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A mostrar mensagens de 2011
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ANO NOVO

Mais uma vaga
À frente
Da proa
Do barco
Da vida

Será recordada
Pela mão ao leme
Fazendo
A diferença

Ou então será

Só mais uma vaga
Que a proa
Do barco
Da vida
Sulcou.

Ponta Delgada, 2011-12-31
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NATUM EST

Hoje vão nascer
Em todo o mundo
Milhares de meninos
Pobres, sem futuro.

Há muitos anos,
Em Belém, na Judeia,
Nasceu um menino
De igual condição.

Se seguíssemos
O que ele nos ensinou
Aqueles que hoje vão nascer
Teriam um outro amanhã.

Ponta Delgada, 2011-12-23
RTP - TELEJORNAL - AÇORES

Se clicar no link acima pode ver, ao minuto 31 do vídeo, um apontamento da minha atuação com o Grupo Connection no programa televisivo Natal dos Hospitais, realizado no dia 15 de Dezembro nos Açores. O tema chama-se "Seres o meu amor" e tem letra minha e música minha e dos Connection.
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PIROMANIA

Hoje percorremos a ilha
Acendendo sorrisos
Em rostos cinzentos, marginais.

É urgente atear fogos
Nas florestas da indiferença.

Ponta Delgada, 2011-12-16
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ESPERA
O sol morreu...

Aguardo que o teu riso
Bata à nossa porta.

Quando chegares
Saciarei a sede da saudade
Bebendo sumo fresco
Da tua boca.

Ponta Delgada, 2011-12-12
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MIL POEMAS

Conheço mil poemas
Que falam de búzios.
E dez mil poetas 
Que nunca os cativaram
No sibilar dos ventos.

Conheço outros mil
Que falam de pássaros.
E dez mil poetas
Que jamais espreitaram
Dois ovos num ninho.
Sabem imitar
Os seus cantos d'alba?
E assobiar as árias de ocaso?

E sei de mil mais
Que também nos falam
Da vida das pedras.
Dão-lhe mil sentidos...
Mas quantos poetas
Já adormeceram
Em plena harmonia,
Um riso aflorando
No canto dos lábios,
Lembrando fantasmas
Quando as pedras cantam?

Sabem que as redondas
São sempre as mais sábias?

E dos mil sussuros, 
Tristes prisioneiros
Em poemas-celas?
Falarão verdade
Ou estão a fingir 
Ao dizer que os ouvem? 

Quantos poluiram
De silêncio a alma?


Ponta Delgada, 2011-12-10
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EM DIA DE ANIVERSÁRIO

Nesta corrida louca
Sinto uma brisa suave
Que me acaricia o rosto.
E alegro-me no vislumbrar da meta.

Estou de passagem...

Já me sinto a nascer de novo
Noutros lugares.

Morro de curiosidade
Sobre o meu próximo desafio.

Ponta Delgada, 2011-12-05
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PERCO-ME EM TI

E houve barcos
A navegar
Pelo mar fora

Barcos sem rumo
Sem mãos no leme
Sem ter arrais

Sulcavam ondas
De salsa espuma
Não tinham hora

Foi navegar
Por navegar
Sem querer cais

Velas erguidas
Eretos panos
Cheios de vento

Parou o tempo
Nascem desmaios
E sons de mar

É sempre bom
Zarpar contigo
Meu doce alento

Sem faro à vista
Perco-me em ti
P'ra me encontrar

Ponta Delgada 2011-11-26
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DIA DE FINADOS
Foi só há dois anos. Pensei que era a hora E senti-os tão perto...
Tenho nos ouvidos As suas vozes suaves Quando eu caminhava No túnel de luz. A débil fronteira Entre os nossos mundos...
Amanhã, mal o sol desponte Vou levar-lhes flores.
É a minha forma De brindar com eles À morte do medo.
2011-10-31
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(saco de Pão-por-Deus)
Trick-or-treat
Doce ou travessura! Ele há quem os tome Até na mesma altura.

Olhem irmãos meus: Aos que têm fome Dai-lhes pão, por Deus.
2011-10-31
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VOLTANDO

Eu estou de volta,  porque aqui é meu lugar
Espaço-utopia onde dá gosto versejar
Onde há poetas a postar e eu posto.

Simples terreiro onde me exponho, nu, sem truque.
Vou deixar só e à sua sorte o facebook
Do dito redutor: gosto, não gosto.

Ponta Delgada, 2011-09-06
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AS PALAVRAS ESTÃO A MONTE

Às vezes as estrelas são tão poucas...
Não ocupam o espaço que há no céu
De alegria que é o nosso amor.

Às vezes os navios são escassos
Para navegarem em todas as rotas
Do mar oceano das nossas emoções.

Às vezes os arados são tão parcos
Que não abrem os sulcos necessários
Na terra virgem do nosso encantamento.

