quarta-feira, dezembro 11, 2019













ESPERANÇA

Seguro a tua mão
pra demorar a vida
que juntos dividimos.
Estamos todos ligados,
só assim faz sentido...
Passeia mais um pouco,
com quem tanto te quer,
neste jardim florido.
A eternidade espera,
ela é dona do tempo...
Que os teus olhos se acendam
e partilhem connosco
o choro da alegria.
Que as mãos de Deus te amparem
nas curvas do destino.

Aníbal Raposo
2019-12-11













SEM RIMA

Nos versos que urdo
a métrica e a rima
jamais são grilhetas.
O meu verbo é solto.
Fluem, naturais,
sem partos difíceis.
Duas almas gémeas
em passeio alegre.
Construo com elas
poemas já prenhes
dos sons e dos tons
que os hão de vestir.

Relva, 2019-12-07
Aníbal Raposo

sexta-feira, dezembro 06, 2019





















DA GRADUAÇÃO DOS BEIJOS

Ao logo da minha vida,
que eu vivi, bem vivida,
recebi alguns beijinhos
delicodoces, meiguinhos.
E tive muitos ensejos
de receber ricos beijos.
Espaçadamente um "chupão".
Digamos que era um beijão.
Bem sei que é "tipo" uma prática
mas em louvor da gramática
não me enviem, de verdade,
beijinhos grandes.
Piedade!

Relva, 2019-12-06
Anibal Raposo

quinta-feira, dezembro 05, 2019
















DO SEMEAR E COLHER
(sobre as mensagens de aniversário recebidas)

Se nas artes sou fecundo,
a maior, tenho sentido,
é o carinho, profundo,
de amigos de todo o mundo.
Confesso, estou comovido.

E daí o entender
que quem semeia, à vontade,
afeição, sem perceber,
acaba sempre a colher
frutos da sua amizade.

Amigos, do coração,
com ideias, cores e matizes
diversas, são uma benção.
Façam o favor então
de amar e serem felizes!

Relva, 2019-12-05
Aníbal Raposo

sexta-feira, novembro 01, 2019


A vida é um rio.

Nasce na montanha,
onde a água é pura.

E põe-se a caminho
porque anseia o mar.

Cresce com os amigos,
os seus afluentes.

Vai contanto as pedras
na sua viagem.

Acomete as margens
porque há tempestades.

Cai em cataratas,
há despenhadeiros.

É lesto nos rápidos,
sente o tempo escasso.

Espraia-se em planícies,
folgas de guerreiro.

E sonha um sorriso
À vista da foz.

