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A mostrar mensagens de Outubro, 2008
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COLECCIONANDO ESTRELAS
Em vez de andares a vasculhar Por entre as teias do sótão do ressentimento, Aproveita o dia...
Deixa este sol de Outono Acariciar-te a cara e diz: Estou vivo!
Põe-te a escrever as canções que faltam No teu sonhado álbum branco: O luminoso.
Tu sabes bem que é na lua nova O tempo certo para se coleccionar estrelas.
Põe as palavras de amor A vibrar na frequência exacta, Como se tentasses afiná-las Pelo sagrado diapasão do universo.
E lembra-te que o poema mais sublime Tem o tom do que é e faz sentido.
Ponta Delgada 2008-10-31 Aníbal Raposo
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Dali - A persistência da memória
VENTOS DA MEMÓRIA
E de repente surgem, nos ventos da memória, Vertendo os rios do meu olhar fora do leito, Detalhes tristes, os mais cruéis da nossa história. 
O coração cobarde salta, quer fugir do peito.
Ponta Delgada, 2008-10-31 Aníbal Raposo
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ATREVIMENTO
No que ao manejar Das palavras diz respeito Tenho o atrevimento Do feiticeiro aprendiz.
Não tenho escola, Apenas sinto.

Depois, Tento escrever como respiro.

Aníbal Raposo Ponta Delgada, 2008-10-26
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DE COMO CANTAR O QUE EM TI AMO
Quero dizer o meu amor por tiCom aquela entoação viva e perfeita De quem ao declamar sente o poema.

Cantar a nossa doce relação, Como se ela fosse o mais inspirado tema Que alguma vez sonhei e produzi.
Pintar a tela enorme, nossa vida, No cavalete instável das certezas  Com as cores harmoniosas dos teus gestos.
Esculpir a imagem bela do nosso entendimento Com a delicadeza daquele que trabalha A golpes de cinzel a pedra dura.
Ponta Delgada, 2008-10-24 Aníbal Raposo
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PARA QUÊ OS OLHOS TRISTES
Para quê os olhos tristes ?
Porque não ris para mim ?
As amarguras da vida
Nunca se curam assim...
Para quê os olhos tristes ?
Porque não ris para mim ?

Pés no chão! Cabeça erguida!
Para o bom e pró ruim
Que as amarguras da vida
Sempre se vencem assim
Pés no chão! Cabeça erguida!
Dá um risinho p' ra mim...


1982
Aníbal Raposo
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UMA IMAGEM NO ESPELHO
Quem pensas tu que és,Ridícula imagem reflectida no espelho?
Ris-te?

Porque tentas tu, sem sucesso
Fazer-te passar por mim?
Eu sou livre e voo sempre que posso.  Sinto o vento na cara Quando parto para essas viagens solitárias Por cima dos telhados da cidade.
Viajo numa envolvente de quatro dimensões: As três do costume mais a da poesia, E tenho todas as palavras e letras para comprar
No grande hipermercado das emoções à solta. Tu porém, indigente imagem,  Estás refém, das letras: x e y As que definem os dois eixos do plano espelhado Que é, em simultâneo, Tua morada e cárcere.
Fazes-me lembrar um velho holandês
Que usa roupas esquisitas E um grande brinco na orelha, Num esforço inglório para sobressair Na extrema monotonia Da infindável paisagem plana, Olhar de toda a sua vida.
Pobre de ti, reclusa imagem... Ris-te apenas quando me acho graça
E choras só quando tiro a máscara Ou me descontrolo.
Lisboa, 2008-10-09 Aníbal Raposo