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A mostrar mensagens de 2016
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SEDE DE APRENDER
Sempre que ouço um: não sei, explica-me,
mergulho nos olhos de quem o diz e penso:
- na singeleza, condição dos sábios;
- no azul intenso do mar oceano de aprender.
Relva, 2016-11-11
Aníbal Raposo
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1 DE NOVEMBRO
Em caso de desaparecimento
Procurem por mim
Na confluência
Da luz.
Aníbal Raposo 2016-11-01
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RITUAIS
Deitei flores na campa
dos que se afastaram,
como vi fazer.
Depois tive a graça
de abraçar os vivos. Resta agradecer.

Relva, 2016-11-01
Aníbal Raposo
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AUSÊNCIAS
Tenho tantas saudades
De vós, como de mim,
Naquilo que já fui.
E mais saudades tenho
De mim, como de vós,
Em tudo o que serei.

(aos familiares que partiram)
Relva, 2016-10-31
Aníbal Raposo
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DO RUÍDO Gosto de falar baixo
com elevação.
Pelo que é sabido
em cada conversa
os decibéis variam.
Na razão inversa
da nossa razão.

Relva, 2016-10-14
Aníbal Raposo
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EM CADA COISA SIMPLES TE REVEJO
Recordo muito bem quando apareceste
Estava sem rumo, perdido no deserto
E foi tão pouco e tanto o que fizeste
Que já não sei viver sem te ter perto
Não custa confessar, de ti preciso
Porque tu és a porta que franqueia
A alegria que abre o meu sorriso
A chispa que os meus olhos incendeia
Paz e harmonia, a luz do meu sol pôr
Nota feliz na pauta do desejo
E é por seres assim, oh meu amor,
Que em cada coisa simples te revejo

Relva, 2016-10-22
Aníbal Raposo
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DA POESIA
Verso meu, mesmo singelo,
Poder ser, saindo ao rubro,
O palco onde me revelo
O covil onde me encubro.
Relva, 2016-09-08
Aníbal Raposo
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DO DINHEIRO
Do dinheiro ser beato
É coisa de pouco siso
Um homem que é sensato
Só possui o que é preciso.
Relva, 2016-09-07
Aníbal Raposo
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DA MORTE
Eu que estive de partida
Vou dizer-te desta sorte:
Deves ter medo da vida
Não tenhas medo da morte.
Relva, 2016-09-07
Aníbal Raposo
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DO BELO Cada qual é que valida
O que é beleza. Porquê?
Dizem que ela está contida
Nos olhos de quem a vê.
Relva, 2016-09-06
Aníbal Raposo
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SAÚDE E FELICIDADE
Saúde e felicidade
São filhas que a gente adora
Só delas temos saudade
Quando partem, vão embora.
Relva, 2016-09-05
Aníbal Raposo
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DO ERRO

Todo aquele que viveu
Falhou na sua jornada. 
Quem erros não cometeu
É porque nunca fez nada.

Relva, 2016-09-05
Aníbal Raposo
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DA TUA GÉNESE

Pedi a Deus a mercê de te criar
Pouco exigi e obtive o impossível.
Bem que podias ser terra, mas és mar.
Não mudes! Gosto de ti imprevisível.
Relva, 2016-08-10
Aníbal Raposo
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FÉRIAS 

Estou de férias Deus meu! Alegremente,
rejubile comigo o mundo inteiro.
Vou celebrar, feliz e finalmente,
o devido alvoroço do guerreiro.


Relva, 2016-08-10
Aníbal Raposo
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SER ILHÉU Ser ilhéu é viver só
No meio de muita gente
De nós ninguém tenha dó
Temos o mar pela frente… É viver a liberdade
Em constante despedida
Já ter no lenço a Saudade
Antes de vir a partida Saber cantar a folia
Saber benzer o quebranto
E dar vivas de alegria
Nas Festas do Espírito Santo Também descer às fajãs
Beber da noite o luar
Apreciar as manhãs
E ouvir os búzios do mar Não ter certezas nenhumas
Numa terra em convulsões
Acordar por entre as brumas
E adormecer nos vulcões Seja qual for o momento
Ter calma, sermos serenos
Olhar bem o firmamento
E ver que somos pequenos É pôr o sonho na mira
Estar em paz, mesmo na guerra
Saber tanger uma Lira
Numa viola da terra
Aníbal Raposo
2012-08-27
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EU GOSTO DE ANDAR POR CÁ Não há maior emoção
Do que amar e ser amado
Amigos do coração
Saúde e muito obrigado. Já descanso no meu ninho
Deram-me alta, já está.
Só pelo vosso carinho
Vale a pena andar por cá. E ganha sabedoria
Quem esteve do outro lado
Sabe bem que cada dia
Deve ser aproveitado.
Relva, 2016-07-08
Aníbal Raposo
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TEMPO INSTÁVEL

Gosto de acordar assim
com tempo instável:
Uma chuva de beijos brotando dos teus lábios;
Um sol radioso a sorrir na tua face.