Aníbal Raposo
2019-11-01

terça-feira, outubro 01, 2019













ABC DESORDENADO
Meus pais e avós são relvenses
E tenho mais, de outras eras,
Quando sais a quem pertences
És puro, não degeneras.
Um trisavô Umbelino
Pelouro da Atouguia
Também de Melo e Machado,
De tudo o mais que ele queria...
Uso sangue de Salgado
De Medeiros e de Ferreira
De Duarte, de outro lado,
Vermelho, à minha maneira.
Faço cantigas à toa
Sem pretender agradar.
A benção quero pedir
A quem passo a nomear:
Ao grande Zeca Medeiros
Aqui saúdo, em primeiro,
Um artista com A grande
Bom amigo e companheiro
A benção, Luís Alberto
Parceiro de caminhada
Benção Paulo que és seu filho
Ben-David, alma lavada.
A todos os Bettencourt,
Nome ligado à magia,
Ao Luis Gil e ao Nuno
Ao Emanuel e à Maria.
Ao irmão Luis H.
Ao das Manadas, Renato,
Mirinho da Graciosa,
Zeca Sousa, a quem estou grato.
Ao meu irmão Zé Duarte
E ao Marinho Mariante
André e Raul Damásio
Ao Jaime Goth, neste instante.
Benção Gil, Luisa Alves,
Benção Marina Vieira
António, Gente da Ilha,
A benção p'rá vida inteira.
A bênção família Andrade
À Paula, ao Pedro e à Rita
Sandra Medeiros, ao Sílvio
À Carolina, bonita.
A benção Roberto e Ernesto
Pela Ronda da alegria
Benção, grande António Sousa
Todos de Santa Maria.
Benção Bruno e Oliveira
Emílio, Pedro e Mourão
E a outros mais da Terceira
Aqui deixo gratidão.
Ao Victor Castro, afilhado,
Ao Antero, compositor,
Ao Kit, António Bulcão
E ao Bruno Walter, cantor.
Ao Mario Raposo, é claro
Zicaman aqui me traz
À Maria do Amparo
Carlos Moniz, Duarte Braz.
Ao outro Mario, o Cabral
Helder, António Feijó
Paulo Andrade e irmãos Lima
João e Jorge, e não só.
Ao Carlos Sousa, Capelas,
Amigo de toda a hora,
À Anita, mãe e irmã,
E a todos do Belaurora.
Hermínio Arruda, partido,
Manuel Ferreira, lembrado,
Aos Frazão(*) que eu não olvido
Tenho todos ao meu lado.
Às vozes de ouro, cantoras:
Helenas (**), Vania, a encantar,
BiaSãoMaria Antónia
Susana, Pié (***), Pilar.
Paulo Vicente, Pracana,
Mike, Maninho e Paulão
Lídia, Eduardo Botelho
Ricardo Reis e Cristóvão.
Da ilha de São Miguel
Alfredo Gago e Dinis,
Aos dois manos Pimentel,
Ao Massa, ao Manuel Moniz.
Ao Pedro Silva, da Relva,
Terra linda, dos meus genes.
Também a peço aos Tributo
Dos Severinos e Enes.
Aos Rafaeis dos Açores
Um Fraga o outro Carvalho
Ao Álvaro e ao irmão Ricardo
Sílvia Torres p´lo trabalho.
A benção Manuel Francisco
Do Pico, terra do vinho,
Ao Zé Ferreira, partido
E ao Manuel Canarinho.
Também ao Hugo Araújo
Carlos Medeiros que escutei
Ao vate Victor Rui Dores
Com quem muito naveguei.
A bênção ti Pedro Cepo
Penso não fazer estorvo
Foi um prazer conhecer-te
Cantor e artista do Corvo.
Bárbaras(****) de duas ilhas
À Marta, voz de cristal
Ao Wellington e Odilardo
Hélio e todo o pessoal.
A benção aos novos valores
Sara Cruz, F. Frazão
Ao BairosSara Miguel,
À Mariana e ao Cristóvam.
Bênção Balada Brassado
Pela tua inteligência
IsabelJoão Moniz,
Saudade na vossa ausência.
E aos que aqui não nomeei
Eu peço compreensão
Mas creiam que tenho todos
Dentro do meu coração.

Aníbal Raposo
2019-09-28
(uma singela homenagem à música açoriana)
(*) os Frazão - Teófilo, Carlos e Emanuel Frazão
(**) - A outra Helena é a Azevedo
(***) Pié - Piedade Rêgo-Costa
(****) Bárbara Moniz e Bárbara Azevedo

















MÚSICA

Juntei ritmo e harmonia
Com vivência, fez sentido,
Emoções e melodia,
Tive o céu no meu ouvido.

Aníbal Raposo
(no dia mundial da música)

quinta-feira, maio 16, 2019


























GRAVATA

Há quem te pendure
à volta do pescoço
na vã esperança
de comungar
da derradeira sensação
do pendurado.

Relva, 2019-05-16
Aníbal Raposo

























INSTANTÂNEO

Aqui estou eu captado
em instantâneo.
Na verdadeira e instável
posição onde me encontro.

Gosto, contudo, de celebrar convosco
a grave postura da minha sombra
na parede.

Relva, 2019-05-16
Aníbal Raposo

terça-feira, maio 14, 2019


JÁ NÃO HÁ LISBOETAS

Fui comprar tintas ao Chiado,
no Ponto das Artes.
Não sendo de apartes, 
conto um triste fado.

Nas ruas repletas
de gente, alheado,
restava Pessoa
um tanto enfadado.

Que é dos lisboetas?
Terão emigrado?

Lisboa, 2019-05-14
Aníbal Raposo

segunda-feira, maio 13, 2019


















O INQUILINO

Desde que me conheço e que sou gente
tenho um corvo preto residente
inquilino fiel do meu chapéu.

Mistério contumaz
que balanceia
entre a vil trapaça e o golpe de magia.

Ora me dá uma cor cinza, cor sombria,
ora um brilho fugaz à existência. 

Cada pio seu, por ser pungente,
induz-me ao voo livre.
Também à visão clara
da porta que suspira pelo toque
da mão clemente que a há de escancarar
sobre o vale glorioso
do imprevisto.

Lisboa, 2019-05-13
Aníbal Raposo






domingo, maio 05, 2019


























MÃE

Guardo no meu peito
dez sinos de vento.

