;

na alegria à solta em cada criança;
no jeito dum pisco de peito laranja;

no espelho de água junto da nascente;
numa mão sincera que nos é estendida;

no amor ao outro, sentido e profundo;
no botão da rosa janela do mundo.

Relva, 2015-05-29
Aníbal Raposo

quinta-feira, maio 28, 2015
















O QUE DEVES SER

Tronco de araucária
que arrosta na cara
fortes tempestades
mantendo a prumada?
Altivo mais vale
quebrar que torcer?

Ou singela cana,
vergando sensível
em sábia atitude
no silvo do vento
entrando na dança
sem perder o fito?

Sabes guardar biscas
Prontas a bater
E descartar
duques?

Espetar a faca
fundo ao coração
vencendo o revés?

Se sabes
já és.


Relva, 2015-05-29
Aníbal Raposo


segunda-feira, maio 25, 2015














NO DIA DOS AÇORES
Cobre-nos com a Tua asa,
Deus, língua de fogo ardente,
Criador de maravilhas.
Abençoa a nossa casa,
Ilumina a nossa mente,
E protege as nossas ilhas.

Relva, 2015-05-25
Aníbal Raposo

quinta-feira, maio 14, 2015












PORQUE CANTO

Canto.
E é impossível
prender a minha voz
nas correntes de aço
duma tendência qualquer.

Nasceu sem amos,
viverá sempre liberta
e livre partirá
quando este mundo,
fatalmente,
a esquecer.

Relva, 2015-05-14
Aníbal Raposo

sexta-feira, abril 24, 2015


















VELEIRO MEU

Lavra-me este mar
Enche-me os panos
Que o sonho é navegar
Por mais uns anos

Relva, 2015-04-23
Aníbal Raposo

quinta-feira, abril 23, 2015


















AMANTES

Deito-me contigo todos os dias
Em lúbricas relações vadias
Fogosas, delirantes.

Não te concebo etéreo.
Gosto de apalpar-te,
Sorver-te, degustar-te,
No lume dos amantes.

Relva, 2015-03-23
Aníbal Raposo

terça-feira, abril 14, 2015




















DOM QUIXOTE

Todos os dias me arranjam castelos para acometer.
Pobre de mim que apenas tento não tropeçar nas pedras do caminho...

Relva, 2015-04-14
Aníbal Raposo

sábado, abril 11, 2015

Das fronteiras
















DAS FRONTEIRAS

Ah essa mesquinha morbidez
De interpor barreiras
E de erguer fronteiras
Escusadas.

Quem dera, ao invés, a sensatez,
De inventar clareiras
No inclinar de todas as bandeiras
A novas madrugadas.

Relva, 2015-04-11
Aníbal Raposo

segunda-feira, março 16, 2015























LEVITAÇÃO

Se existe coisa
que gosto, que aprecio,
que é arte irreverente
e eterna novidade,

é ver alguém
dançar, num desafio
ao corpo, à mente
e às leis da gravidade.

Relva, 2015-03-16
Aníbal Raposo















PRIMAVERA


Há trilhos sinuosos,
e ruas desta ilha,
esperando Ave Marias.

Um cheiro adocicado,
familiar e espesso,
nas flores de cada incenso.

Rebentos verdejantes,
que explodem pelos ramos
na pressa de nascer.

Angústias aos milhares
que aguardam o consolo
de orações penitentes.

E há um fogo aceso
no olhar de cada irmão
que anseia a caminhada.

Relva, 2015-03-16
Aníbal Raposo

sábado, março 14, 2015



















DOÇURA


Loucura de prazer
Subir aos céus
Sem pressa. A sorver
O mel dos lábios teus.

Relva, 2015-03-14
Aníbal Raposo

foto de Max Lofti 

sexta-feira, março 13, 2015

Da alma

















DA ALMA
Sabes o que penso:
Somos tão pequenos...
Digo-te com calma.

Cada vez me convenço
Mais, que somos menos
Corpo do que alma.

