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A VELHA DO ZÉ MOURINHO
Apesar de iracundo O Mou é o melhor do mundo Vocês não levem a mal
Por muito que se reclame Já foi o "Special one" Agora "El especial"
Tal como se estraga bom vinho E não há santo que não peque O Barça pôs o Mourinho A lavar no Cinq à Sec.
Ponta Delgada, 2010-12-02
Nota: "Velha" é sinónimo de cantiga de escárnio e mal dizer na ilha Terceira, Açores
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(foto: Sónia Nicolau)
DIA NA FAJÃ
Acorda mulherQue já é manhãUm canário cantaE enche a fajã.
É levantar cedoQue a faina é compridaMexe-me esses ossosTermina uma vida.
O sol está a pinoO calor apertaPios de milhafreFalésia deserta.
E tu meu amigoAfoga esta mágoaA maré está cheiaMarrecos p'ra água.
Logo ao fim da tardeFaz maré vaziaVai pedir um laçoÀ casa da tia.
Vê lá não me enredesEm conversas-teiaÉ que as duas manasJá estão à moreia.
Depressa p’ra poçaVai a minha equipeQue existe uma taçaAqui em despique.
Carrega no engodo
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SETEMBRO
Chegou Setembro.
O choro e o cheiro das uvas maduras fundiram-se na alegria do vinho novo.
Aguardo agora que as folhas caiam comigo, suavemente, nos amarelos de outono.
Quando as primeiras chuvas do inverno chegarem, prometo que estamparei na minha velha face um riso de menino inventor de primaveras.
Ponta Delgada, 2010-09-15
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QUEM TE DISSE
Quem te sugeriu que atentasses bem ao círculo da vida Porque não há sucesso ou mal que sempre permaneça? Quem te disse para nunca amares o poder só pelo poder E que fosses lesto no agradecer e lento no protesto?
Quem te alvitrou que a vida é bela mas um risco permanente E que quem o compreende e assimila cresce e se humaniza? Quem te disse para não remoeres constantemente as tuas mágoas E gozares daquilo que é presente pois que é dádiva dada do mais alto?
Quem te propôs seres insubmisso e forte em tua mente E praticares a arte de duvidar do que facilmente te é doado? Quem te ensinou que somos treinados para ser obedientes servos Do nosso eu, terreno íntimo onde devemos ser senhores?
Quem te lembrou que o silêncio é de ouro e oração dos sábios? Que quando te calas mantens a dignidade face à injustiça? Quem te disse que a capacidade de te entenderes, saberes de ti, Não se aprende nos bancos da escola mas calcando o pó da estrada?
Quem te aconselhou a te sentires bem na tua pele Já que és…
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ESTIOÉ bom, feliz, curto e sensual, o quente estio.Preenche, por instantes,O alienante círculo anual das nossas vidas,Vezes sem conta repletas de vazio.
São Caetano, ilha do Pico2010-07-26
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UMA "VELHA"
Um bispo olhou p'ra uma tia Parecendo até que via Uma alma do outro mundo.
Perguntou-lhe ela se olhava Para uma cruz que brilhava No seu decote profundo.
Diz o bispo: Ai meu Jesus! Muito antes p'lo contrário: Não apreciava a cruz Meditava no Calvário.

Feita em S. Caetano, ilha do Pico nas férias em 2010-07-25.
Nota: As "velhas" são cantigas de escárnio e maldizer, humor negro e non-sense, paródias e sátiras através da poesia. Os seus grandes criadores são naturais da ilha Terceira. Esta aqui é uma homenagem dum micalense bem humorado que aprecia o género.
Aqui está o novo single dos Connection no qual colaborei com a composição da melodia e com a escrita da letra. A música base é do meu querido amigo Mário George Mello, teclista e compositor. Canto a música, na qualidade de convidado, com a boa companhia do Sílvio Ferreira, vocalista da banda e uma das vozes de referência nos Açores. Para mim foi um desafio, uma festa e uma honra trabalhar num projecto diferente, de rock electrónico, com gente mais nova mas com muito talento. Espero sinceramente que gostem. E aguardem porque os Connection vêm aí com mais...

