domingo, julho 17, 2016


















SER ILHÉU

Ser ilhéu é viver só
No meio de muita gente
De nós ninguém tenha dó
Temos o mar pela frente…
É viver a liberdade
Em constante despedida
Já ter no lenço a Saudade
Antes de vir a partida
Saber cantar a folia
Saber benzer o quebranto
E dar vivas de alegria
Nas Festas do Espírito Santo
Também descer às fajãs
Beber da noite o luar
Apreciar as manhãs
E ouvir os búzios do mar
Não ter certezas nenhumas
Numa terra em convulsões
Acordar por entre as brumas
E adormecer nos vulcões
Seja qual for o momento
Ter calma, sermos serenos
Olhar bem o firmamento
E ver que somos pequenos
É pôr o sonho na mira
Estar em paz, mesmo na guerra
Saber tanger uma Lira
Numa viola da terra

Aníbal Raposo
2012-08-27

sexta-feira, julho 08, 2016












EU GOSTO DE ANDAR POR CÁ

Não há maior emoção
Do que amar e ser amado
Amigos do coração
Saúde e muito obrigado.

Já descanso no meu ninho
Deram-me alta, já está.
Só pelo vosso carinho
Vale a pena andar por cá.

E ganha sabedoria
Quem esteve do outro lado
Sabe bem que cada dia
Deve ser aproveitado.

Relva, 2016-07-08
Aníbal Raposo

sábado, julho 02, 2016




















TEMPO INSTÁVEL

Gosto de acordar assim
com tempo instável:
Uma chuva de beijos brotando dos teus lábios;
Um sol radioso a sorrir na tua face.

Relva, 2016-07-02
Aníbal Raposo

quinta-feira, junho 30, 2016

















PORTUGAL - POLÓNIA

Estava toda uma nação
Com vontade de vencer
Aguenta aí coração,
Isto é muito padecer...

Relva 2016-06-30
Aníbal Raposo














PORTUGAL - POLÓNIA

Estava toda uma nação
Com vontade de vencer
Aguenta aí coração,
Isto é muito padecer...

Relva 2016-06-30
Aníbal Raposo













PEDRAS NO CAMINHO

Mais uma etapa cumprida
Mais um medo ultrapassado
Por me encheres de luz a vida 
Meus Deus, o meu obrigado.
Relva, 2016-06-30
Aníbal Raposo


S. JOÃO DO PORTO

Oh meu rico S. João
Meu santinho predileto
Sempre no meu coração
Com o Porto do meu afeto.

Relva, 2016-06-24
Aníbal Raposo

segunda-feira, junho 20, 2016













DO JOGO


Há duas ocasiões
Em que não deves jogar:
Quando não tens condições
Ou quando as tens a sobrar.


(A partir dum pensamento de Mark Twain)

quarta-feira, junho 15, 2016



















TU ÉS AQUILO QUE ESPALHAS

Honras, dinheiro e mais tralhas
Com tudo isto te besuntas.
Não sabes que és o que espalhas
E não aquilo que juntas?

Relva, 2016-06-15
Aníbal Raposo

terça-feira, maio 17, 2016


















AÇORES

Acima do que é certo,
um infinito azul
a descobrir
e um navio.

O eterno
desafio.

Relva, 2016-05-17
Aníbal Raposo

(foto do meu amigo Rui Coutinho)

sexta-feira, maio 13, 2016



















LIBERTAÇÃO

Cinco pegadas soltas,
só cinco,
na areia.

Para trás a fronteira
de arame farpado,
uma teia.

Uma ânsia da vida
que é breve,
escasseia.

Uma treva de noite
feita claridade.
Uma lua,
cheia.

Relva, 2016-05-13
Aníbal Raposo



















    DA CRIATIVIDADE

    Se queres manter a tua mente
    aberta, em modo criação,
    não tenhas medo.

    Quem tem medo,
    não cria:

    - ou mia
    ou compra
    um cão.

    Relva, 2016-05-13
    Aníbal Raposo

























SOMBRAS E REALIDADES

Quantas vezes
as sombras visíveis
suplantam as dimensões
da realidade?

Relva, 2016-05-13
Aníbal Raposo

foto de Manolo Mantero

sábado, maio 07, 2016


O ETERNO RETORNO

Sempre
que quero
nascer de novo.

É simples:
volto ao ovo.

Relva, 2016-05-07
Aníbal Raposo

sexta-feira, maio 06, 2016



























VIAGEM

Uma lua cheia,
um sonho
e um barco.

É certo
que embarco.