Relva, 2015-03-13
Aníbal Raposo

(No dia em que abalou a esposa e a mãe de dois irmãos meus)

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

quinta-feira, fevereiro 26, 2015













GUITARRA

Toco-te
e de cada vez que o faço
tenho a sensação intensa e leda
de inaugurar uma manhã
bela e radiosa.

Abraço-te
como quem cinge
um corpo delicado,
e estreia uma paixão
novinha em folha.

Relva, 2015-02-26
Aníbal Raposo

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Um breve instante


























UM BREVE INSTANTE

Já toquei a linha do esquecimento
tendo aprendido o sentido primeiro
desta vida: fruir cada momento
porque ele é singular e derradeiro.

Relva, 2015-02-24
Aníbal Raposo

domingo, fevereiro 22, 2015

O cais das sete partidas

























O CAIS DAS SETE PARTIDAS

Ler bons livros é largar
Do cais das sete partidas
E em escassos momentos
Conseguir reencarnar
Somando conhecimentos
Dum mar de vidas vividas.

Relva, 2015-02-22
Aníbal Raposo

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Abrigo


























ABRIGO

Com céus de breu
venha um chapéu,
um ombro amigo.

Nada melhor
do que dispor
dum bom abrigo.

Relva, 2015-02-20
Aníbal Raposo

sábado, fevereiro 14, 2015















DIA DE SÃO VALENTIM

Querida Helena,
Hoje não vale mesmo a pena,
é dia adverso.

Amanhã,
pela manhã,
faço-te um verso.

Relva, 2015-02-14
Aníbal Raposo















ENTRUDO

No Carnaval consigo apreciar
danças de espada,
bailinhos,enredos,
fantasias.

Desagrada-me dançar com multidões.
Na turba há qualquer coisa
que tolhe o pensamento.

Não prezo também
os dias de.
Nem que me prometam festa
p'ra me calcarem calos.

Quando me apetece chorar, choro.
Se me apetece rir, rio.
Quando e se.

Não me embriago
de Entrudos.

Basta-me o Carnaval
de cada dia.

Relva, 2015-02-14
Aníbal Raposo

sexta-feira, fevereiro 13, 2015






















CONSTRUTORES DE CATEDRAIS

Há quem erga catedrais
sobre as falésias, junto ao mar.
As torres buscando os céus.

Sábios pedreiros.

Sede de luz!
Da voz de Deus!

Relva, 2015-02-13
Aníbal Raposo












DA SIMPLICIDADE

Mas que vista tão singela:
- uma árvore e uma capela.

Numa ramos p'ra poisar
Noutra paz para rezar.

Ali estão sem sobressalto
Apontam ambas ao alto.


Relva, 2015-02-13
Aníbal Raposo

quinta-feira, fevereiro 12, 2015





















PAZ PODRE

(Leitura possível duma fotografia)

Houve alguém que suspendeu
usando de arte secreta
o fluir da areia fina
no gargalo da ampulheta.

Quem muita vida viveu
e lê os sinais da sorte
duma completa acalmia
só espera um sismo forte.

O artista e o contrabaixo,
vivem enorme paixão.
Tensões fortes e latentes
dividem o corvo e o cão.

Entre o artista e o corvo
vão só uns metros de chão.
Entre o perro e o instrumento
não se alcança ligação.

Há um contrabaixo e um corvo
mas não há magia, não.
Vejo um cão e um artista
mas não se nota afeição.

A ruína e o poeta
partilham a inquietação.


Relva, 2015-02-12
Aníbal Raposo

AVERSÕES E AFETOS

Nunca gostei de correntes
Abomino cadeados
Prezo as almas transparentes
Amo anseios libertados

Relva, 2015-02-12
Aníbal Raposo

terça-feira, fevereiro 10, 2015



















DOS SIGNOS

Pelo dia e mês
final e derradeiro
em que ao mundo cheguei
sou por metade gente:
- um rijo arqueiro
que envolto em feroz halo,
viril empunha o arco,
atira aos céus a flecha
e logo segue lesto.
No resto
sou cavalo...

Pelo ano, porém,
e pelo sinete que advém,
do velho e sino signo,
de pronto me resigno:
sou ginete...

Nascido Sagitário
já me juram que os astros
guardaram só bondade
para a minha criatura:
- ser positiva e sincera,
amar a liberdade,
gostar de viajar
prezar uma aventura.

