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A mostrar mensagens de 2013
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PARTIDAS

Ver-vos largar
Com o grande pássaro
É soltar rios nos olhos.

Mas é, também,
Acender mil sóis no peito,
Discernir no vosso golpe de asa
O adejar prudente mas sem medo,
Conforme foi ensinado neste ninho.

Relva, 2013-12-31
Aníbal Raposo
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NATAL

Por mim, tenho esta crença:
Continuas a nascer todos os dias
Nas esquinas ignoradas 
Da indiferença.

Relva, 2013-12-23
Aníbal Raposo
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PÓS SOLSTÍCIO

Assim levedem as nossas almas
Arremedando os dias

Relva, 2013-12-22
Aníbal Raposo
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INVERNO

Três anjinhos brancos a nadar no inferno
Dizem-me que hoje começa o inverno.
Um dia maior só por ser tão curto
Num país de escolas da arte do furto.
Há carniça fresca e abutres em luta
E um galo de fraque servindo sicuta.
Em Belém há casas bem mal frequentadas
O demo é solista de missas cantadas.
Paciências chinas num infindo advento
Rios tão educados no seu movimento.
Se a porca já guincha vem aí matança
Um servil mordomo é o mestre da dança.
Numa mãe ditosa feita meretriz
Um robô biónico fala mas não diz.
Um eterno seguro em equilíbrio instável
Enorme eucalipto medra em terra arável.
As velas da esperança não chegam à costa
Cospem-nos em cima e a gente gosta.
Mil e uma peças, os mesmos atores
Duas mil mentiras, três mil impostores.
Vamos erriçados em patranhas tantas...
Oh mar do capelo quando te levantas?

Relva, 2013-12-21
Aníbal Raposo
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A ESTRADA

Há estrada para andar
Mas curta é a jornada.

Entender quem sou
Nesta caminhada
Procuro decifrar.

Marinheiro errante?
Humilde peregrino?
Impetuoso amante
De contendas febris?

Para mim, essencial,
Mesmo importante,
É estender a mão ao céu,
Tentar tocá-lo
E ser feliz.

Relva, 2012-12-08
Aníbal Raposo
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CICLOS

Jazem folhas em campa rasa
Num chão amarelado de outono.

O círculo está perto de ser fechado.

Pressinto as explosões de verde
E o azul imenso do cantar dos pássaros
Nos céus voados da nova primavera.

Relva, 2012-12-07
Aníbal Raposo
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ANIVERSÁRIO

Os meus anos celebrar
Não dá trabalho nenhum
Fica a pergunta no ar:
É mais um ou menos um?

Relva, 2013-12-05
Aníbal Raposo 

(Signos: Sagitário e Cavalo)
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LUSITANO
Corre meu corcel
Nos sons do vento
No teu galope
O meu contentamento

Voa meu ginete
E rasga o ar
Veloz compasso
Luz do meu cantar

Flecha pressurosa
O alvo sente
Fogo riscado
De estrela cadente

Relva, 2013-12-02
Aníbal Raposo
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ALVOROÇO
(blues)

Vou protestandoContra os maus ventosQue os momentosBons, vão rareandoNa tarde inquietaJá se ouve um prantoNeste recantoCheira a sarjetaEstar agitadoÉ ofícioDe poetaNão estou sozinho.Em cada esquinaNasce outra sinaUm novo caminhoVai-te queixumeVivo o presenteIntensamenteQue a vida é lumeO importanteÉ remarContra a correnteVão me apertandoNo torniqueteSou um jogueteDum vil desmandoPor que razãoNo mês correnteNum de repenteFoge-me o chão?Cabeça erguidaQue estou vivoE que sou gente!

Relva, 2013-12-02
Aníbal Raposo

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VELHO COMBOIO

Acabou-se o jogo.
Potência do fogo,
Rajada de vento.

O tempo é algoz.
Mas voas veloz
No meu pensamento.

Relva, 2013-11-26
Aníbal Raposo

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OCASO

Caminho lentamente
Na senda do crepúsculo.

Aguardo o abraço final.
A minha fusão com a terra mãe.

No dia em que fechar os olhos
Adivinho um lindo sol em chamas
A deitar-se num mar de azeite na fajã.

Quem baralhará
As partículas desfeitas
Do meu corpo?

Alguém as dividirá,
Como lhe aprouver,
E dará cartas de novo.

Quando ressuscitar
Serei um pássaro?

