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A mostrar mensagens de Dezembro, 2008
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SETE
São sete as colinas
De Roma, a cidade.Sete são as notasDo som da amizade.As cores são seteQue o prisma refracta.São sete os pecadosE um pastel de nata.
São arcanjos seteDe Deus impoluto.E sete é tambémO número absoluto.As constelaçõesSão o sete-estrelo.O templo sagradoSete anos a tê-lo.
Sete são os Chacras Entéricos, um mito?Seth, irmão de OsírisFoi Deus do Egipto.
Sete são os selosDo livro, proféticos.Sete sacramentos.
Princípios Herméticos.
Sete belas artesNa mesma procura.Sete palmos temCada sepultura.
Os deuses no OlimpoSete formas são.Os planos são seteDa evolução.
Sete as maravilhas:O mundo se ufana.Sete são os diasDe cada semana.
São sete as virtudes
São sete verdades?Há muitos caminhos 
P'rás Sete Cidades.

Ponta Delgada, 2008-12-31 Aníbal Raposo
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O TÚNEL DE LUZ
(dedicado ao meu amigo Fernando Loura)

o quarto
a penumbra a alva colcha a cama.

o rosto magro de cera agonizando sem medo.

a angústia estampada
na cara dos que esperam.
o respirar pausado forçado
sibilante
o silvo forçado descompassado o respirar.
subitamente a pausa...
o desfecho agora?

de novo o silvo forçado pausado o respirar telúrico
ofegante
outra vez a espera...

a noite 
imensa eterna sem sono
a resignação há muito substituiu o desespero.
a atenção ao respirar a pausa de novo
agora?
segundos-horas...

por fim o túnel
a luz a paz.
a lágrima 
derradeira salgada lambida na face dos que ficaram.
o início continuação da saudade.
Aníbal Raposo 2008-12-28
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Alguns dos meus poemas vão ser editados, pela primeira vez, numa colectânea de novos poetas. O livro, que terá por título "Entre o sono e o sonho - Antologia de poetas contemporâneos", resulta dum concurso levado a efeito pelo Portal Lisboa e será publicado pela Chiado Editora.
Para mim, pouco habituado a estas coisas (sou mais ligado ao lançamento do disco), é uma alegria que quero compartilhar com os leitores do meu blog. Não faço ideia de quem serão os meus companheiros nesta aventura.
A apresentação da colectânea será feita, em princípio, no dia 31 de Janeiro, sábado, no bar Onda Jazz, em Lisboa. Apareçam se tiverem tempo e se sentirem pachorrentos.
Vai ser sábado para mim.
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MEU AMOR

Eu sou o rio
O mar és tu

Eu morro
Para morar em ti
Lisboa, 2008-12-22
Aníbal Raposo
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CANTIGA DO SILÊNCIO
O silêncio é como uma agoniaLentamente nos consome e faz sofrerMeu amor, minha doce fantasiaNão me deixes de silêncio ensurdecer
Diz-me coisas banais, do dia-a-diaDiz-me coisas nem que seja por dizerMeu amor, minha doce fantasiaNão me deixes de silêncio ensurdecer
No silêncio pode haver certa poesiaA que a palavra dá corpo e faz crescerMeu amor, minha doce fantasiaNão me deixes de silêncio ensurdecer
Aníbal Raposo
1982
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MENSAGEM DE NATAL
Meu menino Deus,
Cuida de todas as criaturas que habitam este lindo planeta azul. 
Faz a humanidade dar um passo em frente: Que haja Pão, Justiça e Paz Para toda a gente.

Amen.

Um Santo Natal para todos os leitores amigos.
Ponta Delgada, 2008-12-19 Aníbal Raposo
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CORRO RISCO
Corro. Para quê?
Não derreteu Dali os relógios,
Tirânicos guardiães do tempo? Para quê? Se amanhã, quando renascer como árvore,
Vou abrigar os pássaros sempre que o sol cair.
Risco Palavras, Muitas, sem nexo. Gostaria de riscar projectos de catedrais Cujos pináculos rasgassem  As nuvens que te ensombram a alma.  
Corro risco, De não te saber amar Com a fúria dum ciclone de Setembro. Com a calma espelho d' água das lagoas.

Ponta Delgada, 2008-12-05 Aníbal Raposo
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DA VAIDADE HUMANA (VANITAS VANITATUM, ET OMNIA VANITAS)

É sempre junto ao mar,perto da sua bela e incomensurável superfície azul,que o meu turbulento espírito encontra a paz.
Só de o olhar descanso, assim, como se entrasse de repente, num reconfortante e sedativo sono. Retempero-me logo do violento esforço que despendo para resistir à sucção voraz do cavado vórtice da vivência frenética, estúpida, sem sentido, para onde a turba me impele, dia-a-dia.
É, também, no escuro da noite, na pacatez do terraço da minha casa da fajã, que mantenho o saudável hábito de sonhar acordado.
Às vezes,  reclinado na minha cadeira de repouso,  imagino que piloto a terra-nave,
e a levo a sondar cada luzeiro que habita a imensidão dum céu de Agosto. 

Nessa minha viagem faz-de-conta, perdido, algures, nos confins do universo,  consigo ponderar, com fina exactidão,  a minúscula, a ridícula pequenez da futilidade humana. 
Ponta Delgada, 1 de Dezembro de 2008 Aníbal Raposo