Relva, 2016-05-06
Aníbal Raposo

quinta-feira, maio 05, 2016
















ALEGORIA

Quem foi que ligou o projetor de imagens,
instalou a tela mesmo à minha frente,
e baixou a luz no resto da sala?

Quem me acorrentou neste assento suave
para me servir os assuntos certos?

Quem os fez tão gratos perante os meus olhos
e me aprisionou nesta realidade?

Não há sequestrados
que amam quem os prende?

Relva, 2016-05-05
Aníbal Raposo

quarta-feira, maio 04, 2016

























AMOR À VIDA

Enquanto esvoaçarem
da concha das minhas mãos inquietas
pássaros livres.

E conseguir servir
favos de mel, em melodias suaves,
a corações sensíveis.

Penso ficar.

Quem sabe o que Deus pensa?

Relva, 2015-05-04
Aníbal Raposo

foto de Sophie Delaporte in "A lifetime photography"

domingo, maio 01, 2016


























MÃE

Guardo no meu peito
dez sinos de vento.

Bem vistas as coisas
nada mais possuo.

Recordam quem sou
e quem pretendo ser.

São lembranças tuas
minha mãe querida.


Relva, 2016-05-01
Aníbal Raposo



sexta-feira, abril 29, 2016














ECCE HOMO

Sei que amanhã,
quando sair do templo a tua santa imagem,
ecoará o som das roqueiras,
festivo, na falésia.

Por essa altura,
que com as aves me levanto,
já terei louvado e invocado
setenta vezes sete
o teu sagrado nome.

E enxergado, aonde o olhar puser,
o rasgo sublime da tua
mão criadora.

Em cada melro que vier
riscar o azul do céu.

Em cada peixe
que vir saltar no mar.

Em cada flor singela
empenhada em colorir
o belo quadro
desta fajã que ambos
partilhamos.

Amen.


Relva, 2016-04-29
Aníbal Raposo

(na sexta-feira do Senhor Santo Cristo)

























DA SAPIÊNCIA

Claro que posso voar.
Ah, se não posso...

E sei nadar também.
É coisa inata.

Mas há maior conforto
que descansar, serenamente,
tendo a cabeça e os pés enxutos?

Relva, 2016-04-29
Aníbal Raposo

Foto de Allan Borebor

segunda-feira, abril 25, 2016














25 DE ABRIL

E depois da noite escura
rasgou-se a clara madrugada.
Não se encontrava
peito bastante
para entoar o sonho
encurralado.
Um hino
cravejado de alegria
Uma oração espontânea
à Santa Liberdade!

Relva, 2016-04-25
Aníbal Raposo

sexta-feira, abril 22, 2016

















TERRA

Um barco curioso
na navegação do teu corpo.

As narinas abertas
à sedução dos teus cheiros.

Em cada fim de semana
a folia dos amantes.


Relva, 2016-04-22
Aníbal Raposo
(no dia da terra)

sábado, abril 16, 2016

















CARA E COROA

Eu tenho um lado negro que esclarece
O meu lado solar do dia a dia.
É o meu flanco insensato, onde se tece
O sal da minha vida, o da alegria.

Colidem seriamente, aqui e além,
Mas fazem sempre as pazes. É espantoso
Como o lado que é escuro entende bem
O que é da claridade, o luminoso.

Opõe-se a maré vaza à maré cheia,
À sombra opõe-se a luz que me encandeia.
Cada moeda tem cara e tem coroa.

Depois de cada noite, um amanhecer.
Assim sou eu e como é bom haver
Dois lados desiguais, uma pessoa.

Relva, 2016-04-16
Aníbal Raposo

Foto de Isidro Vieira

domingo, abril 10, 2016




















O BARCO E A TEMPESTADE

Às vezes, de verdade,
sou um barco singular.
Amo a tempestade.

Relva, 2016-04-10
Aníbal Raposo


Pintura "into the light" de Chris Pointer

sexta-feira, abril 08, 2016
















AMBIÇÕES

Invejo a bebedeira da seta
na vertiginosa busca
do fim, da verdade.

Adoro de viajar
com ela.

Porém, ao fazê-lo,
confesso prudentes receios
de me estampar
no alvo.

Relva, 2016-04-08
Aníbal Raposo

quinta-feira, abril 07, 2016
















TEMPO E INDOLÊNCIA

Façam correr
o tempo.

É lento de mais
para os tempos
que tenho.

Relva, 2016-04-07
Aníbal Raposo

quarta-feira, abril 06, 2016























ORAÇÃO

Nos dias que
voam

rezo para ser
pássaro.


