segunda-feira, fevereiro 02, 2009



POEMA MARGINAL

Ainda não se enxerga a madrugada
quando o novo poema prepara seu iminente parto.

Fermenta na vesúvica erupção da mente,
para depois fluir em brasa, folha abaixo,
na inesperada torrente lávica das palavras.

Nasce às vezes sonoro, às vezes grave,
noutras por entre loucos, alarves e insanos risos.
Brota dos desconexos gestos báquicos,
irreflectidos, no escárnio cínico dos espelhos.

Acabou de mijar, sem pudor algum,
nas delicadas esquinas de convenções
secular e laboriosamente trabalhadas, 
escarnecendo, a mostrar os dentes podres,
do que é o simples e vulgar bom senso.
 
Não posso nem te quero segurar,
poema sem amarras.

Foi opção tua vir assim ao mundo:
livre e marginal.

Meu poema vivo,
poema sem-abrigo. 


Lisboa, 2009-02-02
Aníbal Raposo

19 comentários:

  1. Soberbamente belo!
    Um grito de homenagem a quem sofre o descaso do mundo!

    Beijinhos,
    Ana Martins

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  2. Hola, Aníbal...

    Vivir sin abrigo, libre y marginal; seres a los cuales la vida no les brinda ninguna oportunidad.

    Cordial saludo.

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  3. belíssimo. lindo quero proteção!
    até me senti só.
    beijos

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  4. Perfeito!! Adorei o teu poema marginal. Beijos.

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  5. o poema é maravilhoso!

    é muito difícil dizer algo tão incomodo sem apelos e sem exageros. parabéns!

    tem uam convite para você lá no meu blog "versos & idéias",

    grande abraço!

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  6. Poema sem abrigo, livre e simples. Gostei.
    Eduardo

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  7. O poema pode ser sem abrigo, mas fica abrigado no nosso sentir
    Bj

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  8. Descobri…
    Um banco do jardim
    Que me segredou
    Em poesia…
    Aromas que aqui
    Encontrou
    De paz
    E de harmonia...

    É sempre bom aqui...estar.

    O eterno abraço…

    -Manzas-

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  9. Flores para você

    Para você enfeitar o seu dia,

    lhe trazer mais alegria

    mais paz a cada minuto.

    Flores

    Para você pensar na vida com mais carinho,

    e não se esquecer que por você

    carrego o sentimento mais sublime:

    A amizade!

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  10. Lindo poema, como sempre...

    não quero partir
    porque não há chegada,
    a ponte do sonho caiu,
    sem margens
    a minha rota
    atravessa o suor
    de gaivotas poisando,
    pétalas de sorrisos
    sugam-me os lábios
    salpicando o meu rosto,
    és uma flor ?
    pergunta-me o vento,
    não, não sou nada,
    quero ser o mar
    simplesmente,

    poetaeusou


    Obrigado pela visita e pelo comentário uma bela semana pra você...
    Abraços

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  11. Poema pulsante, tocante...
    Triste, porém apaixonante.

    Belas palavras. A menssagem tocou.

    Parabéns!

    Beijo grande!

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  12. QUERIDO ANÍBAL, SINPLESMENTE SUBLIME O TEU BELO POEMA... UM GRANDE ABRAÇO DE CARINHO E TERNURA,
    FERNANDINHA

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  13. Muito bonito seu poema.

    bjos.

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  14. É de bom senso dar abrigo a tamanho poema. Parabéns e obrigado.
    Um bom dia , e se quizes me visitar Retalhos está sempre de portas abertas :)

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  15. Anibal,

    Um poema intenso, pulsante que faz o sangue correr mais rápido à medida que lemos.

    Abraços!

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  16. Adoro poemas metalingüísticos! Este é hiperbolizadamente lindo!

    Obrigado por acompanhar o blog!
    Seja bem-vindo!

    Abraço!

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  17. um poema sem abrigo?

    ou um grito em forma de poema?!

    está bom!

    beij

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  18. Aníbal

    "Não posso nem te quero segurar,poema sem amarras." - E com amarras me amarrei a este excerto de um soberbo poema marginal.
    Que vivam os poemas marginais.

    Bj

    MV

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  19. Vibro! Quando encontro em escritores, a atitude de fazer da poesia também porta-voz para os gritos roucos que ninguém ouve na garganta de tantas sociedades...

    Aqui, minha admiração, poeta.

    Katyuscia.

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