sexta-feira, abril 29, 2016
ECCE HOMO
Sei que amanhã,
quando sair do templo a tua santa imagem,
ecoará o som das roqueiras,
festivo, na falésia.
Por essa altura,
que com as aves me levanto,
já terei louvado e invocado
setenta vezes sete
o teu sagrado nome.
E enxergado, aonde o olhar puser,
o rasgo sublime da tua
mão criadora.
Em cada melro que vier
riscar o azul do céu.
Em cada peixe
que vir saltar no mar.
Em cada flor singela
empenhada em colorir
o belo quadro
desta fajã que ambos
partilhamos.
Amen.
Relva, 2016-04-29
Aníbal Raposo
(na sexta-feira do Senhor Santo Cristo)
segunda-feira, abril 25, 2016
25 DE ABRIL
E depois da noite escura
rasgou-se a clara madrugada.
rasgou-se a clara madrugada.
Não se encontrava
peito bastante
para entoar o sonho
encurralado.
peito bastante
para entoar o sonho
encurralado.
Um hino
cravejado de alegria
cravejado de alegria
Uma oração espontânea
à Santa Liberdade!
à Santa Liberdade!
Relva, 2016-04-25
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
sexta-feira, abril 22, 2016
sábado, abril 16, 2016
CARA E COROA
Eu tenho um lado negro que esclarece
O meu lado solar do dia a dia.
É o meu flanco insensato, onde se tece
O sal da minha vida, o da alegria.
Colidem seriamente, aqui e além,
Mas fazem sempre as pazes. É espantoso
Como o lado que é escuro entende bem
O que é da claridade, o luminoso.
Opõe-se a maré vaza à maré cheia,
À sombra opõe-se a luz que me encandeia.
Cada moeda tem cara e tem coroa.
Depois de cada noite, um amanhecer.
Assim sou eu e como é bom haver
Dois lados desiguais, uma pessoa.
Relva, 2016-04-16
Aníbal Raposo
Foto de Isidro Vieira
domingo, abril 10, 2016
sexta-feira, abril 08, 2016
quinta-feira, abril 07, 2016
quarta-feira, abril 06, 2016
sexta-feira, abril 01, 2016
quinta-feira, março 31, 2016
quarta-feira, março 30, 2016
POENTE
Assim pressagio ser
o fim dos dias.
Nítida imagem dum velho navio encalhado,
cedendo aos poucos à inevitável erosão do tempo,
num enorme deserto de frívolas banalidades.
Será que alguém recordará as marcas singulares
que as minhas desgastadas sandálias peregrinas
desenharam na impiedosa arena que é a vida?
Pouco me interessa...
Sonhei,
segui um rumo,
e fiz por ser feliz.
Relva 2016-03-30
Aníbal Raposo
segunda-feira, março 21, 2016
segunda-feira, março 07, 2016
domingo, março 06, 2016
A VISITA
Hoje, não falámos muito.
Para quê amigo?
Sei que que te faltam forças
para pronunciar palavras
não essenciais.
Sei que que te faltam forças
para pronunciar palavras
não essenciais.
Mantinhas os olhos cerrados
enquanto respiravas a custo.
O importante era estar ali contigo
compartilhando um silêncio
indulgente para os dois.
enquanto respiravas a custo.
O importante era estar ali contigo
compartilhando um silêncio
indulgente para os dois.
Preferiste que me sentasse
na cama ao teu lado.
E apertaste-me as mãos.
Com a voz fraca, referiste
que gostarias de largar
durante o sono.
na cama ao teu lado.
E apertaste-me as mãos.
Com a voz fraca, referiste
que gostarias de largar
durante o sono.
Disse-te,
para não teres medo,
para procurares a luz.
para não teres medo,
para procurares a luz.
E falei-te tranquilamente
na paz e no mar de azeite
que encontrei este sábado na fajã.
na paz e no mar de azeite
que encontrei este sábado na fajã.
Quando o teu anjo da guarda chegou
Achámos que era boa hora de eu partir.
Achámos que era boa hora de eu partir.
Já no corredor do bloco,
soltou-se, incontrolado.
um rio caudaloso
dos meus olhos.
soltou-se, incontrolado.
um rio caudaloso
dos meus olhos.
Relva, 2016-03-06
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
sexta-feira, março 04, 2016
quinta-feira, março 03, 2016
sábado, fevereiro 27, 2016
SOU EU
Aguardo
ansiosamente
pela iminente chegada
dos verdadeiros donos
da fajã.
ansiosamente
pela iminente chegada
dos verdadeiros donos
da fajã.
Já arrumei a casa a alguns.
Obrigações de quem sente
usar o sítio por empréstimo...
usar o sítio por empréstimo...
Bem sei que para vós,
irmãos alados,
ovo sumido
é ano perdido.
irmãos alados,
ovo sumido
é ano perdido.
Quem é? Quem é?
Quem é?
Quem é?
Este é um mantra
que deleita os meus ouvidos
desde que sou gente.
que deleita os meus ouvidos
desde que sou gente.
Bem-vindos
pois, de novo.
pois, de novo.
À vossa
e minha casa.
e minha casa.
Relva, 2018-02-27
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
(Foto de Jorge Blayer Góis)
sexta-feira, fevereiro 26, 2016
quarta-feira, fevereiro 10, 2016
quinta-feira, janeiro 21, 2016
IN VINO VERITAS?
Bebi o vinho que me ofertaste amigo.
Em tragos pequenos sorvi qualidade.
De sabor ameno o J. P. Chenet
Casava as castas Syrah e Cabernet
Num perfeito laço. Três anos de idade.
E enquanto o bebia, pensei cá comigo:
- Momentos de paz os que passei contigo...