Relva, 2016-04-06
Aníbal Raposo

(quadro de Tony Lima)

sexta-feira, abril 01, 2016














1 de abril

Dizes que por mim suspiras
As fraquezas são humanas
Eu adoro ouvir mentiras
Quando "de veras" me enganas.


Relva, 2016-04-01
Aníbal Raposo

quinta-feira, março 31, 2016
















DA POESIA
Ser poeta
é enxergar horizontes de emoção
tendo pela frente sobranceiros muros de indiferença.
Relva, 2016-03-31
Aníbal Raposo

quarta-feira, março 30, 2016























POENTE

Assim pressagio ser
o fim dos dias.

Nítida imagem dum velho navio encalhado,
cedendo aos poucos à inevitável erosão do tempo,
num enorme deserto de frívolas banalidades.

Será que alguém recordará as marcas singulares
que as minhas desgastadas sandálias peregrinas
desenharam na impiedosa arena que é a vida?

Pouco me interessa...

Sonhei,
segui um rumo,
e fiz por ser feliz.


Relva 2016-03-30
Aníbal Raposo

segunda-feira, março 21, 2016



















POESIA

Onde há vida
a poesia é.

A arte do poeta
consiste, simplesmente,
em revelá-la aos mais distraídos.


(No dia mundial da poesia)

Relva, 2016-03-21
Aníbal Raposo

segunda-feira, março 07, 2016



















12.ª ROMARIA

A cabeça e os pés,
na busca ansiosa
do caminho.

À procura de Deus
é que me encontro.

Como sou feliz
sendo ninguém.

Relva 2016-03-07
Aníbal Raposo

domingo, março 06, 2016
















A VISITA

Hoje, não falámos muito.
Para quê amigo? 
Sei que que te faltam forças
para pronunciar palavras
não essenciais.
Mantinhas os olhos cerrados
enquanto respiravas a custo.
O importante era estar ali contigo
compartilhando um silêncio
indulgente para os dois.
Preferiste que me sentasse
na cama ao teu lado.
E apertaste-me as mãos.
Com a voz fraca, referiste
que gostarias de largar
durante o sono.
Disse-te,
para não teres medo,
para procurares a luz.
E falei-te tranquilamente
na paz e no mar de azeite
que encontrei este sábado na fajã.
Quando o teu anjo da guarda chegou
Achámos que era boa hora de eu partir.
Já no corredor do bloco,
soltou-se, incontrolado.
um rio caudaloso
dos meus olhos.

Relva, 2016-03-06
Aníbal Raposo

sexta-feira, março 04, 2016





















ANJAS

As anjas... eu creio nelas!
Umas são moças e belas
outras fadas de pasmar.

As que num mar de emoções,
e num toque especial,
mostram-nos céus de pecar.

As dos riscos do Simões
nas palavras de Quental.


Relva, 2016-03-04
Aníbal Raposo

(desenho do meu amigo Francisco Simões)

quinta-feira, março 03, 2016
















REDES

Sonham-se,
tecem-se arduamente,
e lançam-se para longe.

O que nelas vem,
malgrado o dito,
bastas vezes
não é peixe.

Pois bem,
nem sempre
a carne
é fraca...

Relva, 2016-03-03
Aníbal Raposo

sábado, fevereiro 27, 2016








SOU EU
Aguardo
ansiosamente
pela iminente chegada
dos verdadeiros donos
da fajã.
Já arrumei a casa a alguns.
Obrigações de quem sente
usar o sítio por empréstimo...
Bem sei que para vós,
irmãos alados,
ovo sumido
é ano perdido.
Quem é? Quem é?
Quem é?
Este é um mantra
que deleita os meus ouvidos
desde que sou gente.
Bem-vindos
pois, de novo.
À vossa
e minha casa.

Relva, 2018-02-27
Aníbal Raposo
(Foto de Jorge Blayer Góis)

sexta-feira, fevereiro 26, 2016


















PONTÍFICE

A cada visita guiada
a medonhos precipícios
entre o presente e o futuro,
imagino pontes.

E rio muito
ao riscá-las,
esbeltas e firmes,
enlaçando as margens.

Relva, 2016-02-27
Aníbal Raposo

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

























DO ALVO

Podem não acreditar
Mas tenho de vos dizer:
É mais fácil criticar
Que fazer acontecer.

Perante todos assumo:
Não há maior alegria
Que manter na vida um rumo.
Levar a carta a Garcia.