Às vezes não se encontram as sementes
P'ra semearmos em húmus criador
A esperança do futuro que sonhámos.

Às vezes procuramos palavras fugidias.
Andam a monte por amor à liberdade.
Não cedem à prisão que é o poema.

Ponta Delgada, 2011-09-06

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AO DEITAR

Bebo os teus receios e medos
Como se fossem meus.

Sinto as tuas mãos procurando o meu corpo
Como uma âncora de esperança
A que te agarras.

Enquanto te afagar os cabelos
Para afastar os sonhos maus
E me colar a ti para te acalmar as angústias
Saberei que te amo.

Ponta Delgada, 2011-09-05
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FIM DE SEMANA NA CIDADE

Tenho mar em frente
Mas este não é o meu mar...

E tenho conhecidos por perto
A quem aceno com urbanidade.
Eu sou um tipo educado.

Porém os meus sonhos estão longe...
Pairam em voos tranquilos
Como asas de milhafres
Na falésia da fajã.

No fim de semana,
Mesmo que esteja por cá,
Nunca me encontro na cidade.

Ponta Delgada, 2011-09-04
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DESINSPIRADO
Que a palavra rasgue os céus e me fulmine como um raio!
Ao menos aconteça!
Ponta Delgada, 2011-08-25
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TENHO PRESSA

É final de sexta-feira. Hora de escapar ao mundo Fugir à boca da fera.
Tenho pressa, muita pressa, P'ra onde vou a correr Voam milhafres e pombos E há garajaus à espera.
Quanto mais eu envelheço Mais com eles me pareço...
Ponta Delgada 2011-07-29
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PRAIA GRANDE
Como é bom dar férias ao nosso cansaço Estender a alma ao sol depois de a lavar Uma suave brisa, um beijo e um abraço Gozando uma sombra e o azul do mar
Ao longe um veleiro abre todo o pano Lembrando que há tanto para navegar Logremos o tempo que ao longo do ano O tempo não temos p'ra nos encontrar
Praia grande, ilha de S. Miguel 2011-07-04
MINHA METADE
Single para abrir o apetite para o novo CD que vou editar em 2011.


Meu lindo bem-querer Rosa do meu jardim Não canso de dizer O que és p'ra mim:
Minha mulher Singelo encanto Minha alma-irmã És meu farol Raio de sol Luz da manhã
Minha empatia Sabedoria Sem ter idade Minha poesia Minha alegria Minha metade
Minha água clara Pedra tão rara Meu talismã Rima e compasso Meu terno amasso Minha maçã
Minha pepita Coisa bonita Cheirosa flor Minha certeza Minha riqueza Meu doce amor
Aníbal Raposo Ponta Delgada, 2011-01-31

Ponta Delgada, 2011-05-07
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25 de Abril

Era a liberdade que subia os Aliados, Em sucessivas vagas, nas nossas mãos contida.
Arremessava os paralelos da raiva e da esperança Que choviam sobre a hidra encurralada Entre os edifícios da Câmara e dos Correios. Pedras contra balas! Mas os nossos corações, Esses, já se alegravam na certeza da vitória.
E eis que chegam os comandos de Lamego, G3 em punho, de rubros cravos enfeitadas. Juntam-se a nós, compartilhando a fúria de alegria!
Os agentes da polícia, fiel ao pútrido regime, desmoralizados, Atiram-se de qualquer forma para o interior de carrinhas Que voam ligeiras na avenida, de portas laterais escancaradas, Protegendo-os da ira popular na desordenada fuga .
Já fogem, já fogem!
E os nossos olhos marejados de lágrimas Brilhavam como tições ardentes na fogueira da mudança. Nas nossas bocas rasgavam-se risos abertos, francos, infantis. E recebíamos abraços efusivos de estranhos próximos, na bebedeira da vitória.
Era a Santa Liberdade que chegava. O povo unido nunca mais será vencido!
.…
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MARÉ CHEIA

É bom chegar ao Japão.
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PREPARANDO A CAMINHADA
Hoje levantei-me cedo. Quis andar um pouco e respirar o ar puro da fajã. Deslumbrei-me, como acontece a cada ano, Com despontar dos tenros abrolhos das videiras. Fui despedir-me do canto familiar dos pássaros E do embalo sonoro das ondas do oceano.
De hoje a oito dias, em caminhada de fé e oração, Ao percorrer os santos caminhos desta ilha verde, Intensamente perfumados de hortelã e incenso, Terei a oportunidade de me reencontrar comigo.
Com a barba crescida de romeiro Serei apenas um entre os irmãos. No rasgar de todas as máscaras Restará a fragilidade dum homem Que procura Deus.

Relva, 2011-04-02
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AUTO-RETRATO
Tenho alma de marinheiro
Navego o mar da poesia
E para ser verdadeiro
Não sei se aporto algum dia

Sonho tanto, tanto, tanto
Que às vezes mesmo acordado
Eu sonho um sonho de espanto
Que não dá p'ra ser contado

A minha rima-veleiro
Mareio nas tempestades
Dos sonhos do mundo inteiro,
Dos montes, vales, cidades.

