sábado, fevereiro 19, 2011

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BALADA DE OUTONO

Poema ao vento

Com as crinas delirantes!

Outono lento

Com os sonhos bem distantes!

Meu sol sangrando em agonia

Meu corpo amando

Um farrapo de poesia.


Folhas de outubro

Sobre setembro:

- Mãos que descubro

Sem saber do que me lembro...

Meu barco atado

Ao cais da vida;

Lenço bordado

Que aceno em despedida


Tudo sereno

Neste mar em maresia

Um cheiro a feno

Vai na onda da poesia

Nas mãos da tarde

- Em concha pura

Um corpo arde

De espanto e de ternura


Eis o outono

Correndo à chuva!

Com ar de sono

E seu pranto de viúva...

Tudo cinzento.

Mágoa levada

No movimento

Desta garça abandonada


Longo tormento

Que novembro acarreta:

Poema dentro

Da barriga do poeta.

Minha placenta,

Sem ter idade,

Que não rebenta

Este grito de saudade.


Que parto ameno

De mim deriva?

- Meu filho pleno

Meu amor em carne viva;

Meu sangue e carne,

Criado e dono;

Folha da tarde

Que caiu no meu outono


Álamo de Oliveira

5 comentários:

Aníbal Raposo disse...

Poema do escritor açoriano Álamo de Oliveira que musiquei e que consta do meu CD "A palavra e o canto".

Eduardo Aleixo disse...

Poema balada cheia de melancolia, de feno e de maresia.
Muito belo e suave como as cores do outono.
Gostei.

Maria Valadas disse...

Magnifico casamento entre a voz melodiosa e a letra da canção!

Meus parabéns!

Maria

Graça Pires disse...

Dá gosto ouvir. Um som excelente. Uma voz muito bonita. Um poema que nos transporta para o outono. Gostei mesmo. Parabéns.
Um beijo.

Nilson Barcelli disse...

Magnífica balada.
Tudo muito bem feito: a letra, a música, o arranjo e a interpretação. Não percebo por que não passa na rádio com frequência. A pouca música portuguesa que se ouve é quase sempre a mesma e, alguma dela, de qualidade duvidosa...
Parabéns, caro amigo.
Abraço.