sexta-feira, fevereiro 25, 2011



FIM DE SEMANA

Foi-se a sexta!

Desembesta!
Abre a fresta!
Vive a festa!

Pouco resta,
Volta a gesta...


Ponta Delgada
2011-02-25

terça-feira, fevereiro 22, 2011



FILHAS

Carne da minha carne
Risos do meu riso
Sangue do meu sangue
Como de vós preciso...

Estar convosco é celebrar a arte feliz do reencontro
Ganhar de novo o norte nos mares perigosos
Desta vida turbulenta onde navego.

Atentar nos vossos rostos, nos traços e gestos comuns
Que Deus e alguns genes milagrosos esculpiram,
É festejar a alegria de reconhecer em vós o melhor de mim
Refletido em clemente e misericordioso espelho.


Lisboa, 2011-02-22

sábado, fevereiro 19, 2011

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BALADA DE OUTONO

Poema ao vento
Com as crinas delirantes!
Outono lento
Com os sonhos bem distantes!
Meu sol sangrando em agonia
Meu corpo amando
Um farrapo de poesia.

Folhas de outubro
Sobre setembro:
- Mãos que descubro
Sem saber do que me lembro...
Meu barco atado
Ao cais da vida;
Lenço bordado
Que aceno em despedida

Tudo sereno
Neste mar em maresia
Um cheiro a feno
Vai na onda da poesia
Nas mãos da tarde
- Em concha pura
Um corpo arde
De espanto e de ternura

Eis o outono
Correndo à chuva!
Com ar de sono
E seu pranto de viúva...
Tudo cinzento.
Mágoa levada
No movimento
Desta garça abandonada

Longo tormento
Que novembro acarreta:
Poema dentro
Da barriga do poeta.
Minha placenta,
Sem ter idade,
Que não rebenta
Este grito de saudade.

Que parto ameno
De mim deriva?
- Meu filho pleno
Meu amor em carne viva;
Meu sangue e carne,
Criado e dono;
Folha da tarde
Que caiu no meu outono

Álamo de Oliveira

domingo, fevereiro 13, 2011



CHAMEI-TE LINDA, ENGRAÇADA

Chamei-te linda, engraçada
Da graça que Deus te deu
E tu deste uma risada
Quem a não tinha era eu

Que mais eu posso fazer
Posso eu fazer, ai de mim
P'ra um dia te ouvir dizer
Ouvir-te dizer que sim.

Deixa-me ao menos a espr'ança
A derradeira a morrer
Quem espera sempre alcança
Foi sempre o que ouvi dizer

És a flor que mais desejo
Das flores do meu roseiral
Quando, rosa, te não vejo
A vida corre-me mal

Sei que tu és o meu par
Sei que nasceste p'ra mim
Nunca se deve afastar
Flores do mesmo jardim

Rosa branca, tua cor,
No dia em que me quiseres
Farei de ti meu amor
A mais feliz das mulheres

Aníbal Raposo
Ponta Delgada, 2011-02-13
(Para a minha mulher nas vésperas de mais um dia de amor)