Ou renascerei como uma árvore
Onde outras aves farão ninho?

Relva, 2013-11-22
Aníbal Raposo

(Foto de FAN HO, Hong Kong Master Street)
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VIAGEM

Juro que hei de conduzir
Esta velha barca
Ao porto certo.

Ah esta minha obstinação
De pegar de caras,
Com as mãos na anca
E o peito aberto,
Uma enorme lua.

Relva, 2013-11-21
Aníbal Raposo
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FADO DA INGRATIDÃO
Não sei porque te canto Nem sei porque te quero Tu és o meu quebranto E desespero
Companheiro na noite O espinho do meu dia O ferro de um açoite Uma agonia
Fado louco Dás tão pouco A quem te adora Mas mantens pela vida fora O que é chama num artista
Fado duro Te esconjuro Na verdade Por tu seres pai da saudade Que é o fado dum fadista

Aníbal Raposo Maio de 1991
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PESCADOR DE SONHOS

Estou neste banco sentado
Olhando o nada à tardinha.
Cá por mim nunca me enfado
A pescar sonhos à linha.

Calcorreio o meu passado,
Assobio uma modinha,
Chego a dormir um bocado
A pescar sonhos à linha.

Navego, pano enfunado
Do vento que se avizinha,
Quando estou aqui sentado
A pescar sonhos à linha.

Sei do que sou acusado:
Não cuido da sorte minha.
Deixem-me estar sossegado
A pescar sonhos à linha...

Relva, 2013-11-19
Aníbal Raposo

(Foto de Paulo Dias 
Fishing a Dream)
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MAESTRO

O desafio último
É conduzir o sonho
Na plenitude dos sentidos.


Relva, 2013-11-12
Aníbal Raposo
(foto de Benoit Courti)
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IN VINO VERITAS

É tiro e queda, resulta
E dito da antiguidade:
O que na água se oculta 
No vinho solta a verdade

Relva, 2013
Em dia de São Martinho
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MARIONETAS

Assim nos desejam:
Vazios, sem rosto,
Costas ao futuro,
Com os dias nus,
Seres articulados.

Penso que gracejam
Com o nosso desgosto.
Não sonham quão duro
É o peso da cruz.
Estão bem enganados...

Relva, 2013-11-10
Aníbal Raposo

(Foto de Rosie Hardy)
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ROCHA

É aqui
Que me acho
E sei de mim.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-11-07
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SE O TEU AMOR

Se o teu amor
Fosse assim como o mar
Me embalasse a cantar
Não fosse silêncio e dor
Tivesse asas de vento
Assobiasse baixinho
Fosse assim um bom vinho
Me soltasse o sentimento

Me pusesse a vibrar
Como corda de guitarra
Não fizesse de amarra
Quando o meu barco quer largar


Fosse ele a loa
De toda a minha vida
Tempestade vivida
Sendo calma de lagoa
Fosse assim o perfume
Duma flor macerada
Fosse face marcada
Fosse a acha no meu lume

E como o sol é do céu
Como o mar é da lua
Era eu toda tua
Toda tua e tu só meu


Relva, 1996-02-20
Aníbal Raposo

(poema para uma minha amiga cantar)
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ROSA

És uma rosa
E o teu perfume
Coisa mimosa
É um mar de lume.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-11-09
(foto tirada hoje no meu jardim)
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TRINITY COLLEGE

Nos teus pátios sombrios
Pressinto o buscar da claridade
Quatro séculos de forja do saber
Na velha Dublin.

Espreita um raio de sol.
Correm velozes os formandos
A estender-se em grupo
Na verdura dos relvados.
Os corpos sorvem-no vorazes
Como se em cada veia
Fluísse sangue frio.

Mas é quente o aconchego dos pubs da cidade
Onde, ao cair do dia, se soltam  risos alvos,
Conversa franca, boa música
E pints de cerveja escura.

Prometo que um destes dias voltarei,
Terra de Santos e Sábios.

Saudade da Tir na nÓg
Lugar da eterna juventude.


Relva, 2013-11-01
Aníbal Raposo
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DESPERTAR

Ao ver o astro-rei
Nascer no teu sorriso
Em cada madrugada

Sinto, como direi?
Que tenho o que preciso.
Já ganhei a jornada.

