Domingo, Fevereiro 26, 2012














ROMARIA

Na longa caminhada que se aproxima
Procurarás afinar a tua alma
Pelo grande diapasão
Do universo.

Tu sabes bem que ele existe
E que alguém o faz vibrar.

Ao terceiro dia de jornada
Quando voares nas asas do cansaço
Abre bem os teus ouvidos
Ao seu som único,
Inconfundível.

Ao pressentires que o teu coração pulsa
Na mesma frequência,
Esboça um sorriso.

Atingiste a paz.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-26

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2012



A MAHATMA GHANDI

Procura ser com o bambu
Que se ergue aprumado, forte,
E solidário no meio do canavial.

Guarda sempre
No sótão da tua memória
A imagem de cada vento ciclónico
Que por ti passou.

Lança fundo as tuas raízes
Para te manteres ereto
E verga à força bruta
Apenas o necessário,
O suficiente.

Verga.
Nunca quebres.

Aníbal Raposo
2012-02-25

Terça-feira, Fevereiro 21, 2012














ENTRUDO

Cá no país o patrão,
A brincar de pau mandado,
Romper quis com a tradição
Não reconhece o feriado.
Anunciou feito fera:
Vai ser trabalho forçado!
A tradição é o que era
Lá ficou enxovalhado...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-21

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012
















(Ribeira do Porto - Óleo sobre tela - Teixeira da Mota)

RIBEIRA

Se calhar estás bem diferente
Mas quando te conheci
Namorei a tua gente
O encanto que havia em ti

Os meus jantares na Marina
(Como era novo e feliz)
A muralha Fernandina
A Ponte de D. Luíz

Eu, um milhafre das ilhas
Aprendi e tive sorte
No falar das tuas filhas
O bom sotaque do Norte

Oh Ribeira que vivi  
(Há sítios que não se esquecem)
Quando me lembro de ti
Os meus olhos humedecem.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-17

Terça-feira, Fevereiro 14, 2012










SÃO VALENTIM

Tu o céu
Eu o mar
O horizonte
O nosso amor

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-14

Domingo, Fevereiro 12, 2012









ACREDITAR

Às vezes sei
Quanto é difícil
Sonhar
E construir
Ledos futuros.

Porém
Algum de vós
Esperaria
Que ao rocio do mar
Sobre o basalto
Brotasse vida?

Aníbal Raposo
2012-02-12
(Foto tirada esta tarde em Ponta Delgada)

Sábado, Fevereiro 11, 2012













FELICIDADE

Hei de gostar de mim
E dizer: sou gente!
Cuidarei do meu corpo,
Adestrarei a mente.

Hei de cultivar a fé
E semear a esperança.
Redescobrir cá dentro
Risos de criança.

Se a vida tem prazeres,
Hei de os vislumbrar.
E manterei, eternamente,
Uma vontade imensa
De criar.

Ousarei ser feliz
Aqui e agora.
Apesar da crise, amor,
E mau grado a hora.

Recordarei sempre
Os bons momentos
Que passei a sós
Ou a fazer amigos.
Hei de rezar a Deus,
Para proteger,também,
Meus inimigos.

Compararei, à vez,
Os meus problemas
Com a imensidão do mar.
E inventarei um sol
Enorme e quente
Para te amar.


Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-11

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012














ORGULHO

Do orgulhoso às vezes sinto dó
Pois sei que apenas se anda a enganar.
Orgulho para quê se somos pó
E se no fim em pó vamos ficar?

Meu Deus p'ra quê orgulho? Tudo é vão.
Conheço a irmã do orgulho é a vaidade...
Se queres fazer da vida uma lição
Mais vale que cultives humildade.

Procura antes a sabedoria  
Que ela sim, verga ao vento como o feno.
Orgulho, irmão, não te traz alegria.
Olha p'ró céu e vê como és pequeno... 


Ponta Delgada, 2012-02-06

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012















INSTANTE

Foi-se depressa

O meu amigo.

E mais não digo.


