domingo, maio 26, 2013















NADA VEM DO NADA
(De nihilo nihil) - Lucrécio

Se o teu coração insiste
Em esperar muito de alguém
Que não tem alma. Desiste,
Que do nada nada vem.

Onde há fogo avistas fumo,
São esperanças vãs. Ninguém
Sem consciência e sem sumo
Pode dar o que não tem.

Se algo aguardas dum malvado,
Que olha os outros com desdém,
Bem podes esperar sentado
Pois do nada nada vem.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-05-26

sábado, maio 18, 2013













LUA

levanta-te astro louco,
musa minha irmã,
tecedeira de quimeras
e risca atalhos de prata  
no mar de azeite
da minha fajã.

Aníbal Raposo
Relva,2013-05-18

sexta-feira, maio 17, 2013


















ROMPER O AZUL

olho para a frente e penso
em adejar ligeiro
urge acelerar.

pela lei natural da vida
breve é o futuro.

sendo que há tanto
azul para romper
e sonhos a cantar.


Aníbal Raposo
Relva, 2013-05-17

domingo, maio 05, 2013



















MÃE

De ti tenho saudades
Desde a tarde de inverno
Em que me deste ao mundo.
Querida mãe distante,
Velado anjo da guarda.

Fruta de tempos secos,
Da longa noite escura,
Onde a lágrima furtiva,
Nascida da emoção,
Era o ferro dos fracos.

No teu porte sisudo
Poucos pressentiriam
A mestra sempre atenta
E a mão dissimulada
Amparo dos mais pobres.

De ti sempre aguardei,
O amanhecer dum riso, 
A ternura dum beijo,
O estreitar do abraço
Que pouco se cumpriu.

Só com o sol no ocaso
No desabar dos muros
Pude lograr o ensejo
De afagar-te os cabelos
E de aquecer-te as mãos.

Tão tarde te encontrei
E logo te perdi.

Querida mãe distante,
Perene anjo da guarda.


Aníbal Raposo
2013-05-05

quarta-feira, maio 01, 2013



MAIO

eu canto um maio moço,
um mês que cheire a rosas
vermelhas, orvalhadas,
recentes e viçosas.

um maio de alvoroço,
um maio-mar-de-gente
a liberar o sonho,
erguida, finalmente.

eu canto o maio ansiado,
aquele que há de vir,
um maio renovado,
maio-menino a rir.

um maio desenvolto,
um maio-meio-céu,
maio maduro, solto
desta noite de breu.

Aníbal Raposo
2013-05-01