sexta-feira, agosto 09, 2013














SANTA CLARA

Do teu avanço mar fora,
Tomou o nome a cidade.

Na memória, a tua indústria
Terra de mãos operárias
E de bom toque de bola.
Em ti se esculpiram quilhas
De marceneiros de sonhos
E cabouqueiros de cais.

O teu farol é emblema
Que assinala caminhos
Na vida dos deserdados.
Porto de abrigo do mundo.

Pequena e singela urbe
De sótãos tão arejados.
Mistura de tons na pele
Abraço do que é diverso,
Repouso e paz dos proscritos,
Paleta e som da saudade.

Assim és tu, despojada
Mas nobre terra, fagueira,
Cresceste bem à imagem
Da tua mãe padroeira.

Aníbal Raposo
2013-08-08

2 comentários:

Paulo Enes da Silveira disse...

Santa Clara que bem conheço (antes freguesia de São José, mas começou por ser a 3.ª freguesia de Ponta Delgada em 1580...). Lá vivi desde tenra idade, terra do meu clube micaelense - o Santa Clara - embora andasse a jogar basquet e hóquei em patins no União Micaelese... é como ser do Benfica e jogar pelo Sporting...). Muitas vezes fui com o meu pessoal das Artes Marciais, correr descalço lá para a Mata (junto ao actual aeroporto) ... Obrigado por me lembrares esses tempos. Escreves e compões cada vez melhor. Para quando um teu novo livro de poesia? Um abraço do Paulo E. Silveira

Aníbal Raposo disse...

Meu caro amigo,
Sabes que gosto de fazer as coisas com calma já que sou um simples amador. Tenho primeiro de joeirar muito bem os poemas que faço. Depois virá o livro. Abraço.

Gosto de te reinventar em cada esquina do meu pensamento. De te pintar com as cores da tua luz. A que os prismas da ...