Relva, 2016-02-10
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 21, 2016















IN VINO VERITAS?

Bebi o vinho que me ofertaste amigo.
Em tragos pequenos sorvi qualidade.
De sabor ameno o J. P. Chenet
Casava as castas Syrah e Cabernet
Num perfeito laço. Três anos de idade.

E enquanto o bebia, pensei cá comigo:
- Momentos de paz os que passei contigo...
Viste a luz brilhante da eterna amizade?

Rua do Paiol, 22
Ponta Delgada, 2016-01-21
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 14, 2016
















EM DIA DE AMIGOS E DE ALEX

É tempo de dizer-te caro amigo
(Acredites ou não, pouco me importa),
Que tu podes contar sempre comigo.
Até com um furacão batendo à porta.

Relva, 2016-01-14
Aníbal Raposo

(com o furacão Alex a chegar aos Açores)

sexta-feira, janeiro 08, 2016













EQUILÍBRIO

Às vezes
não é fácil viver em harmonia,
estar atento, ser solidário e bom.
Surge um problema:
- Elevam-nos muito o teto
e o tom, em demasia.
Apesar de darmos o melhor
no nosso dia a dia,
somos tidos por comparsas,
amigos do sistema.
Pois que não fique mágoa,
réstia de amargura.
Para nosso deleite,
a verdade é pura.
Tal como o azeite
acaba sempre por vir
à tona de água.

Relva, 2016-01-08
Aníbal Raposo

quinta-feira, janeiro 07, 2016




















DO PÁSSARO QUE SOU

Não procurem por mim
a caminhar por trilhos óbvios.

Levantem a cabeça
e adivinhem-me no azul.

Se tentarem cortar-me as asas
hei de sonhar escadas
para tocar ao céu.

Relva, 2016-01-07
Aníbal Raposo
foto de photo Milad Safabakhsh
in "A Lifetime Photgraphy

segunda-feira, dezembro 28, 2015


















DO RELEVO DA COR

Se há coisa
que sempre
me contenta

é devolver
o verde e o viço
à massa amorfa,

defunta de cinzenta.

Relva, 2015-12-03
© Aníbal Raposo


















CAÇADOR DE LUAS

Sou um furtivo
caçador de luas.

Consegues ver
um mar de prata
nos meus olhos?


Relva, 2015-12-28
© Aníbal Raposo

quarta-feira, dezembro 23, 2015
















UM OLHAR DENTRO DE MIM

Tenho vivido absorto, alegremente.
O tempo flui de forma displicente,
E a vida é curta, deve ser vivida.

Neste pisar de palco permanente
Digo p’ra mim, de forma consciente:
- Não há farsa maior que a minha vida.

Se chorar quero, rir, ou admirar-me
A Deus dar graças, reconciliar-me,
Comigo: Oro - a prece é um fortim.

Sempre que me pondero e me aprofundo,
E me apetece escarnecer do mundo,
Não tenho mais que olhar dentro de mim.

(Refletindo sobre um texto de António Vieira)

Relva, 2015-12-23
© Aníbal Raposo


sábado, dezembro 05, 2015









ANIVERSÁRIO

Neste dia peço a Deus
Que me brinde com a sorte
De ter o amor dos meus

De nunca perder o norte
E conservar o juízo,
O bem de que mais preciso,
Até à hora da morte.

Relva, 2015-12-05
© Aníbal Raposo

quinta-feira, novembro 12, 2015


























A CHAVE DO TEMPO

Há uma chave do tempo
para cada existência.

Se a conseguires encontrar
transformas, como por magia,
um breve segundo
numa eternidade.

Relva, 2015-11-12
© Aníbal Raposo

Foto: Caras Ionut

segunda-feira, outubro 26, 2015

A pintura dos sons

















Pinto de cores distintas os sons
da minha vida. É uma forma simples
de a encher com flores.

Relva 2015-10-26
Aníbal Raposo

sábado, outubro 24, 2015



DESAFIO

Como libertar
a complexidade
que mora em cada sentimento
da penosa contenção que há na palavra?

É este,
de modo simples,
o enorme desafio do poeta.

Relva, 2015-10-24
Aníbal Raposo

sexta-feira, junho 12, 2015


















DAS GUERRAS DE AMOR

Leva-me ao teu tanque secreto
E mata a minha sede.

Toca a melodia dos sobrevivos
nas teclas feiticeiras
do teu acordeão.

Aponta e dispara sem medo
neste meu peito aberto.

Explode coração!


Relva, 2015-06-12
Aníbal Raposo

photo Leszek Paradowski