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A mostrar mensagens de Agosto, 2012
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TRAPÉZIO

Ninguém me vai aguentar
É o amor que me afogueia
Hoje é dia de voar
Mesmo em frente à lua cheia

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-31
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BOLA DE CRISTAL

Do país vejo o devir,
Com uma diferença. Acho
Que em vez de irmos a subir
Vamos pela encosta abaixo.

Ponta Delgada, 2012-08-31
Aníbal Raposo
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ILHÉUS

Ser ilhéu é estar só
No meio de muita gente
De nós ninguém tenha dó
Temos o mar pela frente…

É viver a liberdade
Em constante despedida
Já ter no lenço a Saudade
Antes de vir a partida

Saber cantar a folia
Saber benzer o quebranto
E dar vivas de alegria
Nas Festas do Espírito Santo

Também descer às fajãs
Beber da noite o luar
Apreciar as manhãs
E ouvir os búzios do mar

Não ter certezas nenhumas
Numa terra em convulsões
Acordar por entre as brumas
E adormecer nos vulcões

Seja qual for o momento
Ter calma, sermos serenos
Olhar bem o firmamento
E ver que somos pequenos

É pôr o sonho na mira
Estar em paz, mesmo na guerra
Saber tanger uma Lira
Numa viola da terra

Aníbal Raposo
2012-08-27

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LENDA DAS SETE CIDADES
Na Atlântida perdida Que pl’o mar foi engolida Em grandes calamidades Conta a lenda que existiu Um reino que se extinguiu Chamado Sete Cidades.
Tinha o rei, a senhoria, Deste reino, que regia, Uma filha muito amada (O tesouro da família) Dava pl’o nome de Antília Linda como a madrugada.
Era a filha o seu desvelo Porém sair do castelo O rei não lhe permitia. Mas ela não acatava As ordens e se esgueirava Quando ele a sesta dormia.
Ia a bela princesinha Ao início da tardinha Para os campos passear Quando uma dia caminhava  Ouviu uma flauta. Tocava Melodias de encantar.
Quem essa flauta tangia, Construindo a melodia, Era um bonito pastor, Que por fim a descobriu E entre os dois logo floriu Um grande e profundo amor.
Lá vai o pastor formoso Pedir ao rei poderoso P’ra princesa desposar El-rei, esse, não gostou E ali mesmo jurou Que o mandaria matar.
Vendo a princesa a maldade, Que seu pai, sem piedade, Proibia seu grande amor Com as esperanças perdidas Foi um dia às escondidas Procurar o seu pastor.
Quando soz…
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EQUILÍBRIO INSTÁVEL

Vou à tona da torrente
A vida dança e eu danço
Entre o coração e a mente
Na corda bamba balanço

Aníbal Raposo
Relva, 2012-08-23

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O FASCÍNIO DA MÚSICA

Se uma flauta tocar
E bem num bairro sombrio
Até consegue encantar
Um simples gato vadio

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-08
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DA CHUVA

Chove mesmo a bom chover
Abriu comportas o céu
E chovem beijos de arder
Debaixo deste chapéu.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-07


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O PIANO

A nota
A muda

Paixão
Aguda

O dom
Se estuda

E o amor
Desnuda.

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-03
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DESCENDO AO FUNDO DE MIM

É no meio do jardim
E do abismo que contém
Que vou ao fundo de mim
Ao ventre da terra mãe

No meio da noite escura
Só confio no meu guia
Ando da luz à procura
Da virtude e da harmonia

Desço nove patamares
Segundo a verve de Dante
Piso a estrela de oito pontas
A cruz do templo a levante

A liturgia em crescendo
O sagrado a acontecer
Ao fundo de mim descendo
Morro já p'ra renascer


Aníbal Raposo
junho de 2012
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LUA CHEIA

Ah disco de prata
Mãe do amor, singela.

Libertem-me os pés
Que me vou a ela...

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2012-08-01