Olham e veem aprumo
Mas não estou cá de verdade
Navego em sonhos sem rumo
Oceanos de liberdade

Ponta Delgada, 2011-03-29
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SOBRE A NUDEZ
Tu E as minhas convicções.
Adoro mirar-vos de viés. Jovens, remoçadas, Admiravelmente Nuas.
Lisboa, 2011-03-20
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"NO MAR" EM ÁFRICA
Quando menos esperamos a música que fazemos chega mais longe.
O tema "No Mar" chegou a Ceuta através do Grupo Coral de Torremolinos, de Espanha.
Agradeço a preferência.
Ponta Delgada, 2011-03-03
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FIM DE SEMANA
Foi-se a sexta!
Desembesta! Abre a fresta! Vive a festa!
Pouco resta, Volta a gesta...

Ponta Delgada 2011-02-25
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FILHAS
Carne da minha carne Risos do meu riso Sangue do meu sangue Como de vós preciso...
Estar convosco é celebrar a arte feliz do reencontro Ganhar de novo o norte nos mares perigosos Desta vida turbulenta onde navego.
Atentar nos vossos rostos, nos traços e gestos comuns Que Deus e alguns genes milagrosos esculpiram, É festejar a alegria de reconhecer em vós o melhor de mim Refletido em clemente e misericordioso espelho.

Lisboa, 2011-02-22
BALADA DE OUTONO Poema ao ventoCom as crinas delirantes!Outono lentoCom os sonhos bem distantes!Meu sol sangrando em agoniaMeu corpo amandoUm farrapo de poesia.
Folhas de outubroSobre setembro:-Mãos que descubroSem saber do que me lembro...Meu barco atadoAo cais da vida;Lenço bordadoQue aceno em despedida
Tudo serenoNeste mar em maresiaUm cheiro a fenoVai na onda da poesiaNas mãos da tarde-Em concha puraUm corpo ardeDe espanto e de ternura
Eis o outonoCorrendo à chuva!Com ar de sonoE seu pranto de viúva...Tudo cinzento.Mágoa levadaNo movimentoDesta garça abandonada
Longo tormentoQue novembro acarreta:Poema dentroDa barriga do poeta.Minha placenta,Sem ter idade,Que não rebentaEste grito de saudade.
Que parto amenoDe mim deriva?-
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CHAMEI-TE LINDA, ENGRAÇADA

Chamei-te linda, engraçada Da graça que Deus te deu E tu deste uma risada Quem a não tinha era eu
Que mais eu posso fazer Posso eu fazer, ai de mim P'ra um dia te ouvir dizer Ouvir-te dizer que sim.
Deixa-me ao menos a espr'ança A derradeira a morrer Quem espera sempre alcança Foi sempre o que ouvi dizer
És a flor que mais desejo Das flores do meu roseiral Quando, rosa, te não vejo A vida corre-me mal
Sei que tu és o meu par Sei que nasceste p'ra mim Nunca se deve afastar Flores do mesmo jardim
Rosa branca, tua cor, No dia em que me quiseres Farei de ti meu amor A mais feliz das mulheres
Aníbal Raposo Ponta Delgada, 2011-02-13 (Para a minha mulher nas vésperas de mais um dia de amor)
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MINHA METADE
Meu lindo bem-querer Rosa do meu jardim Não canso de dizer O que és p'ra mim:
Minha mulher Singelo encanto Minha alma-irmã És meu farol Raio de sol Luz da manhã
Minha empatia Sabedoria Sem ter idade Minha poesia Minha alegria Minha metade
Minha água clara Pedra tão rara Meu talismã Rima e compasso Meu terno amasso Minha maçã
Minha pepita Coisa bonita Cheirosa flor Minha certeza Minha riqueza Meu doce amor
Aníbal Raposo Ponta Delgada, 2011-01-31
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JÁ DEI A VOLTA AO MEDO
Já dei a volta ao mundo Já dei a volta ao medo E p’ra dar esta volta Só conheço um segredo: Como se hoje fosse O dia derradeiro Juntar no mesmo abraço O mundo inteiro
Eu sei que tu estás bem Como eu bem também estou A paixão pela vida Foi o que nos juntou Plantamos a semente Que nos leva a sonhar Gostamos desta terra E deste mar

Bem sei que a vida é curta Já estive p’ra partir Por isso eu te aprecio Porque me fazes rir Em cada abraço teu Há um mundo de emoção Que me faz derreter O coração
Assim, eu abro os braços Perante o astro-rei Pensando nos amigos No que já partilhei E agradeço a Deus, Estar vivo, agora, aqui Aquilo que já fui O que vivi.
Aníbal Raposo 2011-01-29