Relva, 2016-07-02
Aníbal Raposo
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PORTUGAL - POLÓNIA

Estava toda uma nação
Com vontade de vencer
Aguenta aí coração,
Isto é muito padecer...

Relva 2016-06-30
Aníbal Raposo
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PEDRAS NO CAMINHO
Mais uma etapa cumprida
Mais um medo ultrapassado
Por me encheres de luz a vida 
Meus Deus, o meu obrigado.
Relva, 2016-06-30
Aníbal Raposo
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S. JOÃO DO PORTO
Oh meu rico S. João
Meu santinho predileto
Sempre no meu coração
Com o Porto do meu afeto.
Relva, 2016-06-24 Aníbal Raposo
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DO JOGO
Há duas ocasiões
Em que não deves jogar:
Quando não tens condições
Ou quando as tens a sobrar.

(A partir dum pensamento de Mark Twain)
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TU ÉS AQUILO QUE ESPALHAS

Honras, dinheiro e mais tralhas Com tudo isto te besuntas. Não sabes que és o que espalhas E não aquilo que juntas?
Relva, 2016-06-15 Aníbal Raposo
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AÇORES

Acima do que é certo,
um infinito azul
a descobrir
e um navio.

O eterno
desafio.

Relva, 2016-05-17
Aníbal Raposo

(foto do meu amigo Rui Coutinho)
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LIBERTAÇÃO

Cinco pegadas soltas,
só cinco,
na areia.

Para trás a fronteira
de arame farpado,
uma teia.

Uma ânsia da vida
que é breve,
escasseia.

Uma treva de noite
feita claridade.
Uma lua,
cheia.

Relva, 2016-05-13
Aníbal Raposo
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DA CRIATIVIDADE
Se queres manter a tua mente
aberta, em modo criação,
não tenhas medo.

Quem tem medo,
não cria:

- ou mia
ou compra
um cão.

Relva, 2016-05-13 Aníbal Raposo
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SOMBRAS E REALIDADES

Quantas vezes
as sombras visíveis
suplantam as dimensões
da realidade?

Relva, 2016-05-13
Aníbal Raposo

foto de Manolo Mantero
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O ETERNO RETORNO
Sempre que quero nascer de novo.

É simples:
volto ao ovo.
Relva, 2016-05-07
Aníbal Raposo
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VIAGEM

Uma lua cheia,
um sonho
e um barco.

É certo
que embarco.

Relva, 2016-05-06
Aníbal Raposo
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ALEGORIA

Quem foi que ligou o projetor de imagens,
instalou a tela mesmo à minha frente,
e baixou a luz no resto da sala?

Quem me acorrentou neste assento suave
para me servir os assuntos certos?

Quem os fez tão gratos perante os meus olhos
e me aprisionou nesta realidade?

Não há sequestrados
que amam que os prende?

Relva, 2016-05-05
Aníbal Raposo
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AMOR À VIDA

Enquanto esvoaçarem
da concha das minhas mãos inquietas
pássaros livres.

E conseguir servir
favos de mel, em melodias suaves,
a corações sensíveis.

Penso ficar.

Quem sabe o que Deus pensa?

Relva, 2015-05-04
Aníbal Raposo

foto de Sophie Delaporte in "A lifetime photography"
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MÃE

Guardo no meu peito
dez sinos de vento.

Bem vistas as coisas
nada mais possuo.

Recordam quem sou
e quem pretendo ser.

São lembranças tuas
minha mãe querida.


Relva, 2016-05-01
Aníbal Raposo



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ECCE HOMO

Sei que amanhã,
quando sair do templo a tua santa imagem,
ecoará o som das roqueiras,
festivo, na falésia.

Por essa altura,
que com as aves me levanto,
já terei louvado e invocado
setenta vezes sete
o teu sagrado nome.

E enxergado, aonde o olhar puser,
o rasgo sublime da tua
mão criadora.

Em cada melro que vier
riscar o azul do céu.

Em cada peixe
que vir saltar no mar.

Em cada flor singela
empenhada em colorir
o belo quadro
desta fajã que ambos
partilhamos.

Amen.


Relva, 2016-04-29
Aníbal Raposo

(na sexta-feira do Senhor Santo Cristo)
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DA SAPIÊNCIA

Claro que posso voar.
Ah, se não posso...

E sei nadar também.
É coisa inata.

Mas há maior conforto
que descansar, serenamente,
tendo a cabeça e os pés enxutos?

Relva, 2016-04-29
Aníbal Raposo

Foto de Allan Borebor
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25 DE ABRIL
E depois da noite escura
rasgou-se a clara madrugada. Não se encontrava
peito bastante
para entoar o sonho
encurralado. Um hino
cravejado de alegria Uma oração espontânea
à Santa Liberdade!
Relva, 2016-04-25
Aníbal Raposo
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TERRA

Um barco curioso na navegação do teu corpo.

As narinas abertas à sedução dos teus cheiros.

Em cada fim de semana a folia dos amantes.
Relva, 2016-04-22
Aníbal Raposo
(no dia da terra)
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CARA E COROA

Eu tenho um lado negro que esclarece
O meu lado solar do dia a dia.
É o meu flanco insensato, onde se tece
O sal da minha vida, o da alegria.