Bem vistas as coisas
nada mais possuo.

Recordam quem sou
e quem pretendo ser.

São lembranças tuas
minha mãe querida.

Aníbal Raposo

sábado, maio 04, 2019




















ROSA BRANCA

Tu és rosa branca
Que nasce em janeiro
Eu cravo vermelho
E teu companheiro
Um perfume de anjo
Rosa de setim
Se te vejo ao longe
Já não estou em mim.

Só uma alegria
A noite alumia
Com todo o fulgor

São os olhos teus
Que acendem os meus
No fogo do amor

Tu és água limpa
Da pura nascente
E sempre que queres
Também lume ardente
Tu és flor silvestre
Que nasceu do nada
Alma livre e pura
És a minha amada

Só uma alegria
A noite alumia
Com todo o fulgor

São os olhos teus
Que acendem os meus
No fogo do amor

A mais linda estrela
Que há no firmamento
A razão de ser
De cada momento
Um raio de sol
Um mar de emoção
Enches de ventura
O meu coração

Relva, 2019-05-03
Aníbal Raposo

segunda-feira, abril 29, 2019

























SAUDAÇÃO AO SOL

Através de ti, estrela bela, 
saúdo a Divindade,
que nos criou a ambos,
a quem agradeço o dom da vida,
a paz e a harmonia com a natureza
neste magnífico e singelo fim de tarde.

Ao ver-te falecer no horizonte
já me nascem desatinadas no peito
imensas saudades de amanhã. 

Rocha da Relva
Aníbal Raposo

sábado, abril 27, 2019




















BARCOS

Há sempre navios
Com mastros aprumados
Antecipando a gravidez das velas
da nossa inquietação.

São como arados
Prontos a sulcar os mares de espanto
Onde semeamos os nossos mais íntimos desejos
Na esperança de colheitas abundantes.

Ponta Delgada, 2019-04-26
Aníbal Raposo

quarta-feira, abril 10, 2019

























DO PORTE
Um gigante
pode ser apenas
a sombra dum pigmeu
que resolveu sonhar.

Aníbal Raposo
Relva, 2019-04-01
























PENAS
Ai! A pena que eu tenho
de te ver assim penar
na penosa expiação
dessa tão justa pena.

Tão depenado
dos teus penachos...

Aníbal Raposo
Relva, 2019-03-31
























ROMARIA

É tempo de ficar.
Pesam os anos.

Mas o espírito,
esse há de partir, sempre convosco,
no alvorecer de cada madrugada.

Ele é o meu bordão de peregrino
que entoa ilha fora Ave Marias.

Aníbal Raposo

(Dedicado aos romeiros de Santa Clara
com quem caminhei por treze vezes)















IMAGINAÇÃO

A minha imaginação
É difícil de parar.
Cansa-me. Vai tão à frente
Que a não consigo alcançar.

Relva, 2019-04-07
Aníbal Raposo

domingo, abril 07, 2019

























DIA MUNDIAL DA SAÚDE
Se estás rijo como um pero
Espero que nada mude.
Se tens mazelas, melhoras!
Bom dia e haja saúde!

Relva, 2019-04-07
Aníbal Raposo

sábado, abril 06, 2019


























A LUA POR UM BARAÇO 

Desde criança, pequena,
Tenho uma meta concreta
Passear a lua plena
Amarrada à bicicleta.

Já sei que estão a dizer:
- Enlouqueceu! Com razão!
Não é fácil de entender
Esta nossa relação...

Discutimos, mas depois,
Mesmo com sorte caipora,
Choramos a rir, os dois,
Amantes, pela vida fora.



Relva, 2019-04-03
Aníbal Raposo

quarta-feira, abril 03, 2019

DISCERNIMENTO


























DISCERNIMENTO

Sábio é aquele que traça caminhos,
Com os pés alados firmes nas escadas.
Sempre ascendendo. Sobre os mares revoltos.
Entre navios, incautos, naufragados. 
Olhos abertos, ouvindo no horizonte
O som estrondoso do estilhaçar do tempo.

Relva, 2019-04-03
Aníbal Raposo

DO LIVRO À IMITAÇÃO DAS AVES























DO LIVRO À IMITAÇÃO DAS AVES
Porquê entrar
em túneis escuros,
por baixo das lombadas,
quando podemos disfrutar
da matizada imensidão dos verdes,
no degustar das páginas
e levitar em balões coloridos,
por cima das montanhas,
na solene imitação das aves?

Relva, 2019-04-03
Aníbal Raposo