Viste a luz brilhante da eterna amizade?
Rua do Paiol, 22
Ponta Delgada, 2016-01-21
Aníbal Raposo
quinta-feira, janeiro 14, 2016
sexta-feira, janeiro 08, 2016
EQUILÍBRIO
Às vezes
não é fácil viver em harmonia,
estar atento, ser solidário e bom.
estar atento, ser solidário e bom.
Surge um problema:
- Elevam-nos muito o teto
e o tom, em demasia.
- Elevam-nos muito o teto
e o tom, em demasia.
Apesar de darmos o melhor
no nosso dia a dia,
somos tidos por comparsas,
amigos do sistema.
no nosso dia a dia,
somos tidos por comparsas,
amigos do sistema.
Pois que não fique mágoa,
réstia de amargura.
réstia de amargura.
Para nosso deleite,
a verdade é pura.
a verdade é pura.
Tal como o azeite
acaba sempre por vir
à tona de água.
acaba sempre por vir
à tona de água.
Relva, 2016-01-08
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
quinta-feira, janeiro 07, 2016
segunda-feira, dezembro 28, 2015
quarta-feira, dezembro 23, 2015
UM OLHAR DENTRO DE MIM
Tenho vivido
absorto, alegremente.
O tempo flui
de forma displicente,
E a vida é
curta, deve ser vivida.
Neste pisar de palco permanente
Digo p’ra mim,
de forma consciente:
- Não há
farsa maior que a minha vida.
Se chorar
quero, rir, ou admirar-me
A Deus dar
graças, reconciliar-me,
Comigo: Oro - a prece é um fortim.
Sempre que
me pondero e me aprofundo,
E me apetece
escarnecer do mundo,
Não tenho
mais que olhar dentro de mim.
(Refletindo sobre um texto de António Vieira)
Relva,
2015-12-23
© Aníbal
Raposo
sábado, dezembro 05, 2015
quinta-feira, novembro 12, 2015
segunda-feira, outubro 26, 2015
A pintura dos sons
Pinto de cores distintas os sons
da minha vida. É uma forma simples
de a encher com flores.
Relva 2015-10-26
Aníbal Raposo
sábado, outubro 24, 2015
sexta-feira, junho 12, 2015
terça-feira, junho 09, 2015
sexta-feira, junho 05, 2015
sexta-feira, maio 29, 2015

ONDE CAÇAR VERSOS
no musgo do tronco duma velha árvore;
na manhã radiante dum sorriso breve;
num abraço rubro, sol na tua face;
no verde de esperança das folhas dum trevo;
nas nuvens de vento que riscam os céus;
no vermelho chama da cor dos teus lábios;
nos olhos escuros da moira encantada;
nas tocas de coelho com palavras quentes;
na força medonha das ondas do mar;
nos jornais que vestem os seres sem abrigo;
na alegria à solta em cada criança;
no jeito dum pisco de peito laranja;
no espelho de água junto da nascente;
numa mão sincera que nos é estendida;
no amor ao outro, sentido e profundo;
no botão da rosa janela do mundo.
Relva, 2015-05-29
Aníbal Raposo
quinta-feira, maio 28, 2015
O QUE DEVES SER
Tronco de araucária
que arrosta na cara
fortes tempestades
mantendo a prumada?
Altivo mais vale
quebrar que torcer?
Ou singela cana,
vergando sensível
em sábia atitude
no silvo do vento
entrando na dança
sem perder o fito?
Sabes guardar biscas
Prontas a bater
E descartar
duques?
Espetar a faca
fundo ao coração
vencendo o revés?
Se sabes
já és.
Relva, 2015-05-29
Aníbal Raposo
segunda-feira, maio 25, 2015
quinta-feira, maio 14, 2015
sexta-feira, abril 24, 2015
quinta-feira, abril 23, 2015
terça-feira, abril 14, 2015
sábado, abril 11, 2015
Das fronteiras
DAS FRONTEIRAS
Ah essa mesquinha morbidez
De interpor barreiras
E de erguer fronteiras
Escusadas.
Quem dera, ao invés, a sensatez,
De inventar clareiras
No inclinar de todas as bandeiras
A novas madrugadas.
Relva, 2015-04-11
Aníbal Raposo
segunda-feira, março 16, 2015
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PRIMAVERA
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Há trilhos sinuosos,
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e ruas desta ilha,
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esperando Ave Marias.
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Um cheiro adocicado,
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familiar e espesso,
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nas flores de cada incenso.
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Rebentos verdejantes,
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que explodem pelos ramos
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na pressa de nascer.
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Angústias aos milhares
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que aguardam o consolo
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de orações penitentes.
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E há um fogo aceso
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no olhar de cada irmão
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que anseia a caminhada.
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Relva, 2015-03-16
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Aníbal Raposo
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sábado, março 14, 2015
sexta-feira, março 13, 2015
Da alma
DA ALMA
Sabes o que penso:
Somos tão pequenos...
Digo-te com calma.
Somos tão pequenos...
Digo-te com calma.
Cada vez me convenço
Mais, que somos menos
Corpo do que alma.
Mais, que somos menos
Corpo do que alma.
Relva, 2015-03-13
Aníbal Raposo
Aníbal Raposo
(No dia em que abalou a esposa e a mãe de dois irmãos meus)
sexta-feira, fevereiro 27, 2015
quinta-feira, fevereiro 26, 2015
terça-feira, fevereiro 24, 2015
Um breve instante
UM BREVE INSTANTE
Já toquei a linha do esquecimento
tendo aprendido o sentido primeiro
desta vida: fruir cada momento
porque ele é singular e derradeiro.
Relva, 2015-02-24
Aníbal Raposo
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