Colidem seriamente, aqui e além,
Mas fazem sempre as pazes. É espantoso
Como o lado que é escuro entende bem
O que é da claridade, o luminoso.

Opõe-se a maré vaza à maré cheia,
À sombra opõe-se a luz que me encandeia.
Cada moeda tem cara e tem coroa.

Depois de cada noite, um amanhecer.
Assim sou eu e como é bom haver
Dois lados desiguais, uma pessoa.

Relva, 2016-04-16
Aníbal Raposo

Foto de Isidro Vieira
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O BARCO E A TEMPESTADE Às vezes, de verdade,
sou um barco singular.
Amo a tempestade.
Relva, 2016-04-10
Aníbal Raposo


Pintura "into the light" de Chris Pointer
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AMBIÇÕES

Invejo a bebedeira da seta
na vertiginosa busca
do fim, da verdade.

Adoro de viajar
com ela.

Porém, ao fazê-lo,
confesso prudentes receios
de me estampar
no alvo.

Relva, 2016-04-08
Aníbal Raposo
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TEMPO E INDOLÊNCIA

Façam correr
o tempo.

É lento de mais
para os tempos
que tenho.

Relva, 2016-04-07
Aníbal Raposo
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ORAÇÃO

Nos dias que
voam

rezo para ser
pássaro.


Relva, 2016-04-06
Aníbal Raposo

(quadro de Tony Lima)
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1 de abril

Dizes que por mim suspiras
As fraquezas são humanas
Eu adoro ouvir mentiras
Quando "de veras" me enganas.

Relva, 2016-04-01
Aníbal Raposo
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DA POESIA Ser poeta
é enxergar horizontes de emoção
tendo pela frente sobranceiros muros de indiferença. Relva, 2016-03-31
Aníbal Raposo
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POENTE

Assim pressagio ser
o fim dos dias.

Nítida imagem dum velho navio encalhado,
cedendo aos poucos à inevitável erosão do tempo,
num enorme deserto de frívolas banalidades.

Será que alguém recordará as marcas singulares
que as minhas desgastadas sandálias peregrinas
desenharam na impiedosa arena que é a vida?

Pouco me interessa...

Sonhei,
segui um rumo,
e fiz por ser feliz.


Relva 2016-03-30
Aníbal Raposo
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RETRATO

Gosto
de me explicar
assim:

- Alma de criança
que desafia
a gravidade.

- Gato vadio
que deambula
à luz da lua.

Relva, 2016-03-23
Aníbal Raposo
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POESIA

Onde há vida
a poesia é.

A arte do poeta
consiste, simplesmente,
em revelá-la aos mais distraídos.


(No dia mundial da poesia)

Relva, 2016-03-21
Aníbal Raposo
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12.ª ROMARIA

A cabeça e os pés,
na busca ansiosa
do caminho.

À procura de Deus
é que me encontro.

Como sou feliz
sendo ninguém.

Relva 2016-03-07
Aníbal Raposo
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A VISITA

Hoje, não falámos muito. Para quê amigo? 
Sei que que te faltam forças
para pronunciar palavras
não essenciais. Mantinhas os olhos cerrados
enquanto respiravas a custo.
O importante era estar ali contigo
compartilhando um silêncio
indulgente para os dois. Preferiste que me sentasse
na cama ao teu lado.
E apertaste-me as mãos.
Com a voz fraca, referiste
que gostarias de largar
durante o sono. Disse-te,
para não teres medo,
para procurares a luz. E falei-te tranquilamente
na paz e no mar de azeite
que encontrei este sábado na fajã. Quando o teu anjo da guarda chegou
Achámos que era boa hora de eu partir. Já no corredor do bloco,
soltou-se, incontrolado.
um rio caudaloso
dos meus olhos.
Relva, 2016-03-06
Aníbal Raposo
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ANJAS

As anjas... eu creio nelas!
Umas são moças e belas
outras fadas de pasmar.

As que num mar de emoções,
e num toque especial,
mostram-nos céus de pecar.

As dos riscos do Simões
nas palavras de Quental.

Relva, 2016-03-04
Aníbal Raposo

(desenho do meu amigo Francisco Simões)
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REDES

Sonham-se,
tecem-se arduamente,
e lançam-se para longe.

O que nelas vem,
malgrado o dito,
bastas vezes
não é peixe.

Pois bem,
nem sempre
a carne
é fraca...

Relva, 2016-03-03
Aníbal Raposo
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SOU EU Aguardo
ansiosamente
pela iminente chegada
dos verdadeiros donos
da fajã. Já arrumei a casa a alguns. Obrigações de quem sente
usar o sítio por empréstimo... Bem sei que para vós,
irmãos alados,
ovo sumido
é ano perdido. Quem é? Quem é?
Quem é? Este é um mantra
que deleita os meus ouvidos
desde que sou gente. Bem-vindos
pois, de novo. À vossa
e minha casa.
Relva, 2018-02-27
Aníbal Raposo
(Foto de Jorge Blayer Góis)