RELÓGIO

Na minha velha parede
Tenho um relógio. Os ponteiros
Rodam sempre tão ligeiros
Que não sei se o tempo mede.
E aqui quero confessar
Uma estranha sensação:
Na mecha louca a que vão
Não os consigo enxergar.

Saudades tenho. Obcecado,
Não me vejo a decidir,
Se dos dias que hão de vir
Se dos que foram gozados.
Vivo pois neste esconjuro
De saber, tempo malvado,
Se corres para o futuro
Se voas para o passado.

Relva, 2014-12-13
Aníbal Raposo

Comentários

o tempo esse malvado....

bem rimado e muito melodioso.

beijinho amigo

:)
Graça Pires disse…
O tempo anda cá e lá e além... E nós só vemos que ele nos foge...
Gostei do poema.
Um Bom Natal e um beijo.
Anónimo disse…
O tempo tem a mesma física dos espelhos circulares. Converge ou diverge o passado, o presente e o futuro conforme o ângulo em que o incidimos.
Poema singular este que essencia a existência.
Gostei!
Omaia.

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