segunda-feira, janeiro 10, 2005




DESPEDIDA

Como voltar sem te perder nesta viagem?
Como fazer p’ra te matar dentro de mim?
De cada vez que apunhalo a tua imagem
Tinjo o meu peito com meu sangue carmesim...

Como afastar o que nasceu p’ra ser unido?
Como furtar dum céu azul o astro-rei?
Como expulsar a tua voz do meu ouvido?
Como dizer ao coração que cumpra a lei?

Como viver com teu fantasma em minha casa?
Como varrer da minha pele o teu odor?
Como enterrar-te, de uma vez, em campa rasa?
Como é que eu faço? Diz-me tu, oh meu amor...


Lisboa
2003-07-02



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