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A mostrar mensagens de Maio, 2015
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ONDE CAÇAR VERSOS

no musgo do tronco duma velha árvore;
na manhã radiante dum sorriso breve;

num abraço rubro, sol na tua face;
no verde de esperança das folhas dum trevo;

nas nuvens de vento que riscam os céus;
no vermelho chama da cor dos teus lábios;

nos olhos escuros da moira encantada;
nas tocas de coelho com palavras quentes;

na força medonha das ondas do mar;
nos jornais que vestem os seres sem abrigo;

na alegria à solta em cada criança;
no jeito dum pisco de peito laranja;

no espelho de água junto da nascente;
numa mão sincera que nos é estendida;

no amor ao outro, sentido e profundo;
no botão da rosa janela do mundo.

Relva, 2015-05-29
Aníbal Raposo
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O QUE DEVES SER

Tronco de araucária
que arrosta na cara
fortes tempestades
mantendo a prumada?
Altivo mais vale
quebrar que torcer?

Ou singela cana,
vergando sensível
em sábia atitude
no silvo do vento
entrando na dança
sem perder o fito?

Sabes guardar biscas
Prontas a bater
E descartar
duques?

Espetar a faca
fundo ao coração
vencendo o revés?

Se sabes
já és.


Relva, 2015-05-29
Aníbal Raposo


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NO DIA DOS AÇORES Cobre-nos com a Tua asa,
Deus, língua de fogo ardente,
Criador de maravilhas.
Abençoa a nossa casa,
Ilumina a nossa mente,
E protege as nossas ilhas.
Relva, 2015-05-25
Aníbal Raposo
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PORTULANOS Quando navego
impulsionado
por estes panos
num desapego.
Sinto o meu fado
e parto sem medo.
Livre de enganos.
Lisboa 2015-05-16
Aníbal Raposo
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PORQUE CANTO
Canto. E é impossível
prender a minha voz
nas correntes de aço
duma tendência qualquer.
Nasceu sem amos,
viverá sempre liberta
e livre partirá
quando este mundo,
fatalmente,
a esquecer.
Relva, 2015-05-14
Aníbal Raposo
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LIVRO

Uma estrada aberta
para caminhar.

Podes dispensar
a hora certa...

Relva, 2015-05-13
Aníbal Raposo
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ONDAS

Uma imagem forte,
tão familiar:
as ondas que esculpem
cavalos malucos
de crinas ao vento
no seu desabar.

Relva. 2015-05-11
Aníbal Raposo
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DAS INFINDÁVEIS BRUMAS

Admito que viver nas nuvens
tem o seu lado poético.
Mas andar afogado
nesta perene bruma
cansa.

Basta!

Que venha um raio de sol
rasgar os céus
e me devolva os pés
à terra enxuta.

Relva, 2015-05-01
Aníbal Raposo
(há dois dias perdido em nevoeiros)