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A mostrar mensagens de Novembro, 2012
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SEI DUM POEMA

Eu sei dum poema louco
Nascido dum grito rouco,
Que por pouco
Não calou.

Também dum poema pomba,
Alva, branca. De mim zomba.
Sonho-bomba
Que estourou.

Sei do poema indigente,
Tingido de inteligente.
Do demente
Que alucina.

Do poema que não diz,
De feiticeiro aprendiz,
Meretriz,
E concubina

Sei do poema matreiro,
Velado, mas verdadeiro,
Sorrateiro,
Que desperta.

Amo o poema, que arrasa
Vento, fúria que extravasa,
Golpe de asa,
Que liberta!


Aníbal Raposo
Relva, 2012-11-23
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QUANDO O TEU OLHAR

Quando o teu olhar
Dirigido a mim
Disser: Sim !
Vou fugir depressa
Para que esqueça logo
Os sonhos que me vão pela cabeça
Porque eu não posso dar ao meu peito
Nem a chance de te amar

Mas se o teu olhar
Por qualquer razão
Disser: Não !
Vou ter pesadelos
Arrepelar cabelos
Porque belos foram
Sonhos e desvelos
Porque os castelos no ar que erigi
Vão ruir com o teu olhar

Aníbal Raposo
1989 
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QUADRAS NO DIA DE S. MARTINHO

Trabalhei desde manhã No dia de S. Martinho Nem sequer fui à fajã Provar o meu rico vinho
Pareço um tipo de antanho (Oh palerma não descansas?) Trabalho tanto e o que ganho Vou entregar às Finanças.
É trabalhar, trabalhar Sem ter do corpinho dó Para depois sustentar Muito burro a pão de ló
Aníbal Raposo Relva, 2012-11-11
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AOS PRESENTES

Partiram?
Quem partiu?
Os que largaram amarras
São os que continuam firmes
Para nosso alento
Bem aqui ao lado.

Partiram o quê...
Na verdade
Só se parte
Quando se entra,
De forma perene,
No soturno vale
Do esquecimento.

Partiram?
Para onde?
Não me basta cerrar
Os olhos por breves segundos
Para os rever tão vivos
Mesmo à minha frente?

Partiram?
Porquê?
Quiseram libertar espaço
À formosa árvore
Da aprendizagem
Para estender os ramos?

Partiram?
Como?
Se com eles continuo
A partilhar diariamente
Cada singela dúvida
Da minha existência.


Aníbal Raposo
Relva, 2012-11-01
(em véspera de Finados)