segunda-feira, março 28, 2005




ENGANOS

Que sabes tu de mim, amor que o és,
Se na longa jornada que fizemos
Nunca abriste as narinas ao perfume
Das palavras que te eram dirigidas?

Agora, recordas com ternura
As outras, deixadas solitárias
Na caixa do correio imaginária
Duma joaninha que inventei em ti.


Lisboa
2003-07-02

domingo, março 27, 2005

Neptuno na Horta - José Henrique Azevedo - "Peter"

REFÚGIO

Se a terra treme e o mar se agita no meu peito,
Se a chuva cai e os rios saltam do seu leito,
Se a lua corre anunciando tempestade,
Os meus sentidos são verdade...

Quando cá dentro, ao despertar dos velhos mitos,
Os ventos sopram e as gaivotas soltam gritos,
A raiva brota e não pode ser contida,
A tua falta é mais sentida...

Em ti descanço, em ti meu corpo encontra abrigo,
Por ti renasço, apenas porque estou contigo,
Porque tu és o meu refúgio a minha calma
Tu és o meu remédio d'alma...


Aníbal Raposo
1986-09-05