domingo, fevereiro 01, 2009


DA BATIDA INESPERADA DO VENTO


Perdidos dentro dos nossos domésticos afazeres diários,

soporificamente embalados nos braços de Morfeu,

nem sempre nos damos conta

dos sinais premonitores da tormenta.

 

Então, quando ela surge, a sensação 

 é a de termos sido repentinamente abocanhados

pela ferocidade das mandíbulas dum tigre.

 

Perante a enorme sacudidela de vento

nas velas do navio da nossa vida,

sentimo-nos sem bússola, perdidos,

desesperados com a situação.

 

Nessa altura não estamos preparados para vislumbrar

a soberana oportunidade que nos é dada

para refazermos o rumo e retomarmos

o equilíbrio da nossa barca.

 

Mas, normalmente,

depois da grande e inesperada oscilação

navegamos mais adultos e mais sábios

na vasteza do mar-oceano da nossa existência.


Lisboa, 2009-02-01
Aníbal Raposo
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Esta é a minha participação no 11.º jogo das 12 palavras do blog Eremitério

Palavras-desafio:

Batida; dentro; Morfeu; navio; oceano; oscilação; sacudidela; situação;soberana/o; tigre; vasteza; vento.

Continuo a divertir-me. Obrigado Eremita.

4 comentários:

Maresia disse...

Publiquei na colectânea "Entre o sono e o sonho" e vim aqui descobrir mais... Voltarei.

LOURO disse...

Amigo Anibal,a beleza de viver está
em podermos desfrutar de tantas coisas, como os momentos vividos no nosso encontro, na apresentação do livro entre o sono e o sonho, no
Bar Onda Jaaaz, foi um prazer conhece-lo pessoalmente.

Abraço

Lourenço

ecos de palavras disse...

Muito bem concebidas AS PALAVRAS do jogo.
Fiquei impressionada com o poema.

Parabens.

Beijo

Arantza G. disse...

Nuestras almas expuestas al capricho de este viento que es la vida; que nos empuja, nos arremete y nos trastorna.
Un abrazo.

Gosto de te reinventar em cada esquina do meu pensamento. De te pintar com as cores da tua luz. A que os prismas da ...