OCASO

Caminho lentamente
Na senda do crepúsculo.

Aguardo o abraço final.
A minha fusão com a terra mãe.

No dia em que fechar os olhos
Adivinho um lindo sol em chamas
A deitar-se num mar de azeite na fajã.

Quem baralhará
As partículas desfeitas
Do meu corpo?

Alguém as dividirá,
Como lhe aprouver,
E dará cartas de novo.

Quando ressuscitar
Serei um pássaro?

Ou renascerei como uma árvore
Onde outras aves farão ninho?

Relva, 2013-11-22
Aníbal Raposo

(Foto de FAN HO, Hong Kong Master Street)

Comentários

Por Amor disse…
MAGNÍFICO DISCORRER !!! AMEI O REALISMO SOBRE O CURSO DA VIDA LEVE E SIMPLES POREM DE RARA BELEZA UM ABRAÇO Pedro Pugliese

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