Relva, 2013-10-31
Aníbal Raposo
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CONTRASTES

Se em mim procuras calma
Eu sou desassossego
Se queres é companhia
Eu vendo solidão
Se tu pretendes alma
Eu cedo desapego
Se buscas alegria
Eu vivo em depressão

Se anseias por esperança
Eu sou um mar revolto
Se não te interessa o joio
Eu não sou trigo são
Se procuras bonança
Sou um cavalo solto
Se careces de apoio
Está fria a minha mão

Se a planura é teu sonho
Nasci desfiladeiro
Se estimas água mansa
Em mim tens golpe de asa
Se me aspiras risonho
Não tens um bom parceiro
Se queres é confiança
Eu sou um ferro em brasa

Pensas que tenho emenda
Eu não sei merecer-te
Tu foges de tormentos
Eu renego verdades
Procura quem te entenda
Que não sei perceber-te
Tu não semeias ventos
E eu colho tempestades

Relva, 2012-10-30
Aníbal Raposo

(Para o meu próximo CD)
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ANJOS E DEMÓNIOS

Feitiços e bruxarias
Caldeirões a bom ferver.
Eu quero aqui vos dizer
Que quase todos os dias
Tendo à frente um diabinho
Lanço meus sonhos ao ar.
Tenta todos rebentar
Mas eles fazem caminho.
Este capeta é um anjinho...

Relva, 2013-09-29
Aníbal Raposo
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NEVOEIRO 

Perto do mar vejo o lenço
De nevoeiro a descer
Falésia abaixo, tão denso...
Há até vezes que penso
Que sou peixe sem saber

Rocha da Relva, 2013-10-27
Aníbal Raposo
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PÉ DE VENTO

Tu sabes que és, meu amor,
A minha estrela polar
A minha explosão de cor
Meu pé de vento solar

Relva, 2013-10-24
Aníbal Raposo
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CHUVA

Sinto a tristeza a crescer
Já não seguro a emoção
Chove chuva, a bom chover
Dentro do meu coração

Relva 2012-10-24
Aníbal Raposo
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 LONGE NA TARDE

Um banco de jardim ali plantado
Com fina precisão. Centro de nada.
Convite aberto à reflexão
Sobre o rasto dos meus passos
Nesta fugaz jornada.

Sentei-me.

Na tarde imensa,
Qual curva do tempo eterno,
Desassombrada,
Saboreei o mel e o fel
Da minha estrada.

No quente abrigo
Da concha segregada
Ri de alegrias
E de tristezas
Que vivi.

Caiu a noite.

Quando os candeeiros
Por fim se iluminaram
Andava eu longe...

Posso jurar
Por Deus
Que luz não vi.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-10-25

(foto de Brandace Myers)
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A MESA

Faço gestão, alguma engenharia
Faço o que posso e gosto, tem de ser...
Ganho o meu pão sonhando com o dia
Em que as palavras bastem p'ra comer

Aníbal Raposo
Relva, 2013-10-20
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DESNORTE

Nós somos, tu e eu, dois sóis ardentes
De fogo iluminados, consumidos,
Em pelejas de amor ledas e quentes,
Explodindo na folia dos sentidos.

De tanto nos acharmos, tão perdidos
Em devaneios mil, beijos frementes,
Por entre gritos cavos e gemidos
Tocamos o universo dos dementes.

Por isso aqui declaro meu amor
Que gosto de te amar com tanto ardor
Como se fosse sempre a vez primeira.

Corações irmanados, ternos laços.
Que sorte não ter norte nos teus braços
Eternamente arder nesta fogueira.


Relva, 2013-10-19
Aníbal Raposo



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LONDRES

Vou de abalada
Uma vez mais
Ave de cais
Mira cidades

Voo à procura
De me encontrar
No demandar
Diversidades

Depois regresso
Ao doce encanto
Do meu recanto
Funda raiz

Onde com Deus
Acho descanso
Sinto o mar manso
E sou feliz.


Relva, 2013-10-07
Aníbal Raposo


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TRAPEZISTA

Com o sangue a pulsar nas veias
Preparo mais um voo no trapézio.

Gosto de pensar
Que toco o público.

Vou saltar com rede.

Ponta Delgada
2013-09-13




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INCÊNDIOS

Céu e mar em chamas
Recordam que me amas
Neste fim de tarde.

Luz na despedida.

E o meu coração,
Entra em combustão,
Consome-se e arde.

Benta seja a vida.

