segunda-feira, dezembro 31, 2012












NOVO ANO

Precipito-me para este voo
como se deixasse o ninho
pela vez primeira.

Alguém tingiu as nuvens de preto
e colocou um assobio na boca do vento.

Parto num susto
mas já desembainhei a esperança.

Aníbal Raposo
Relva, 2012-12-31

quinta-feira, dezembro 20, 2012
















NATAL

São três as mãos
estendidas. Irmãos
translúcidos. Sombras num mundo insensível
que se agarra ao que é vão, fútil, perecível.

Que se esquece da dor, negro destino,
estampada no rosto de cada Deus Menino.

Aníbal Raposo
2012-12-20

domingo, dezembro 09, 2012



 

A ARTE DE VOAR

Suave brisa,
ondulante,
quase não pisa
o chão. Flutuante,
enceta um voo que dramatiza
o amor. Num breve instante,
e em equilíbrio instável, eterniza
a linda arte de dançar. Desconcertante... 


Aníbal Raposo
2012-12-09


domingo, dezembro 02, 2012












CANTO DE AMOR E DE RAIVA

Muito padece de amor aquele que ama
A manhã dos olhos teus atiça a chama
Não me vou se Deus quiser
Sem a alegria de ver
Um enorme sol a arder
Na nossa cama

Em cada gesto teu há claridade
Em cada sorriso alvo uma saudade
Neste fogo abrasador
Sei-te bem, sei-te de cor
Voemos pois meu amor
Em liberdade


Pela barca portuguesa o povo teme
Nesse mar que se agiganta o casco geme
Não temos porto de abrigo
Ver um rumo não consigo
Nesta nau em desabrigo
Não há leme

Muito mal vai um país que os filhos drena
Brota de novo feroz a vil gangrena
Não posso, não me demovo,
Há que fazer que de novo
Volte a ser o nosso povo
Quem ordena

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-12-01