Relva, 2012-02-01
AMIZADE

Ah como é bom termos um fiel amigo
Mesmo que ele não more junto à nossa porta.
Ir à bola juntos, que é vício antigo,
Zangarmo-nos, também, porque amigo importa.
Amparar-nos ambos se cheiramos p'rigo.
Dar-lhe o nosso tempo, partilhar as águas
E um ombro enorme p'ra chorar as mágoas.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-02-01

Sexta-feira, Janeiro 13, 2012













AH MEU PAÍS POBRE E TRISTE
(Glosando versos da Isabel Fidalgo)

Ah meu país pobre e triste
Definhando à beira-mar
Com os teus filhos mais novos
Convidados a emigrar


Eis que os deitam borda fora
Que os não querem a sonhar
Inventando novas barcas 
Pr'a tu poderes navegar


Tivesses Homens d'antanho 
Para as barcas comandar
Em vez de ratos de esgoto 
Que chiam no teu sangrar 


Ah meu país pobre e triste
Tu um dia hás de acordar
Ao som dos homens da flauta
Levando os ratos ao mar


Já vislumbro as altas ondas
Que se hão de levantar
Não há mal que sempre dure
Meu país da beira-mar...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-01-13 

Sábado, Dezembro 31, 2011



ANO NOVO

Mais uma vaga
À frente
Da proa
Do barco
Da vida

Será recordada
Pela mão ao leme
Fazendo
A diferença

Ou então será

Só mais uma vaga
Que a proa
Do barco
Da vida
Sulcou.

Ponta Delgada, 2011-12-31

Sábado, Dezembro 24, 2011




NATUM EST

Hoje vão nascer
Em todo o mundo
Milhares de meninos
Pobres, sem futuro.

Há muitos anos,
Em Belém, na Judeia,
Nasceu um menino
De igual condição.

Se seguíssemos
O que ele nos ensinou
Aqueles que hoje vão nascer
Teriam um outro amanhã.

Ponta Delgada, 2011-12-23

Domingo, Dezembro 18, 2011

RTP - TELEJORNAL - AÇORES

Se clicar no link acima pode ver, ao minuto 31 do vídeo, um apontamento da minha atuação com o Grupo Connection no programa televisivo Natal dos Hospitais, realizado no dia 15 de Dezembro nos Açores. O tema chama-se "Seres o meu amor" e tem letra minha e música minha e dos Connection.

Sexta-feira, Dezembro 16, 2011










PIROMANIA

Hoje percorremos a ilha
Acendendo sorrisos
Em rostos cinzentos, marginais.

É urgente atear fogos
Nas florestas da indiferença.

Ponta Delgada, 2011-12-16

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

ESPERA

O sol morreu...

Aguardo que o teu riso
Bata à nossa porta.

Quando chegares
Saciarei a sede da saudade
Bebendo sumo fresco
Da tua boca.

Ponta Delgada, 2011-12-12

Sábado, Dezembro 10, 2011















MIL POEMAS

Conheço mil poemas
Que falam de búzios.
E dez mil poetas 
Que nunca os cativaram
No sibilar dos ventos.

Conheço outros mil
Que falam de pássaros.
E dez mil poetas
Que jamais espreitaram
Dois ovos num ninho.
Sabem imitar
Os seus cantos d'alba?
E assobiar as árias de ocaso?

E sei de mil mais
Que também nos falam
Da vida das pedras.
Dão-lhe mil sentidos...
Mas quantos poetas
Já adormeceram
Em plena harmonia,
Um riso aflorando
No canto dos lábios,
Lembrando fantasmas
Quando as pedras cantam?

Sabem que as redondas
São sempre as mais sábias?

E dos mil sussuros, 
Tristes prisioneiros
Em poemas-celas?
Falarão verdade
Ou estão a fingir 
Ao dizer que os ouvem? 

Quantos poluiram
De silêncio a alma?


Ponta Delgada, 2011-12-10

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011


















EM DIA DE ANIVERSÁRIO

Nesta corrida louca
Sinto uma brisa suave
Que me acaricia o rosto.
E alegro-me no vislumbrar da meta.

Estou de passagem...

Já me sinto a nascer de novo
Noutros lugares.

Morro de curiosidade
Sobre o meu próximo desafio.

Ponta Delgada, 2011-12-05

Domingo, Novembro 27, 2011


PERCO-ME EM TI

E houve barcos
A navegar
Pelo mar fora

Barcos sem rumo
Sem mãos no leme
Sem ter arrais

Sulcavam ondas
De salsa espuma
Não tinham hora

Foi navegar
Por navegar
Sem querer cais

Velas erguidas
Eretos panos
Cheios de vento

Parou o tempo
Nascem desmaios
E sons de mar

É sempre bom
Zarpar contigo
Meu doce alento

Sem faro à vista
Perco-me em ti
P'ra me encontrar

Ponta Delgada 2011-11-26

Segunda-feira, Outubro 31, 2011



DIA DE FINADOS

Foi só há dois anos.
Pensei que era a hora
E senti-os tão perto...

Tenho nos ouvidos
As suas vozes suaves
Quando eu caminhava
No túnel de luz.
A débil fronteira
Entre os nossos mundos...

Amanhã, mal o sol desponte
Vou levar-lhes flores.

É a minha forma
De brindar com eles
À morte do medo.

2011-10-31