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A mostrar mensagens de Setembro, 2006
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DANÇA COMIGO

Dança comigo, morena
Leveza de pena
Esta dança breve
Dança e rodopia
Solta-me a alegria
De quem nada deve

Acende-me, a cara, o rosto
Os lábios de mosto
Riso de marfim
Requebra a cintura
Que és a criatura
Nascida pr’a mim

Coro:

Vamos, a dança é louca
Dá-me a tua boca
Que este beijo é meu
Dança comigo amada
Eu já estou na escada
Que me leva ao céu


Ao som da concertina
(Cinturinha fina
Pele de cetim)
Dança meu amor
Não sei doutra flor
Que bem dance assim

Dança com fantasia
No fim deste dia
Que se vai embora
No passo da vida
Dancemos querida
Que é a nossa hora

Aníbal Raposo
Lisboa
2006-09-26
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CANTIGA DOS CANTOS

Canto do meu quarto, casa da fajã
Cantigas de melro - acorda é manhã
Cantos de trabalho são cantos que gravo
No canto da memória há trabalho escravo

Minha avó cantava à luz da candeia
Dez cantos ao luso são uma epopeia
Num triste cantar canta o indigente
A cantar de galo anda muita gente

P’lo canto do olho vi luzir adagas
Com cantos te canto e com mal me pagas
Leves são cantigas que as leva o vento
Canta e ri comigo que é sempre momento

Há cantos de enganos, cantares de bandido
Cantos de sereia, já fui iludido
Com cantos guerreiros eu brandi a espada
No canto da vida, numa encruzilhada

Num doce cantar o meu mal espanto
Com cantos e rezas que benzo o quebranto
O da meia-noite dizem ser excelente
Se é depois das dez já me põe doente

Com mavioso canto a moral me pregas
Sabes bem cantar mas já não me alegras
Foi com cantochão que vendeste os céus
No canto do cisne já te disse adeus.

Aníbal Raposo
Aeroporto de Ponta Delgada
2006-09-25