Rocha da Relva
2013-09-08
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UNS TROCOS OU UM SORRISO 

Sei que tens bom coração
E sabes do que preciso:
Não tens uns trocos à mão?
Deixa ficar um sorriso...

E se és homem de coragem
Ri-te de ti, meu amigo,
Já que és dente da engrenagem
Que de mim faz um mendigo.

Aníbal Raposo
(a propósito duma foto no perfil do Paulo Bettencourt)
Relva, 2013-08-10
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SANTA CLARA

Do teu avanço mar fora,
Tomou o nome a cidade.

Na memória, a tua indústria
Terra de mãos operárias
E de bom toque de bola.
Em ti se esculpiram quilhas
De marceneiros de sonhos
E cabouqueiros de cais.

O teu farol é emblema
Que assinala caminhos
Na vida dos deserdados.
Porto de abrigo do mundo.

Pequena e singela urbe
De sótãos tão arejados.
Mistura de tons na pele
Abraço do que é diverso,
Repouso e paz dos proscritos,
Paleta e som da saudade.

Assim és tu, despojada
Mas nobre terra, fagueira,
Cresceste bem à imagem
Da tua mãe padroeira.

Aníbal Raposo
2013-08-08
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ESTRELAS CADENTES

Aguardo, impaciente,
A imensa graça anual
Do meu céu de agosto.

Adivinho
O supremo artista,
Arrebatado,
De pincel em punho
E em pleno furor inventivo,
A riscar estrelas cadentes,
Incendiando a escuridão
Da imensa tela da noite.

Observo
O pintor
No seu trabalho.

E cinjo-te a cintura
Meu amor...

Aníbal Raposo 
Relva, 2013-07-23


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CHÃO DE LAGOA

hoje é dia de recordar,
como o poeta,
em serena paz,
sem amargura,
que mesmo um grande amor,
muito sentido,
só pode ser eterno
enquanto dura.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-07-22
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A PROPÓSITO DUMA FOTO PUBLICADA NUM PERFIL DE MÁRIO DORMINSKY
Isto não é brincadeira Até me dá um calor E afirmo, bem disposto Que não sei do que mais gosto: Se do design da cadeira Se da tiara o alvor.
Aníbal Raposo
Relva, 2013-07-19
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JUSTIÇA

Ontem mesmo eu aprendi
Uma excelente lição:
Nem sempre a razão da força
Vence a força da razão.

Aníbal Raposo
Relva 2013-07-19

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FIM DE TARDE

Irmão,

Ir?
Mão?

Aproveita bem a calmaria

A cal?
Maria?

Que vem aí borrasca

Borra
Rasca.

Fim de tarde nas Milícias
2013-07-14
Aníbal Raposo
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VIAGEIRO

As raízes
No chão em que se nasce.

As malas
Sempre aviadas p'ra voar.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-07-13
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SAUDADES DE TI TÃO PERTO

Meu Deus, como era bom ter-te comigo Aqui no doce abrigo do meu lar Amar-te de mansinho sobre a cama
Com a calma que um casal tem de se amar

Perder-me nos teus seios e encontrar-me
Molhando esse teu ventre e prazer meu
Morrer, braços em cruz, nesse teu corpo
Tendo a certeza de acordar no céu

Meu Deus tira-me a paz, tira-me tudo
Até os olhos meus podes cegar
Mas nunca, aqui te peço, me retires
O voo, a liberdade de sonhar


Aníbal Raposo
balcão do Zás Trás
1997-07-05
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CEIA DE CRIADORES

Dai a bandeira a beijar
Cante a folia de novo
P'ro Divino abençoar
O coração deste povo

Aníbal Raposo
Remédios da Bretanha
2013

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Mar. Azul que ondula ao vento.
Imenso, robusto, intenso.
Via e sentimento.

"Hai-Kai" Aníbal Raposo
Relva, 2013-06-08
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CADA QUAL TEM O SEU DEFEITO
(Aliud alic vitio est)

Se alguém que prezas
Te feriu fundo, sem querer,
Não leves isso a peito.
Cada qual tem o seu defeito.

És capaz de desculpar
O erro alheio?
Nunca percas o jeito...
Cada qual tem o seu defeito.

A vício e a virtude
Sempre se cruzaram
Num atalho estreito...
Cada qual tem o seu defeito.

Se a vida porventura te sorri
Mira-te bem,
Julgas que és o eleito?
Cada qual tem o seu defeito.

Aníbal Raposo
Relva, 2013-06-08