RIBEIRAS DE ENGENHO
Quando te anunciaste, meu amor,
numa curva assassina que o tempo me urdiu,
as palavras vergavam-me os ombros 
no deserto da alma.
A aridez imperava na terra onde germinam os sonhos
e as madrugadas teimavam em não libertar o sol
feito cativo das trevas do uso.
Em cima do cais do desejo podiam escutar-se
os gemidos de barcos decrépitos
a sonhar tempestades.
Vieste para me fazeres entender
que todas as ribeiras de engenho
buscam ansiosas
os abraços estreitos
das águas do mar.

Relva, 2017-04-23
Aníbal Raposo

Comentários

Graça Pires disse…
Poema intenso e muito belo.
Uma boa semana.
Beijos.

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