SERES O MEU AMOR
Seres o momento De ternura Do olhar...
Seres a estrela Seres a linha Do meu rumo...
Seres o meu amor… Amor o que é? É seres igual a ti Minha querida.
Seres a minha luz… A luz, o que é? É seres p’ra mim, assim Mais do que a vida.
Seres a minha lua… A lua cheia, o que é? É a cor do teu perfume: Folha e gume.
Vaga sobre vaga Do meu mar. Subir, planar, voar, vencer Chegar ao cume.
E navegar Pelo teu corpo E naufragar Nas vagas do ciúme.
Soçobrar Ca…
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ROCHA DA RELVA
Aqui está o lugar onde, aos fins-de-semana, trabalho a minha vinha, pesco, estou com os meus amigos, faço música e poesia e me afasto do mundo. Fiz este pequeno vídeo com um tema do meu CD "A palavra e o canto" intitulado "E do verbo" para vos dar uma idéia deste sítio que muito amo.
Ponta Delgada, 2010-05-22
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AINDA A HOMENAGEM NO BAÍA DOS ANJOS
Artigo publicado na imprensa local.
O meu amigo João França Mota colocou duas músicas minhas no início deste vídeocom vistas do mar das ilhas açorianas. A segunda é o "Tema para Margarida" (a Dulmo, do livro de Vitorino Nemésio intitulado "Mau tempo no canal") que está incluída no meu CD "A palavra e o canto". Obrigado.
Ponta Delgada, 2010-05-14
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POR EXEMPLO, SUPONHAMOS

Vamos supor, por exemplo, Um sol que estes céus fendia E se oferecia em calor, E que em nós dois se acendia Uma chama de alegria Em cada gesto de amor, Trocado no nosso templo.
Vamos supor, por exemplo...

Por exemplo, suponhamos, Um arco-íris no ar, Um riso de vagabundo. Que conseguimos achar, Um jeito de festejar, Em cada simples segundo, O muito que nos amamos.
Por exemplo, suponhamos...

Ponta Delgada, 2010-05-07
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1.º de Maio de 1974
Enchia a praça um maremoto de alegria, Brilhava o sol em nossos olhos espantados, Pelas varandas ledos acenos, aliados, Por fim Abril no mês de Maio florescia.
Era a poesia, o canto à solta na cidade, Uma folia que, em verdade, não mais vi. Foi nesse dia, em verdes anos, que entendi, O sabor único da Santa Liberdade!
Ponta Delgada, 2010-04-01
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HOMENAGEM
Os meus amigos da B@nda.com, decidiram homenagear a minha música no dia 25 de Abril (sempre), pelas 21h30 no bar, Baía dos Anjos, nas Portas do Mar, em Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, Açores. Fiquei muito sensibilizado pela ideia e agradeço-lhes do coração. Estão todos convidados. Beijos e abraços.
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RESSURECTIONE
De cada vez que alço, A mira do meu olhar Para os olhos teus,
Reclamo apenas três segundos Para ressuscitar, E subir aos céus.
Ponta Delgada, 2010-04-01
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ALAMBIQUE
Despeja-se no pote alado e de redonda forma, trinta litros de emoções diversas.
Aquece-se o dito volume líquido em lume brando.
(Um pôr-do-sol visível através da janela da sala do destilador aprendiz, pode ajudar...)
Algum tempo depois, quando a lembrança daquelas emoções atinge a temperatura indicada, começam a soltar-se algumas lágrimas e, pela pela cabeça de turco, palavras etéreas, sem muito nexo, bastas vezes misturadas com raros vapores etílicos.
Tais palavras, arrefecidas pela água fria da razão, que deve fluir de forma continuada para o interior do vaso cilíndrico, acabam por condensar-se na serpentina.
Escorre, então, pelo fino bocal do citado vaso, um aromático destilado.
Deve pensar, seriamente, se quer aproveitar os primeiros dez por cento do líquido.
O resto poderá ser poesia.
Não será capaz, no entanto, de controlar a essência alambicada com um pesa-afectos, pois que de tal instrumento, ainda que por muitos desejado, não consta a existência.
O resultado, depende apenas de duas coisas: - da a…
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Pablo Picasso - mulher com livro

MULHER
Nuns dias rosa, tão vermelha de paixão Noutros singela, pura, lhana, um malmequer Ainda noutros a partir-me o coração Mas sempre flor, meu bem-querer, minha mulher!
Ponta Delgada, 2010-03-08