Porém, de quando em vez,
vejo-me a erguer a espada.
Sem que haja um bom motivo,
atiro uma patada
e ponho-me ao estalo.

Isso é pouco cortez.
Admito ser errado.
Mas logo retratado,
a contrição rezada,
pisado sobrevivo.

Reajo assim, emotivo,
e falho por ser gente.
Mas gosto de estar vivo.
Possuo sangue quente,
e dois signos de cavalo...

Relva, 2015-02-10
Aníbal Raposo

segunda-feira, fevereiro 09, 2015















UM VELEIRO NOS TRÓPICOS

Um veleiro nos trópicos buscando ternas angras.
A sensual beleza dum corpo de mulher.

A lasciva humidade que atiça a fantasia.
A tumidez da carne, em gritos de clausura,  
Velada em escassos véus num jogo de adivinhas.

As narinas abertas, ansiando odores dementes.
Um vulcão incontido, a erupção prevista.


Relva, 2015-02-09
Aníbal Raposo

sábado, fevereiro 07, 2015























DA ARTE DA PODA

Como pensar conter
o poder do raciocínio?

As ideias
são como ramos novos
que brotam irreverentes
nas erupções da mente,
perene árvore do espanto.

Bem sei
que sempre hão de existir
inquisidores de serviço,
de pena e foice em riste.

Gente que domina e aprecia
a afiada e bem retribuída arte do sufoco.

Mas para o bem
do equilíbrio universal,
há sempre ideias-ramos que resistem:
- À fúria das mentes castradoras.
- À cegueira das tesouras de podar.

Relva, 2015-02-07
Aníbal Raposo

sexta-feira, fevereiro 06, 2015



ARCO DE TRIUNFO

Por que razão
é celebrada
a glória em arco?

Para lembrar
como é fugaz,
e em breve cessa?

Nasce no chão
aponta ao céu,
e ao chão regressa...

Relva, 2015-02-06
Aníbal Raposo

quinta-feira, fevereiro 05, 2015














TONS
Entre o que é preto e branco,
moram cinzentos vários.

O tempo é sábio. Revela gradações
diversas em firmes certezas.

Gosto de pensar
que, numa vida repleta de sons,
consegui distinguir fortes mudanças
escondidas em quartos de tom.

Relva, 2015-02-05
Aníbal Raposo















DA PARTIDA

Não conheço as coordenadas
do lugar para onde vou.

Nem vos posso assegurar
a hora em que o farei,
mas sei que vou partir.

Conforta-me a ideia
de ter um cais por perto.

É avisado ter a alma
pronta, no içar das velas.

Rezo para se faça com mar chão.


Relva, 2015-02-05
Aníbal Raposo

segunda-feira, fevereiro 02, 2015



















DOS PAVÕES

A coisa que mais odeio
É ver uma besta quadrada
Que se exibe em  pavoneio
Pisando terra queimada.

Relva, 2015-02-02
Aníbal Raposo

sexta-feira, janeiro 30, 2015






















DO EQUILÍBRIO  (III)

Como é difícil ter rumo
Princípios, honra, decência
Manter o fio de prumo
No mundo da concorrência

Relva, 2015-01-30
Aníbal Raposo






















DO EQUILÍBRIO (II)

Por vezes não é viável
A meta tão perseguida
De obter o equilíbrio instável
No monociclo da vida

Relva 2015-01-30
Aníbal Raposo



DO EQUILÍBRIO

Falar é fácil, caramba,
Difícil mesmo, meu irmão,
É viver na corda bamba
Sem dar com os burros no chão.

Relva 2015-01-30
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 29, 2015












DA PINTURA

Vou dizer-vos com franqueza
Esta vida é um papel
Onde dou cor à tristeza
Com a ponta do meu pincel

Relva, 2015-01-29
Aníbal Raposo

terça-feira, janeiro 27, 2015













GUITARRA

Cordas da minha guitarra
Seis irmãs de trato fino
É nelas que se desgarra
A certeza do destino

Relva, 2015-01-27
Aníbal Raposo